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Coalização vai monitorar e proteger da poluição recifes de corais com satélite

Compartilhe:     |  21 de junho de 2020

Os países que formam o Reino da Comunidade das Nações terão acesso livre a um satélite para ajudar a monitorar e proteger os seus corais das mudanças climáticas, da pescas e da poluição.

A Comunidade das Nações detêm mais da metade dos recifes de corais tropicais remanescentes do mundo. Ao total, 47 dos 54 países que fazem parte do grupo possuem corais em sua encosta litorânea. Metade são ilhas ou grupos de ilhas que enfrentam ameaças climáticas e, para as quais, os recifes de corais são uma vital proteção contra tempestades, bem como viveiro de peixes e responsáveis por atrações turísticas.

“Tudo o que fizermos como família da Comunidade das Nações vai contribuir em massa para proteger os recifes de corais dos quais dependemos globalmente”, diz Patricia Scotland, secretária-geral da Comunidade das Nações. “Nós sentimos essa real responsabilidade ao redor do mundo. A Comunidade das Nações pode mudar a trajetória da crise se os nossos membros estiverem dispostos a trabalharem juntos, e nós estamos”.

Alguns recifes estão correndo o risco de extinção para as próximas décadas se a crise climática continuar como está. Mais da metade dos recifes globais foram destruídos ou muito danificados nos últimos 30 anos por conta de mudanças climáticas, sobrepesca e outras explorações.

Cerca de 250 milhões de pessoas dependem dos corais para respirar. Com a nova tecnologia, serão utilizadas imagens de satélite de alta definição e análises de dados que permitirá que cientistas marinhos, oficiais do governo e políticos monitorem a saúde dos recifes de corais e tomem decisões para protegê-los.

O software será fornecido gratuitamente aos países por meio da parceria da Comunidade das Nações com o Vulcan Inc, um grupo norte-americano fundado pelo co-fundador da Microsoft e filantropo, Paul Allen. Um novo mapa interativo dos recifes de corais será hospedado online na Commonwealth Innovation Hub. “[Países] precisam de dados para saber o que fazer dentro de seus orçamentos apertados”, disse Scotland em entrevista para o The Guardian. “Ser capaz de compartilhar informações nos fortalecerá”.

Ela disse ainda que o clima e a crise ecológica, assim como a pandemia do novo coronavírus, precisam de ações urgentes, e que a saúde dos oceanos é a chave principal para o equilibro do ecossistema global. “O mundo está dizendo para nós ‘Não consigo respirar’”, disse Scotland. “Quando nós pararmos [de explorar], a natureza irá se restaurar muito rapidamente. Porém não temos muito tempo.”

No Reino Unido, o governo publicou uma revisão das leis de proteção ao oceano, que recomendou a criação de novas áreas de proteções marinhas, onde a pesca, a dragagem, exploração de petróleo, construção e todas as outras formas de exploração seriam banidas.

Atualmente, o Reino Unido possui uma “faixa azul” com 355 áreas marinhas protegidas, onde diversas atividades, como a pesca, são restritas. A revisão, conduzida pelo ex-ministro da pesca Richard Benyon, exigiria que o projeto fosse ampliado para novas zonas onde toda a atividade fosse proibida, exceto o transporte marinho que circula pela área e atividades de lazer, como o mergulho e o caiaque.

Joan Edwards, diretora da conservação marinha no The Wildlife Trust, disse que deixar trechos do mar voltar ao normal poderia ser uma revelação, permitindo que a vida marinha se recuperasse de décadas de exploração intensa. “Os nossos oceanos estão em um estado empobrecido, e é duro para a nossa geração compreender o quão abundante as nossas águas já foram. O bacalhau já foi tão longo e largo como os seres humanos são altos hoje em dia, e baleias, golfinhos e tubarões elefantes eram mais comuns”, disse ela. “Nós precisamos deixar o mar nos mostrar do que é capaz”.

Hoje em dia, as áreas marinhas protegidas servem apenas para manter proteções básicas como algumas das atividades mais prejudiciais, como a pesca intensiva, de acordo com os ativistas, e a proteção varia de acordo com a região.

Os ministros ainda precisam responder a solicitação de Benyon. Philip Evans, ativista dos oceanos do Greenpeace no Reino Unido, disse: “É importante que essas recomendações não somente virem realidade, mas cresçam na ambição de recuperar ao menos 30% do oceano do Reino Unido até 2030, em vez de ficarem na mesa dos ministros juntando sujeira”.

Atualmente, o governo britânico está travado em uma briga com a União Europeia por direitos de pesca após o Brexit. Os pescadores britânicos argumentam que estão em desvantagem há décadas por acordos realizados quando o Reino Unido entrou na União Europeia nos anos 70, que concedia maiores direitos de acesso a navios estrangeiros, com o resultado de que a maioria das capturas em algumas águas do Reino Unido fosse destinada as frotas da União Europeia. No entanto, como parte do acordo do Brexit, a União Europeia quer preservar o acesso às águas britânicas de seus navios, pois as frotas de pesca de vários membros do bloco sofreriam de alguma maneira.

Ativistas estão preocupados com o fato de que, no meio dessa disputa, as promessas de ambos de interromper a sobrepesca e respeitar os acordos estabelecidos sobre capturas sejam perdidos.



Fonte: Anda - Maria Inês de Lima Moreira



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