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Como lidar com o luto no Natal, após tantas mortes provocadas pela Covid

Compartilhe:     |  20 de dezembro de 2020

Às vésperas do Natal, o Brasil bateu a marca de 182 mil mortos por Covid-19. Para todas as famílias que perderam membros queridos em decorrência do vírus, a celebração natalina deste ano terá um tom diferente. Muitos nem sequer tiveram a oportunidade de se despedir de seus parentes. Como lidar com a ausência de um familiar nesta data, marcada pelas ceias em família?

Para a psicanalista Sônia Bromberger, da Sociedade Brasileira de Psicanálise do Rio de Janeiro, o luto daqueles que perderam familiares para a doença foi agravado pela falta de rituais de despedida, como velórios e enterros, por força das medidas de isolamento social e de redução de risco de contágio:

— O corpo da pessoa querida é uma representação, uma realização de sua morte. É muito triste não poder se despedir, não estar perto na hora da morte.

Por isso, segundo ela, mais do que nunca, é importante dar vazão a todas as emoções suscitadas pela lembrança do parente ou amigo que se foi. Cada um tem seu tempo para elaborar o luto, e é possível que a saudade roube a cena até mesmo em ocasiões de confraternização social, como o Natal. Veja abaixo sugestões da profissional para ajudar a elaborar o luto.

 

— Há que se prantear, há que se chorar. Para essas pessoas, é importante lembrar que elas não estão sozinhas — afirma a psicanalista, que completa: — O Natal certamente não será o mesmo para quem perdeu um familiar querido. Serão importantes reuniões pequenas e tranquilas, no clima em que a família puder estar. Haverá muitos outros Natais a celebrar.

Ela sugere que as reuniões de Natal tenham o clima “em que as pessoas puderem estar”, com uma reunião pequena e tranquila, se necessário. Quando se respeita o processo de elaboração do luto, a tristeza pode vir a se transformar, em seu devido tempo, em homenagem, e o lamento dará lugar à gratidão.

A psicanalista Andrea Ladislau explica que o luto tem cinco fases, e não existe um tempo certo para passar por cada etapa. Ele só se torna preocupante quando demora demais a atingir a fase de aceitação, tornando-se um luto patológico:

— Não existe fim do luto. Existe o fim do trabalho de elaboração do luto. Precisamos entender que a morte é natural e nos apegar a memórias e sensações positivas.

O luto tem cinco fases. Entenda:

1. Negação

Logo após a morte de um familiar ou amigo íntimo, nossa primeira reação é negar o que aconteceu. Trata-se de uma defesa psíquica. Tentamos tocar a vida como se nada tivesse acontecido.

2. Raiva

Após a negação, vêm os sentimentos de revolta. Perguntamo-nos “Por que isso aconteceu? Por que comigo?” Ficamos irritados, perdemos o sono e o apetite e sentimos vontade de chorar de raiva o tempo todo.

3. Negociação

Nesta fase, imaginamos a morte como um fato reversível. Fantasiamos que, se um determinado acontecimento não tivesse ocorrido, o familiar ou amigo que perdemos não teria morrido. Em tempos de Covid, esta etapa pode ganhar outro tom: “Se eu não o(a) tivesse infectado, ele(a) estaria vivo(a)”.

4. Depressão

As fantasias da fase de negociação (ou barganha) se dissipam, deixando uma profunda sensação de vazio. É quando tomamos plena consciência da morte da pessoa. Vontade de se isolar, tristeza e cansaço são comuns nesta etapa, da qual chegamos a pensar que é impossível sair.

5. Aceitação

Em nosso próprio tempo, aceitamos o que aconteceu e entendemos que a superação é um passo importante e saudável. Em vez de focar na tristeza causada pela morte de alguém, ficamos com as boas memórias relacionadas à pessoa querida. O processo de elaboração do luto se encerra.



Fonte: Extra - Rodrigo de Souza



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