Notícias

Cientistas instalam microchip em abelhas para entender sumiço

Compartilhe:     |  18 de julho de 2014

Um pesquisador brasileiro criou um microchip para tentar esclarecer um mistério que está intrigando os biólogos: o desaparecimento das abelhas, na maior parte do planeta. Além de produzir mel, esses insetos são fundamentais para a agricultura. Mais de 70% das espécies vegetais cultivadas no mundo são polinizadas por algum tipo de abelha.

Os cientistas precisaram de pinças para colar os chips em 400 abelhas, de um apiário perto de Belém. Quem desenvolveu o equipamento foi o brasileiro Paulo de Souza. Ele chefia uma equipe da Agência de Pesquisas Científicas da Austrália, que investiga o mistério. “Isso começou nos Estados Unidos, atingiu e já atingiu a América do Sul”, explica Paulo.

O número cada vez menor de abelhas na natureza compromete a agricultura. Segundo a Organização das Nações Unidas, 70% dos alimentos cultivados no mundo dependem do pólen das abelhas para chegar até o consumidor.

As abelhas passam o dia coletando néctar para produzir mel. Cada vez que uma operária pousa numa flor, ela fica coberta de pólen, que nada mais é que o espermatozóide das plantas. Quando voa, a abelha carrega o pólen, que vai fecundar outra flor e fazer com que ela se transforme em fruto.

“Sem abelhas, não há alimento. Se não cuidarmos bem dos polinizadores, em particular das abelhas, nós não teremos uma produção agrícola que seja sustentável e não há nada que se possa fazer”, explica o pesquisador.

O chip, do tamanho de um grão de areia, é uma espécie de crachá que registra as entradas e saídas de cada abelha na colmeia. Registra também a umidade do ar, temperatura, velocidade dos ventos e transmite essas informações para os cientistas.

No Pará, o objetivo da pesquisa é descobrir até que ponto as mudanças climáticas explicam o desaparecimento das abelhas. “Há casos como no município de Colares, por exemplo, que as abelhas de um apiário, cheias de mel, sumiram e não se sabe para onde elas foram”, conta o presidente da Federação dos Apicultores do Pará Gerson de Morais.

Na Tasmânia, ilha que pertence à Austrália, os pesquisadores já chiparam cinco mil abelhas, de quatro colmeias. Duas ficaram em plantações onde se usa um agrotóxico à base de nicotina. A suspeita é que o pólen contaminado desoriente as abelhas, que acabam morrendo porque não conseguem voltar para casa.

“A abelha pode morrer de várias doenças como ácaros, vírus, bactérias, fungos, mas no caso da síndrome do desaparecimento das abelhas, o vilão principal é o pesticida que está eliminando as abelhas”, conta o pesquisador Lionel Gonçalves.

O resultado desta pesquisa deve ser divulgado no ano que vem.



Fonte: Jornal Hoje



Leia também:

Projetos ambientais
Aqui você é o Reporter

Espaço Animal

Quetzal: uma ave bela e misteriosa

Leia Mais