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Comida verde é menos atraente para o cérebro, diz pesquisadores

Compartilhe:     |  15 de novembro de 2016

A expressão “comer com os olhos” tem mesmo um fundo de verdade. De acordo com experimento de pesquisadores da Escola Superior Internacional de Estudos Avançados (Sissa), em Trieste, Itália, a cor de um alimento ajuda a guiar nosso apetite e a decidir se devemos consumi-lo. Isso porque, tal qual um sinal de trânsito com os códigos invertidos, interpretamos a vermelhidão como indício de que a comida é mais nutritiva e calórica, o que nos estimula a ingeri-la, enquanto alimentos que tendem para o verde são vistos como menos atrativos. Segundo os cientistas, esta diferenciação seria uma herança de nossos ancestrais caçadores-coletores.

— De acordo com algumas teorias, nosso sistema visual evoluiu para identificar facilmente bagas, frutas e vegetais particularmente nutritivos em meio à folhagem — lembra Raffaella Rumiati, neurocientista da Sissa e coordenadora do estudo, publicado nesta segunda-feira no periódico científico “Scientific Reports”. — E somos particularmente eficientes em distinguir o vermelho do verde.

Mecanismo evolutivo

Na experiência, os pesquisadores mostraram imagens de alimentos crus e preparados de diversas cores a 68 voluntários, pedindo que as classificassem segundo sua atratividade e indicassem qual seria seu valor calórico. De acordo com os pesquisadores, os participantes consistentemente apontaram os alimentos que pendiam para o vermelho como mais apetitosos que os esverdeados, além de julgá-los mais nutritivos. E a preferência se manteve mesmo no caso dos alimentos preparados, que receberam uma melhor avaliação geral, mas nos quais a cor é um indicador menos eficiente de seu valor calórico.

— Os alimentos preparados são sempre preferidos porque, quando comparados aos alimentos crus, são mais nutritivos em igual quantidade — aponta Raffaella. — Com as comidas preparadas, porém, a dominância do vermelho sobre o verde não é mais um indicativo confiável (de seu valor nutritivo), o que nos levava a acreditar que nosso cérebro não aplicaria esta regra a elas. Mas ele faz isso, o que sugere a presença de um antigo mecanismo evolutivo anterior à introdução do cozimento.



Fonte: O Globo - Cesar Baima



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