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Cientistas descobriram novo problema do uso de bisfenol A

Compartilhe:     |  19 de julho de 2020

O bisfenol A é utilizado na produção de plásticos e resinas e pode ser nocivo para a saúde

bisfenol A, também chamado de BPA, é uma substância química orgânica que constitui a unidade básica de polímeros e revestimentos de alto desempenho, principalmente plásticos policarbonatos e resinas epóxi.

As aplicações a base de Bisfenol A, pelas propriedades conferidas ao material por essa substância, são muitas, entre elas estão DVDs, computadores, eletrodomésticos, revestimentos para latas de comida e bebida, e muitos itens plásticos, como mamadeiras, brinquedos, talheres descartáveis, entre outros. Pequenas quantidades de bisfenol A também são usadas como componentes no PVC maleável e como preparador de cor em papéis térmicos (extratos bancários e comprovantes).

Por apresentar efeitos nocivos à saúde, o bisfenol A passou a ser proibido em mamadeiras e limitado a determinados níveis em outros tipos de materiais.

Segundo informações divulgadas no site da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia do Estado de São Paulo (SBEM-SP), “vale a pena ressaltar que alguns dos efeitos deletérios do bisfenol A, como alteração dos hormônios da tireoide, liberação de insulina pelo pâncreas, proliferação das células de gordura, com doses nanomolares, ou seja, doses extremamente pequenas, as quais são inferiores à suposta dose segura de ingestão diária.”

Com a proibição, surgiram substitutos ao BPA; entretanto, esses substitutos podem ser tão ou mais prejudiciais que o BPA. Entenda melhor esse tema na matéria: “BPS e BPF: conheça o perigo das alternativas ao BPA“.

Entenda mais os riscos

Os riscos que o BPA pode causar à saúde vêm sendo motivo de debate. Estudos demonstram que o BPA é um xenoestrógeno, isto significa, que ele confunde os receptores celulares no organismo e se comporta de forma parecida à dos estrógenos naturais. Por este motivo, o BPA é considerado um disruptor endócrino (DE).

Um outro estudo mostrou que o bisfenol A está vinculado a efeitos nocivos inter-relacionados no cérebro, próstata, uretra, glândula mamária, útero, ovário, baço, coração e gordura corporal.

De maneira geral, ele desequilibra o sistema endócrino, modificando o sistema hormonal. Os efeitos do BPA no organismo podem causar aborto, anomalias e tumores do trato reprodutivo, câncer de mama e de próstata, déficit de atenção, de memória visual e motor, diabetes, diminuição da qualidade e quantidade de esperma em adultos, endometriose, fibromas uterinos, gestação ectópica (fora da cavidade uterina), hiperatividade, infertilidade, modificações do desenvolvimento de órgãos sexuais internos, obesidade, precocidade sexual, doenças cardíacas e síndrome dos ovários policísticos.

Um estudo publicado pela agência Fapesp mostrou que mesmo em doses baixas o bisfenol A pode desregular hormônios tireoidianos.

Absorção

Uma pesquisa publicada pela Analytical and Bioanalytical Chemistry mostrou que, no caso dos papéis termo sensíveis (extratos bancários e comprovantes), por exemplo, a contaminação pode ocorrer pelo contato com a pele. Embora o papel termo sensível seja reciclável, devido à presença de BPA em sua composição, o Pollution Prevention Resource Center (PPRC) recomenda o descarte desse tipo de papel no lixo comum para evitar a contaminação por BPA, que é liberado no processo de reciclagem. Segundo a pesquisa, a reciclagem do papel termo sensível pode aumentar a exposição humana ao BPA, uma vez que, durante o processo, pode haver contaminação de outros produtos de papel reciclado. O BPA já foi encontrado, por exemplo, em papéis toalha.

Responsabilidade

Food and drug Administration (FDA) amparada pelo Centro Nacional de Pesquisa Toxicológica (NCTR), ambos órgãos estadunidenses, avaliam a segurança do BPA. Resultados preliminares mostram algumas preocupações com o uso dessa substancia, mas o NCTR não recomenda nenhuma ação regulatória no momento. Segundo o site da FDA, “pesquisas adicionais são necessárias para avaliar melhor os impactos a longo prazo da exposição ao bisfenol A sobre o desenvolvimento do cérebro e o comportamento”.

No Brasil, a Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu a produção e importação de mamadeiras que contenham BPA. A medida tem grande importância, já que busca proteger as crianças de 0 a 12 meses, mas isso foi apenas um primeiro passo, pois ficaram de fora outros utensílios de plástico usados por crianças pequenas, como copos, pratos, talheres e chupetas, e também não foram incluídas latas de leite em pó que podem conter BPA em seu revestimento. A proibição do BPA já havia sido adotada em outros países, como Canadá e Estados da União Europeia. Espera-se uma medida semelhante no Mercosul em breve. Os países do mercado comum estão discutindo a eliminação do BPA para mamadeiras e artigos similares destinados à alimentação de lactentes.

Saiba como Evitar a Exposição ao BPA

Existem algumas maneiras de diminuir a exposição ao BPA, confira abaixo:



Fonte: Equipe Ecycle



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