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Clima e biodiversidade: a importância do verde no espaço urbano

Compartilhe:     |  23 de setembro de 2020

Crescimento urbano desordenado, alta produção industrial, exploração e consumo de bens naturais de forma desenfreada são aspectos determinantes para a redução de áreas verdes em todo o País. Menos verde reflete em maior poluição atmosférica o que impacta diretamente à qualidade de vida de toda a sociedade, já que mais pessoas acabam por desenvolver problemas respiratórios ocasionados pela poluição atmosférica, e ainda desordens psicológicas ocasionadas pelo estresse.

Em 1965, a chamada Festa das Árvores que teve início em 1902, em São Paulo, passou a ser chamada Dia da Árvore por um decreto presidencial. Pelas características climáticas de cada região, no Norte e no Nordeste, a data é comemorada na última semana de março, período de chuvas em ambas as regiões e mais favorável ao plantio. E, no dia 21 de setembro, início da primavera, para as regiões Sul, Sudeste e Centro-oeste.

As atividades desenvolvidas neste período buscam celebrar a importância da preservação e do plantio de árvores. Apesar de a data ser comemorada em março no Estado, as queimadas e o desmatamento preocupam a todos porque põe em risco a biodiversidade local. Por isto, esta segunda-feira, 21, é uma oportunidade para que a sociedade reflita sobre a importância das árvores para a sobrevivência de nossa espécie e dos animais.

O Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins) busca, através da educação ambiental, desenvolver estratégias que sensibilizem e promovam reflexões sobre a importância da preservação das árvores. As ações educativas desenvolvidas em todo o Estado é uma oportunidade para semear novas ideias e assim cultivar nas pessoas o sentimento de amor pela natureza e de respeito, visto que para a nossa sobrevivência, é imprescindível que as árvores estejam de pé.

Foto: Lidiane Moreira

Conforme o presidente do Naturatins Sebastião Albuquerque, no Naturatins existe um trabalho intenso de educação ambiental nas escolas e nas comunidades, de modo a sensibilizar o cidadão ao plantio de árvores principalmente do Bioma Cerrado.

“Temos que preservar e conservar as árvores existentes, além de incentivar o plantio de mudas em nascentes, áreas degradadas e também nas áreas urbanas das nossas cidades. Além de sombra que refresca a temperatura, as árvores produzem frutos que alimentam as comunidades e os animais”, salienta Albuquerque.

Arborização urbana

Ruas arborizadas aumentam a qualidade de vida das pessoas, proporcionam mais saúde. Além de dar abrigo e proteção aos animais, também impulsionam a economia local, já que muitos comerciantes aproveitam a sombra ofertada pelas árvores como um ponto de comércio.

A arquiteta do Naturatins, Verônica Amaral, destaca esta relação entre as árvores e a economia local e, que por muitas vezes, é ignorada por comerciantes que não querem árvores em frente à fachada de suas lojas e acabam derrubando. “As pessoas usam a sombra como modo de sobrevivência, é um espaço sem custo, não se paga aluguel. Coloca – se uma mesinha ali debaixo da árvore e se vende caldo de cana, peixe, frutas. As áreas arborizadas são importantes para economia local”, explicou.

Para Verônica é necessária uma parceria entre Estado, municípios e sociedade, que promova incentivos à população com bons exemplos de práticas sustentáveis que levem a formação de um sentimento de pertencimento, já que a relação com o meio ambiente é uma construção.

“O problema da arborização leva a questionar outros problemas. As árvores estão onde as pessoas não estão, porque quando as pessoas chegam elas desmatam tudo. Se fizermos uma busca pela história do Brasil, vamos ver que essa história de limpar terreno, limpar beira de córrego, de rio e de cachoeira vem de mais de 500 anos. Quando os europeus chegaram aqui tinham medo de tudo. Onde iam construir as primeiras edificações, davam ‘um limpa’ ao redor, esse limpar estava ligado a uma questão de segurança, ao desmatar tudo se sentiam protegidos, e erroneamente trazemos isso na nossa trilha cultural temos 500 anos de uma vivência errada”, relatou a arquiteta.

Foto: Arquivo Pessoal

Estudos desenvolvidos em Palmas mostram que quadras com menor quantidade de árvores nativas, como os pés de pequi, por exemplo, possuem uma redução significativa de espécies de pássaros. Além desta redução da biodiversidade, a questão climática torna-se, ano após anos, cada vez mais preocupante. Em regiões menos arborizadas há aumento considerável de temperatura, por isso um plano de governo local que priorize a arborização para a Capital é urgente, aponta o arquiteto Luís Hildebrando Paz da Secretaria de Infraestrutura, Habitação e Serviços Públicos (Seinf), que desenvolveu sua pesquisa de mestrado na Universidade de Brasília (UnB) sobre a influência da vegetação no clima de Palmas.

Num mesmo horário do dia o arquiteto realizou medições de temperatura em locais com e sem árvores. “Já medi na Avenida JK 62 graus no asfalto, sem arborização. No próprio asfalto, onde é arborizado, a temperatura é de 37 graus. Esse calor, aquele microclima da JK faz até mal para saúde, não tem árvore, é muito abafado”, observou ao afirmar que: “uma árvore representa o trabalho de cinco aparelhos de ar condicionado”. O arquiteto destaca ainda a importância da valorização de espécies nativas do Cerrado e questiona: por que se despreza a vegetação nativa no paisagismo de Palmas?”

Para Hildebrando Paz, debaixo de uma árvore se constroem relações sociais, é um espaço de interação social no meio ambiente urbano. Outro ponto destacado pelo pesquisador, é que parques infantis na cidade são construídos em locais sem arborização, o que inviabiliza um melhor aproveitamento destes espaços pelas famílias da Capital.

Foto: Arquivo Pessoal

Transição de vegetação

O Tocantins está numa zona de transição geográfica entre o Cerrado e a Floresta Amazônica. Segundo o Mapa de Biomas do Brasil e o Mapa da Vegetação do Brasil, publicados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Bioma Amazônia ocupa cerca de 9% do território, e 91% é ocupado pelo Bioma Cerrado.

Produção de mudas nativas

Por meio de uma parceria entre Naturatins, a empresa STCP Engenharia de Projetos e o Instituto de Desenvolvimento Rural do Tocantins (Ruraltins) foram produzidas em 2019, cerca de 300 mil mudas de espécies do Bioma Cerrado.

O viveiro possui mais de 50 espécies nativas que são cultivadas no viveiro florestal modelo estufa com 3.528 m², localizado no Parque Estadual do Lajeado (PEL). A produção de mudas tem o objetivo realizar a recomposição florestal das áreas do Parque.

Para o engenheiro florestal Dalton Henrique Angelo, o viveiro do Parque do Lajeado é uma referência no Estado. “É um local visitado por acadêmicos que fazem pesquisa científica. Acredito que esse viveiro florestal, seja o maior em compensação ambiental e também o maior em produção de mudas nativas”, apontou.

Outra ação de extrema relevância é relativa à produção de mudas nativas pela Área de Proteção Ambiental Serra do Lajeado (APASL). Em média, a cada ciclo, são produzidas quatro mil mudas. Conforme o período do ano, a APA obtém diferentes espécies nativas do Cerrado. Entre as últimas oito mil unidades distribuídas havia mudas de Baru, Caju, Jacarandá, Tamboril, Pau de Óleo (Copaíba), Cajuí, entre outras. Desse montante, cerca de cinco mil unidades foram plantadas na extensão da própria Área de Proteção Ambiental. E as três mil mudas restantes foram doadas para moradores de assentamentos na área da APA, unidades de conservação, comunidades indígenas, associações e populares.



Fonte: Surgiu



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