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Conheça cinco histórias de animais resgatados pelo CRAS e pela PMA

Compartilhe:     |  12 de novembro de 2014

Apesar dos esforços de diversas instituições, o número de animais vítimas do tráfico e caça ilegal ainda é preocupante em todo o mundo. Por mais detalhados que sejam os relatórios e reportagens, às vezes a percepção desse triste cenário não passa disso: números. Em visita à Green Farm (conheça o projeto), o CicloVivo conheceu a emocionante história de cinco animais resgatados pelo CRAS (Centro de Reabilitação de Animais Silvestres) e pela PMA (Polícia Militar Ambiental). “Cada animal tem sua trajetória, uma história de vida, com partes tristes e alegres, com desafios e superação, assim como é conosco”, explica o educador ambiental Luiz Henrique da Silva. Confira:

Diogo – onça-pintada

Quando era só um filhote, Diogo foi levado para uma casa no Amazonas para ser criado dentro de casa, como se fosse um gatinho. Passava a maior parte do dia dentro de uma caixa, longe de qualquer outro animal de sua espécie. A oncinha começou a crescer e, o que era inevitável, ficou cada vez mais difícil segura-lo. Seu dono teve então de render-se ao fato de que não podia criar um animal selvagem, tampouco naquelas condições. Foi quando ele decidiu contatar o Ibama para que achassem um espaço adequado para o bicho. Do norte do País, Diogo foi de avião até Brasília e de lá seguiu para o Mato Grosso do Sul, cercado de veterinários prestativos, como uma celebridade, onde por fim foi acolhido na Green Farm. Hoje Diogo continua sob a vigilância de profissionais e, infelizmente, não poderá retornar à natureza, pois tem poucas chances de se adaptar à vida selvagem. Contudo, Diogo põe suas garras em ação freqüentemente para caçar peixes que seus cuidadores colocam em sua piscina particular.


Foto: Luiz Henrique Elias da Silva/GreenFarm

Chico – macaco-prego

Os detalhes da história do macaco Chico estão guardados sob sigilo da polícia ambiental. Provavelmente capturado na natureza ou comprado no tráfico, o fato é que esse animalzinho sofreu muito nas mãos de seu dono. Os constantes maus-tratos resultaram na denúncia que libertou Chico, que foi então cuidado por especialistas. Seu bracinho esquerdo estava tão machucado pelas agressões que foi necessário amputa-lo. Apesar das dificuldades, Chico está adaptado à nova vida, ao lado de outros macacos, sendo, de longe, um dos bichos mais simpáticos da fazenda.


Foto: Luiz Henrique Elias da Silva/GreenFarm

Bira – veado-catingueiro

Hoje ele ainda é só uma criança, mas já passou por muita coisa. Bira é de uma espécie presente em boa parte do Brasil, o Mazama gouazoubira, popularmente conhecido como veado-catingueiro. Filhote, ele perdeu a mãe e o resto da família, provavelmente abatidos por outro animal ou por caçadores. Sozinho e errante pela floresta, Bira sofreu mais uma tragédia, quando cruzou a pista e foi atingido por um veículo. Resgatado pela polícia ambiental, recebeu cuidados e, para ter chances de sobreviver, teve de amputar uma das patas traseiras. Hoje, o veadinho está recuperado.


Foto: Luiz Henrique Elias da Silva/GreenFarm

Foguinho – cachorro-do-mato

Apesar de parecer um cachorro, Foguinho não é doméstico. Na natureza, o cachorro-do-mato, chamado também de ‘lobinho’, é oportunista, rouba ovos e come frutas e pequenas carcaças. Foguinho não é diferente: é misterioso e olha para todos com muita atenção. Foi vítima de um outro macho de sua espécie, que o machucou até que não pudesse mais se movimentar direito. Resgatado, passou por uma cirurgia reparadora da bacia na Universidade Estadual de Maringá e também por sessões de fisioterapia. Foguinho não poderá voltar à natureza devido aos problemas restantes de locomoção, pois teria muita dificuldade para conseguir alimento sozinho e seria presa fácil de outros bichos.


Foto: Luiz Henrique Elias da Silva/GreenFarm

Romeu e Julieta – onças-pardas

Romeu e Julieta são, como na literatura, dois apaixonados com uma história cheia de dificuldades. Mas, ao contrário da peça de Shakespeare, há um final feliz para essas duas onças pardas. Julieta foi a única sobrevivente de um incêndio em um canavial que dizimou seus pais e seus irmãos. As marcas da tragédia estão até hoje nela, uma fêmea grande e forte. Romeu também perdeu a família e foi encontrado sozinho, pequeno, com poucas chances de sobrevivência. Luciana Mammana, diretora de marketing da Green Farm, que acompanha o caso dos dois desde o começo comemora: “a história deles começou de forma muito triste, mas hoje eles são felizes; ele é um príncipe e ela uma dama, que vivem numa verdadeira suíte”, brinca.


Foto: Luiz Henrique Elias da Silva/GreenFarm

Luciana Mammana conta que, na Green Farm, as histórias de vida dos animais se confundem com as das pessoas. Muitos dos tratadores e demais funcionários estão lá há muito tempo, herdando funções e aprendizados de seus pais e até avós. O ciclo da vida acontece na sua forma mais plena. “Quem gosta de animal de verdade gosta de gente também. É completamente justo nos manifestarmos contra os maus-tratos aos animais, mas sem perder a atenção sobre nossa própria gente”, conclui Luciana.



Fonte: CicloVivo - André Cordeiro



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