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Cientistas testam salmonela geneticamente modificada para destruir tumores cerebrais

Compartilhe:     |  14 de janeiro de 2017

As salmonelas são um gênero de bactérias comumente associadas a febres e intoxicações alimentares e por isso, de modo geral, não são bem aceitas pelo corpo.

Porém, cientistas da Universidade de Duke, nos EUA, pareceram encontrar uma exceção para essa afirmação ao manipularem geneticamente salmonelas para que elas destruíssem tumores cerebrais, de acordo com informações da Science Alert.

Quando modificadas, ao invés de procurarem o intestino humano, onde geralmente causam danos, vão em direção a tumores cerebrais. Logo, a inovadora técnica poderia levar à criação de tratamentos direcionados na luta contra um dos piores tipos de câncer que existe. Para o estudo, publicado em Molecular Therapy Oncolytics, os pesquisadores deram o tratamento a ratos com uma forma agressiva de glioblastoma. Então, viram aumento significativo na expectativa de vida dos animais, com 20% deles sobrevivendo de 100 dias a mais em comparação ao grupo de controle – o equivalente a 10 anos em termos humanos.

salmonella_01As bactérias (rosa) e células do câncer (azul)

De acordo com um dos membros da equipe, Johnathan Lyon, uma vez que o glioblastoma é uma forma de câncer agressiva e difícil de ser tratada, qualquer mudança na taxa média de sobrevivência já é um grande passo. “Uma vez que poucos sobrevivem após o diagnóstico, uma taxa de cura eficaz de 20% é algo fenomenal e muito encorajador”, disse.

Apenas cerca de 30% dos doentes com glioblastoma costumam viver mais de dois anos após o diagnóstico. Parte do que torna o tratamento algo tão difícil de ser feito é o fato de que os tumores se escondem atrás da barreira hematoencefálica (BHE), que divide o sangue circulante do líquido cerebral.

Porque os fármacos convencionais não conseguem chegar facilmente à essa membrana, de fato é necessária uma abordagem mais direcionada para impedir o crescimento do tumor. Então, para conseguir isso, os pesquisadores usam uma forma geneticamente manipulada e desintoxicada de uma bactéria chamada Salmonella typhimurium, modificada para ser deficiente em uma enzima crucial chamada purina.

 

Uma vez que os glioblastomas são fontes abundantes de purina, as bactérias são induzidas a procurá-las nas células cancerosas, o que significa que poderiam destruir o tumor no processo. Ainda, quando atingem o tumor, mais dois ajustes genéticos entram em ação. Como as células cancerosas se multiplicam facilmente, o oxigênio (O2) é escasso dentro e ao redor dos tumores. Com isso em mente, cientistas codificaram as bactérias para produzirem dois compostos, Azurin e p53. Ambos capazes de instruir as células cancerosas à autodestruição, de modo que o resultado é como o de um míssil guiado e geneticamente modificado para procurar e destruir tumores.

Segundo os pesquisadores, a técnica é muito mais precisa do que uma cirurgia e, uma vez que as salmonelas passam por um método de desintoxicação, não devem haver efeitos colaterais prejudiciais aos pacientes. No entanto, devemos considerar que os testes foram realizados apenas em ratos e não há garantias de que possa ser replicado em seres humanos. Contudo, os cientistas acreditam que a técnica tem o potencial para ser melhor desenvolvida e tratar pacientes no futuro.



Fonte: Jornal Ciência - Merelyn Cerqueira



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