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Colheita antecipada do inajá garante o teor de óleo das amêndoas

Compartilhe:     |  17 de novembro de 2020
Estudo abre caminho para agregar valor ao cultivo dessa palmeira, que é de extrema importância para a economia da região amazônica

Estudo desenvolvido pela Embrapa Amapá (AP) constatou o potencial do inajá (Attalea maripa (Aubl.) Mart) para produção de óleo em escala comercial, abrindo caminho para agregar valor ao cultivo dessa espécie na região amazônica. Análises de materiais coletados no Amapá mostraram que se a colheita dos frutos for realizada 30 dias antes da queda natural, o teor de óleo nas amêndoas de inajá chega a 46,3%, ou seja, muito próximo aos 50,9% encontrado em frutos coletados após a queda do cacho.

Para avaliar o ponto ideal de colheita antecipada, a equipe coletou os frutos em cinco períodos diferentes: aos 90, 60, 45, 30 e 15 dias antes da queda do cacho. “A identificação de ponto de coleta do inajazeiro, evitando a colheita de cachos caídos e já deteriorados, é importante para a manutenção da qualidade do óleo, que pode ficar comprometida devido a alterações não desejáveis”, destaca a pesquisadora Valeria Bezerra, da Embrapa Amapá, com base no estudo desenvolvido com recursos da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).

O teor de óleo nas amêndoas variou numa escala de 26,50% a 50,90% na base seca. “Essa grande alternância e o destaque em duas matrizes específicas de cachos caídos, em relação ao teor de óleo nas amêndoas, demonstram o potencial produtivo para trabalhos de melhoramento genético, a fim de domesticar a espécie para produção de óleo”, ressalta a pesquisadora. Os frutos avaliados pela Embrapa foram coletados de palmeiras georreferenciadas na região agrícola do distrito de Pacuí, município de Macapá (AP), e sua ocorrência foi mapeada pelo Instituto Estadual de Estudos Científicos e Tecnológicos do Amapá (Iepa).

Segundo Bezerra, o inajazeiro apresenta valor econômico, ecológico e ornamental para a região amazônica, devido ao aproveitamento integral. “Os frutos in natura são utilizados na alimentação humana e animal, assim como pelas indústrias de cosméticos, saboarias, combustíveis e alimentícias por meio do óleo extraído”, explica. Porém, a espécie não é domesticada. Ou seja, ainda não existe sistema produtivo definido para essa planta. Por isso, a Embrapa recomenda a continuidade de estudos relacionados ao ponto de maturação do inajá, a fim de indicar além do rendimento de óleo, as características qualitativas e o perfil de ácidos graxos presentes nos lipídeos das amêndoas.

Potencial para fonte renovável de biocombustível

Nativo do Brasil, o inajazeiro é uma palmeira com altura que varia de 3,5 m a 20 m, apresentando de 10 a 22 folhas pinadas e eretas. Atualmente é encontrada espontaneamente em áreas de floresta do Amapá, principalmente onde houve interferência para práticas agrícolas. Apresenta teor considerável de óleo na polpa e nas amêndoas dos frutos. Ocorre também nos estados do Acre, Maranhão, Amazonas, Pará, Rondônia e Roraima, sobretudo em florestas primárias, secundárias e em áreas abertas para agricultura. A produção de frutos é bastante variada, apresentando, em média, de 1500 a 2000 mil frutos por cacho, mas podendo alcançar mais de 5 mil frutos, como afirma o pesquisador da Embrapa Roraima Otoniel Duarte.

Segundo Duarte, o inajazeiro é uma fonte natural de lipídeos e, portanto, uma palmeira promissora para a produção de óleos. Abundante e renovável, com ampla dispersão e pouco exigente quanto à fertilidade dos solos e água, pode contribuir para a economia regional com aproveitamento racional e sustentável dos recursos naturais.

Palmeira inajá – Foto: Paulo André Rodrigues da Silva

O pesquisador da Embrapa Agroenergia Bruno Laviola destaca também o potencial dessa espécie para produção de biodiesel.  A conclusão faz parte de estudos que apontam as palmeiras como matérias-primas alternativas para produção desse biocombustível, tanto pelo volume de óleo produzido quanto pela distribuição pelos vários ecossistemas, e estão disponíveis na publicação “Potencial do pinhão-manso e de palmeiras para a diversificação de matéria-prima na produção de biodiesel”.

Para Bezerra, a possibilidade de utilizar o inajazeiro como fonte renovável na produção de biocombustíveis abre mais uma alternativa para o desenvolvimento socioeconômico da região, especialmente visando à geração de renda para os agricultores familiares de comunidades isoladas na Amazônia. “Dessa forma, contribuiremos para o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável – ODS 7 da Organização das Nações Unidas (ONU), que preconiza a energia limpa e acessível a todos”, pontua.

Estudo foi iniciado há 12 anos

O estudo da Embrapa Amapá dá sequência a um trabalho iniciado em 2008, quando 21 matrizes de inajazeiros foram selecionadas em diversas comunidades localizadas no distrito agrícola do Pacuí. O critério inicial foi o potencial produtivo, a partir da visualização dos cachos e de frutos, para depois avaliar a aptidão das amêndoas dos frutos maduros produção de óleo.

Durante um ano, de maio de 2008 a maio de 2009, a cada quinze dias a equipe se dedicava à avaliação visual do surgimento de cachos e da queda de frutos, ao mesmo tempo em que recolhia amostras de frutos caídos para analisar o teor de lipídeos em laboratório. Em 2014, um total de 43 matrizes foram selecionadas especialmente para avaliar o ponto de colheita dos frutos. Para isso, foi avaliado o desenvolvimento da planta, o surgimento de cachos e a queda de frutos, e ainda realizados o monitoramento e a coleta de amostras de frutos aos 90, 60, 45, 30 e 15 dias antes da queda do cacho até a queda total (0 dia), no período entre fevereiro de 2014 e maio de 2015.

A pesquisadora destaca que as amostras de frutos de cachos coletadas foram analisadas no Laboratório de Alimentos da Embrapa Amapá. “As sementes foram quebradas em prensa hidráulica para possibilitar a retirada integral das amêndoas.  Essas foram trituradas em moinho analítico de batelada, em torno de 5 segundos, resultando numa pasta que, posteriormente, foi utilizada para
determinar os teores de lipídeos totais”, complementa.

Com o resultado da avaliação do potencial oleífero do inajá, a equipe da Embrapa observou uma grande variação no teor de lipídeos totais nas amêndoas dos frutos coletados para a pesquisa, indo de 26,50% até 50,90% da base seca, representando uma diferença de 50%.

Duas matrizes em especial apresentaram os teores maiores, e como estavam localizadas no mesmo maciço de matrizes com baixo teor de lipídeos, a equipe acredita que este fato pode estar relacionado a fatores genéticos, como espaçamento entre plantas, idade, tipos de solos e diferenças ambientais dos vários pontos de coletas.

O estudo, de autoria de Valéria Bezerra e do analista da Embrapa Amapá Leandro Damasceno, resultou na publicação “Potencial oleífero e ponto de colheita de inajá em área de ocorrência natural no Amapá”, disponível na íntegra para download.

Vídeo de apresentação da publicação “Potencial Oleífero e Ponto de Colheita de Inajá em Área de Ocorrência Natural no Amapá”, lançado durante o XII Café com Ciência, ocorrido em 23/10/2020, durante a VI Jornada científica da Embrapa Amapá.

Cacho com frutos maduros de inajá – Foto: Paulo André Rodrigues da Silva


Fonte: Neo Mondo



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