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Como tubarões podem nos ajudar a combater bactérias super-resistentes

Compartilhe:     |  9 de abril de 2019

Versões sintéticas de pele de tubarão estão sendo desenvolvidas para serem usadas, no futuro, em hospitais – o objetivo é reduzir as infecções bacterianas.

A pele do tubarão é composta por milhões de pequenas escamas em forma de V chamadas de dentículos dérmicos.

Pesquisadores reproduziram a textura desses dentículos para produzir superfícies resistentes a bactérias.

Inicialmente, o material foi idealizado para reduzir o acúmulo de micro-organismos marinhos no casco de embarcações.

Mas agora os cientistas estão estudando como esta tecnologia – chamada sharklet – pode ser usada em hospitais, onde manter superfícies livres de bactérias é uma questão importante.

Atualmente, ligas de cobre são usadas com este objetivo em alguns ambientes hospitalares. O cobre interfere nos processos celulares de uma variedade de micróbios, se tornando tóxico para algumas bactérias.

Mas o material inspirado na pele do tubarão funciona de forma diferente – em primeiro lugar, é mais difícil para as bactérias aderirem a ele.

Superfícies que são muito manuseadas – como maçanetas e interruptores de luz – poderiam ser revestidas então com este material.

A expectativa é que a medida ajude a reduzir a taxa de infecção por doenças contagiosas, como a provocada pela bactéria Staphylococcus aureus resistente à meticilina, conhecida pela sigla SARM.

A ideia por trás do sharklet surgiu em 2002, quando Anthony Brennan, professor de engenharia e ciência dos materiais da Universidade da Flórida, nos EUA, recebeu um pedido da Marinha americana para pensar em maneiras de impedir a proliferação de incrustações nas embarcações.

Este acúmulo de algas era geralmente combatido com tintas anti-incrustantes tóxicas, que custaram à Marinha muito dinheiro e esforço para serem aplicadas nos navios.

Ao observar a pele dos tubarões, Brennan notou uma “estrutura parecida com a de um diamante com pequenas costeletas”.

Essa estrutura requer mais energia das bactérias para se agarrarem à superfície, de modo que é mais provável que elas colonizem outros lugares ou morram.

Esse tipo de tecnologia, inspirada na natureza e no reino animal, é conhecida como biomimética.

Outros exemplos incluem o design de uma agulha cirúrgica indolor inspirado na mandíbula dos mosquitos e como um tipo de pulga pode ser a chave para melhorar o transporte de órgãos para transplantes – e armazenar sorvete.

Um dos casos mais conhecidos é do pássaro martim-pescador e do trem-bala no Japão, que fazia um barulho alto ao passar pelos túneis.

O ruído perturbava a vida selvagem, deixava os passageiros desconfortáveis ​​e acordava a vizinhança.

Mas, graças ao hobby do engenheiro Eiji Nakatsu, um ávido observador de pássaros, o problema foi resolvido.

Ele se inspirou no martim-pescador, que consegue mergulhar em alta velocidade na água sem espirrar líquido.

O segredo está na forma aerodinâmica do seu bico.

A parte dianteira do trem-bala foi inspirada então no bico do pássaro, ajudando a reduzir a resistência do ar e permitindo que ele viajasse de forma mais silenciosa e eficiente pelos túneis.



Fonte: BBC Brasil



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