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Compostagem doméstica começa a virar política pública em São Paulo

Compartilhe:     |  5 de julho de 2014

Três caixas de plástico com alguns furos, terra, minhocas e folhas secas: é tudo o que alguém precisa para reduzir pela metade sua produção de lixo. O sistema é chamado de composteira doméstica, e permite que uma família transforme, na própria casa, seus resíduos orgânicos em adubo e fertilizante para as plantas. “É uma porta para entender como a sustentabilidade funciona na prática, o sistema reproduz o chão de uma floresta”, diz Antonio Storel, coordenador de programas de resíduos orgânicos da prefeitura de São Paulo.

O projeto “Composta São Paulo” foi pensado para ser um grande laboratório, um experimento que envolverá duas mil pessoas na cidade. Será avaliada, na prática, a viabilidade de uma expansão do programa a ponto de tornar a compostagem doméstica uma política pública. “Talvez lá para 2016 tenhamos condições de lançar um programa municipal permanente, que faça parte da política de resíduos sólidos”, aponta Storel.

“Talvez em 2016 tenhamos condições de lançar um programa municipal permanente”
Antonio Storel, coordenador de resíduos orgânicos

A iniciativa foi inteiramente financiada pelas concessionárias de coleta de lixo Loga e Eco Urbis, que são obrigadas a destinar parte da verba do contrato com a prefeitura para ações que promovam a educação ambiental e pesquisa. A coleta de informações é o principal objetivo do programa, justamente para prover o poder público com o máximo possível de dados para a elaboração de uma política mais abrangente sobre o tema.

Para garantir que a amostragem seja a mais diversa possível, a Morada da Floresta, ONG em prol da sustentabilidade responsável pelo projeto, vai escolher os voluntários através de duas frentes: tanto por meio de convites direcionados, quanto por inscrições de interessados no site do Composta São Paulo. “A ideia é atingir diferentes localidades, perfis socioeconômicos, graus de escolaridade e profissões, além daqueles que já têm contato com o movimento socioambiental e também os que não têm”, explica Cláudio Spínola, idealizador da organização não-governamental.

Cláudio Spínola, coordenador do Composta São Paulo e da Morada da Floresta (Foto: André Jorge de Oliveira/Ed. Globo)

 

Os escolhidos deverão se comprometer a responder três questionários sobre hábitos da família e a relação com a composteira, bem como se ela proporcionou mudanças na rotina da casa. Além das pesquisas, é necessário também participar de três oficinas, e devolver a composteira em caso de desistência.

Estima-se que, ao final dos cinco meses de projeto, as duas mil residências contempladas terão compostado cerca de 300 toneladas de resíduo orgânico, poupando os aterros da cidade. Lá, as sobras de alimento produzem um acentuado dano ambiental – o chorume resultante da decomposição se mistura com outras substâncias tóxicas, gerando um material altamente poluente. “Quanto mais a cidade faz compostagem em larga escala, produz adubo suficiente para estimular a prática da alimentação orgânica”, ressalta Spínola, que destaca também o ciclo virtuoso do processo, que acaba refletindo na saúde da população.

Com políticas eficientes de compostagem e reciclagem, é possível reduzir em 75% a quantidade de lixo produzida

A medida é uma das ações para enquadrar São Paulo no Plano Nacional de Resíduos Sólidos, que obriga, já a partir de agosto, as prefeituras a destinarem aos aterros apenas os rejeitos – resíduos que ainda não temos tecnologia para tratar, como fraudas, papéis higiênicos e absorventes usados.  Segundo Antonio Storel, com políticas eficientes de compostagem e reciclagem de resíduos sólidos, é possível reduzir em 75% a quantidade de lixo mandada para os aterros sanitários.

De acordo com o coordenador, a perspectiva para a compostagem doméstica é boa: o dinheiro que se economiza com o processo é suficiente para pagar as composteiras e os custos de manutenção para qualquer cidadão que tenha interesse em compostar. “Se o saldo para a economia fica zero, para o ambiente fica muito positivo”, diz. Para ele, estamos vivenciando um período de mudança de paradigma. “As pessoas querem se sentir parte da solução, estamos vivendo o pós-junho, onde as pessoas querem não apenas um serviço de alta qualidade, mas também querem participar”.

Na loja virtual da Morada da Floresta, é possível comprar composteiras domésticas. Confira um vídeo de Cláudio Spínola explicando melhor seu funcionamento:



Fonte: Revista Galileu



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