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Como enfrentar as mudanças climáticas na década que começa agora?

Compartilhe:     |  15 de janeiro de 2020

Durante o recesso de ano novo, fui para uma pequena vila nas montanhas, um lugar encantado cheio de cachoeiras e rios. Não vou falar qual é exatamente, mas posso dizer que já faz alguns anos que viajo para o mesmo destino, com o propósito de conexão e espiritualidade. Porém, a cada ano, o lugar está mais cheio, novos hotéis, bares, restaurantes, estradas e casas enormes. Apesar de procurado para ser um refúgio da cidade, está no caminho de se transformar em uma, e de forma nada sustentável, já que até o esgoto de alguns restaurantes vai diretamente para os rios de aguas cristalinas da região.

Diante disso, me deparei com a sensação de que o pouco que resta de espaços preservados, nós, humanos, estamos destruindo. Confesso que este sentimento é bem familiar para mim – vivo dividida entre a dor de ver tanto sofrimento e destruição e a fé que me dá forças para seguir na missão com esperança. A positividade tem sido minha opção.

Neste momento, começo de ano e virada de década, precisamos encarar o fato de que os próximos dez anos serão essenciais para mudarmos o rumo do planeta. As consequências das mudanças climáticas já podem ser sentidas e observadas, inclusive começamos o ano vendo a Austrália em chamas e nos mostrando o quão urgente é a pauta.

Alguns tem a ilusão de que, pelo bem da economia, a natureza pode ser destruída, sem pensar que, sem ela, não há vida humana. Satish Kumar, fundador da Schumacher College, nos lembra que Ecologia e Economia possuem o mesmo prefixo, eco – que, do grego oikos, significa casa. Já os sufixos vêm de logos e nomos – respectivamente, estudar e gerir. Então deveria ser obrigação de quem olha para a economia, gerir a natureza.

O desenvolvimento sustentável,  a agroecologia, a economia circular e tantos outros movimentos nos propõem soluções e possibilidades reais para que todos vivam com prosperidade, portanto, eu acredito que o primeiro passo começa na conexão interior de cada um de nós com a natureza. Para o bem de todos, sinta a Terra!

A Terra é nosso lar, nos provê vida, alimento, ar e água. Tudo vem dela e vai para ela. É um relacionamento profundo, mágico e sério, pois nos exige responsabilidade. Acredito que apenas através de um sincero entendimento que somos parte da Terra, e que precisamos coexistir com ela e com todos os seres que a habitam, é que seremos capazes de transformar a nossa sociedade. Nós, humanos, não somos melhores que outros seres vivos, então precisamos ter mais humildade, tratá-los com mais respeito e dividir o mesmo planeta.

Cuidar da água, dos animais, do solo, é também cuidar de nós mesmos, é cuidar dos nossos filhos, é viver em harmonia. Este relacionamento nos traz paz, saúde, autoconhecimento e consciência, refletindo nas nossas relações, inclusive de consumo, de alimentação e estilo de vida. Cada escolha impacta o mundo de uma forma, seja positiva ou negativamente, e por isso a necessidade de sermos cada vez mais responsáveis e menos egoístas.

Como compramos, usamos e cuidamos das nossas roupas? Como e por quem elas foram produzidas? Que estes questionamentos estejam presentes em nossas escolhas e sejam apenas o começo de um longo processo de descobertas. Desejo uma nova década de consciência, união e ação, que cada um se reconheça como agente de mudança e aja em prol da vida. E que o potencial criativo da moda auxilie nesta jornada de transformações.



Fonte: Vogue - FERNANDA SIMON



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