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Como o azeite de oliva pode ajudar a evitar doenças cardíacas

Compartilhe:     |  24 de julho de 2020

Uma pesquisa publicada no periódico científico Journal of American College of Cardiology confirma os resultados de outros estudos: o azeite de oliva está associado a uma saúde cardiovascular turbinada. O trabalho analisou dados de 63 867 mulheres e 35 512 homens de 1990 a 2014 nos Estados Unidos. No início do levantamento, nenhum participante apresentava câncer, problemas cardíacos ou outras doenças crônicas. A cada quatro anos, eles respondiam questionários sobre dieta e estilo de vida.

Entre os que ingeriam mais do que meia colher de sopa de azeite por dia, o risco de ter qualquer problema cardiovascular foi 15% menor. Já a doença arterial coronariana (quando há um estreitamento das artérias que irrigam o coração) foi 21% menos comum nessa turma.

Além disso, a substituição de uma colher de chá de manteiga, margarina, maionese ou de uma fonte láctea de gordura pela mesma quantidade de óleo de oliva foi atrelada a uma probabilidade 5% menor de sofrer infarto.

Trabalhos anteriores também apontavam essa ligação. “Resultados do estudo PREDMED demonstraram que o consumo de azeite extra virgem reduziu a incidência de eventos cardiovasculares em 31% em comparação ao grupo que não consumiu o alimento”, diz o nutricionista João Motarelli, assessor científico do Departamento de Nutrição da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp). O benefício, segundo esse trabalho específico, seria alcançado com 40 gramas do óleo por dia — o que equivaleria a cerca de 4 colheres de sopa diárias.

O segredo do óleo de oliva está no seu tipo de gordura. “Ele é rico em ácidos graxos insaturados, que favorecem a saúde cardiovascular por exercerem influência na quantidade e no tamanho das partículas de colesterol”, revela Motarelli.

A manteiga, por exemplo, tem na sua composição maior quantidade de gorduras saturadas. “Elas aumentam a concentração de LDL no sangue”, explica a nutricionista Ana Maria Pita Lottenberg, coordenadora do Curso de Especialização em Nutrição nas Doenças Crônicas da Faculdade Israelita de Ciências da Saúde Albert Einstein.

O LDL, ou lipoproteína de baixa densidade, é uma partícula que tem a função de transportar cerca de 2/3 do colesterol no sangue. “Em excesso, ele se deposita na parede das artérias”, conta a especialista. Ou seja, causa os ateromas, as famosas placas gordurosas que podem obstruir a circulação e levar ao infarto.

Em maior quantidade, o LDL se oxida mais facilmente e, por esse motivo, não é recapturado pelo fígado. “A gordura saturada reduz os receptores de LDL no órgão”, detalha a nutricionista. Daí seu acréscimo na circulação. Já as gorduras insaturadas atuam de outra forma e, por isso, não fomentam a subida das taxas de colesterol.

O azeite de oliva também carrega compostos fenólicos, que funcionam como antioxidantes. Essas moléculas impedem que o LDL seja oxidado.

Mas é preciso ficar de olho para não exagerar e acabar agregando muitas calorias ao cardápio. “O melhor óleo é o que se usa em quantidades adequadas”, recomenda a nutricionista Ana Maria, que também é do Laboratório de Lípides da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. A alimentação precisa ser equilibrada, com frutas, verduras, legumes, grãos e carnes magras.

De nada adianta colocar uma colher de azeite de oliva na salada se o menu ao longo do dia estiver repleto de salgadinhos, bolachas recheadas e doces. Segundo a nutricionista, muitos desses alimentos ainda levam na composição a banida gordura trans, que eleva o LDL e reduz o HDL, um amigo do coração.



Fonte: Veja Saúde - Agência Einstein - Fábio de Oliveira



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