Notícias

Componentes tóxicos de algas oceânicas podem ser responsáveis por doença degenerativa em golfinhos

Compartilhe:     |  23 de março de 2019

Os cientistas autores do estudo previram que com o aquecimento global o florescimento de cianobactérias tóxicas se tornaria cada vez mais comum

Um novo estudo alerta que elementos químicos tóxicos provenientes de algas verdes azuladas (cianobactérias) foram encontrados em golfinhos mortos e podem estar ligados a uma condição cerebral degenerativa comparável à doença de Alzheimer.

No estudo, pesquisadores afirmam que quantidades detectáveis da toxina BMAA – encontrada em florescimentos de algas nocivas – foram observadas pela primeira vez nos cérebros e corpos de 13 dos 14 golfinhos estudados.

Acompanhando essa observação, o artigo cita ainda que sintomas e condições semelhantes aos efeitos causados pela doença de Alzheimer e de Parkinson também foram detectados.

Embora o novo artigo, publicado na revista Plos One, sugira que a ligação entre a toxina e os efeitos cognitivos adversos justifique um estudo mais aprofundado, os cientistas tomaram a evidência como uma oportunidade de alerta para as potenciais consequências das floras de cianobactérias cada vez mais comuns nos seres humanos.

“Não é muito político, mas expõe a saúde dos animais marinhos e a qualidade da água”, disse David Davis, neuropatologista e principal autor do estudo feito pela Escola de Medicina da Universidade de Miami Miller, ao Miami Hearld em um relatório.

*Tudo está diretamente relacionado*

À medida que a Terra aquece, os cientistas previram que os florescimentos em larga escala, contendo cianobactérias tóxicas, poderiam se tornar cada vez mais comuns.

Em particular, uma combinação de água mais salgada, mais dióxido de carbono e mudanças na quantidade de chuvas alimentadas pelas mudanças climáticas poderiam criar as condições ideais para o surgimento de mais floras bacterianas, de acordo com a EPA.

Mais notavelmente, a cidade de Cleveland tem sido alvo da florescência várias colônias de cianobactérias daninhas ao longo dos últimos anos, levando o governador de Ohio a tomar medidas oficiais.

Apenas como essas plantas afetarão os seres humanos, no entanto, continua a ser visto.

Um relatório de 2011 da revista Discover, relata que pesquisadores de todo o mundo começaram a descobrir as ligações entre o consumo de frutos do mar contendo BMAA e condições degenerativas do cérebro em pacientes.

Outra pesquisa do departamento de Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) já havia descoberto que a toxina entra em contato com o organismo dos golfinhos por meio de sua fonte de alimento.

Para ajudar a estabelecer a ligação e aprofundar a pesquisa da BMAA e seus vínculos com os pesquisadores de Alzheimer, os pesquisadores estão realizando um estudo maior e mais definitivo envolvendo 150 golfinhos que morreram na Costa do Golfo durante as temporada de florescimento das cianobactérias no ano passado, segundo o Miami Herald.



Fonte: ANDA - Eliane Arakaki



Leia também:

Projetos ambientais
Aqui você é o Reporter

Espaço Animal

Projeto de lei ‘Animal não é coisa’ é aprovado pelo Senado

Leia Mais