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Conheça os dez animais mais ameaçados de extinção pelo apetite humano

Compartilhe:     |  7 de abril de 2019

Vítimas de caçadores movidos pela demanda do tráfico internacional, seja por status, decoração ou alimentação, e da extensão de algumas atividades humanas, como enredamentos, tráfego intenso fluvial e perda de habitat, aqui estão alguns dos animais que mais correm risco de extinção.

Se há um único prato que simboliza a disposição dos humanos em comer outros animais, fora da existência, é a espécie de ave conhecida como Sombria (Emberiza hortulana).

Tradicionalmente, esse pássaro canoro pequenino, valorizado desde os tempos romanos, é devorado inteiro, em uma só mordida, com a cabeça escondida debaixo de um guardanapo para ocultar a vergonha em cometer o ato brutal. Embora, afogada em tempero e frita, essa “delicadeza” não passa de um crime contra a natureza.

Na França, onde a caça de sombrias foi banida desde 1999, 30 mil aves ainda são capturadas a cada ano, segundo o RSPB; eles chegam a custar 150 euros cada. Apesar dos esforços de conservação, o número de sombrias caiu 84% entre 1980 e 2012.

No entanto, a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) lista a ave como “uma espécie de menor preocupação”. Existem muitos animais que estão em perigo muito maior, de acordo com o Prof. David Macdonald da Universidade de Oxford, que relatou em 2016 que os nossos hábitos culinários ameaçam 301 espécies de mamíferos terrestres com extinção.

Aqui estão 10 das criaturas que estão em maior risco de extinção, com base no estudo do professor Macdonald, com base em informações da Marine Conservation Society (MCS), lista vermelha da IUCN de espécies ameaçadas e do programa de conservação Edge of Existence da Zoological Society of London (ZSL).

Salamandra gigante chinesa

Antigamente encontrada no centro, no sudoeste e no sul da China, o maior anfíbio do mundo teve uma queda em sua população de 80% desde 1960, de acordo com Olivia Couchman, da ZSL.

Apesar de estar protegida sob o apêndice Cites I (o mais alto nível de proteção dado pela Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas de Fauna e Flora Silvestres), os espécimes supostamente chegam a valer mais de 1.500 dólares no mercado paralelo, onde são valorizados tanto quanto iguaria gastronômica quanto pelas suas propriedades medicinais (crenças da medicina chinesa).

Em 2015, o Washington Post noticiou que repórteres disfarçados de um jornal chinês, haviam flagrado 14 policiais comendo a salamandra durante um jantar em um restaurante de frutos do mar em Shenzen (China).

Esturjão beluga

Esses peixes antigos e gigantescos (que podem chegar a pesar até uma tonelada e meia) podiam ser encontrados desde a Rússia central até a Itália e o norte do Irã, mas a intensa pesca realizada tendo a espécie como alvo – impulsionada pela demanda por sua carne e ovas (caviar) – mais o efeito devastador do tráfego intenso de navios nos rios durante os seus padrões migratórios de desova, reduziram sua presença a apenas dois rios, o Ural e o Danúbio, e as bacias que alimentam, o Cáspio e o Mar Negro, respectivamente.

Como diz Jean-Luc Solandt, do MCS, esta espécie é uma das que “definitivamente pode se tornar extinta em uma geração”. Com o caviar Beluga chegando a valores altíssimos por quilo, é fácil entender por que a superexploração continua sendo um problema. E o beluga não é o único esturjão em apuros: das 27 espécies, a IUCN coloca outras 15 na mesma faixa de criticamente ameaçada.

Pangolim

Desde 2000, acredita-se que mais de um milhão de pangolins, o mamífero selvagem mais traficado do mundo, tenha sido morto por sua carne e osso, e principalmente por suas escamas (usadas na medicina tradicional chinesa).

Quando todas as oito espécies de pangolim entraram para o apêndice I da CITES em 2016, todos na convenção da entidade aplaudiram. No entanto, como ressalta Dan Challender, da Universidade de Oxford, as apreensões alarmantes continuam ocorrendo: 8,3 toneladas de escamas, totalizando 13.800 pangolins, em Hong Kong em janeiro, na interceptação de um embarque da Nigéria destinado ao Vietnã; 30 toneladas de animais vivos e congelados e partes do corpo na Malásia em fevereiro.

Como as espécies asiáticas, particularmente as sunda e as chinesas, não são mais comercialmente viáveis para os traficantes porque restaram tão poucas, a demanda local está sendo suprida pelo comércio intercontinental.

Paul De Ornellas, o principal assessor de vida selvagem do WWF do Reino Unido, descreve isso como “um continente que suga a vida selvagem de outro”.

Tubarão-anjo

O MCS diz que esta espécie está “a um passo da extinção” na natureza. Seu alcance – que até meados do século XX se estendia da Noruega e Irlanda até o Marrocos e o Mar Negro – sofreu uma queda de 80% e foi declarado extinto no Mar do Norte. Este peixe sedentário que fica no fundo do mar é mais ameaçado pela pesca de arrasto que tem como alvo outras espécies, onde ele acaba sendo capturado acidentalmente.

Tartaruga-gigante gigante do Yangtze (Tartaruga do rio Vermelho)

Uma vez encontrada em extensas populações no Vietnã e na China, esta espécie está agora reduzida a apenas quatro indivíduos conhecidos, graças ao apetite local por sua carne e ovos.

Com dois machos em diferentes lagos vietnamitas e o outro par em um programa de reprodução em cativeiro chinês ainda mal sucedido (o macho tem um pênis danificado, de acordo com o New Yorker), Couchman diz que seria surpreendente se a espécie conseguisse sobreviver.

A situação desta tartaruga de água doce remete a da população de tartarugas no geral: depois dos primatas, eles são o segundo animal mais ameaçado dos principais grupos de vertebrados do mundo.

Gorila da planície oriental ou Gorila de Grauer

Encontrado nas montanhas do leste da República Democrática do Congo, no noroeste de Ruanda e no sudoeste de Uganda, este gorila é particularmente vulnerável à caça por sua carne, associada a campos de mineração ilegais.

Enquanto as outras subespécies de gorilas orientais – como o gorila da montanha – são os únicos grandes primatas que tem aumento em seus números, as populações das planícies do leste estão em constante declínio.

Embora a violência na região tenha impossibilitado a contabilidade exata, estima-se que sua população tenha caído 77% em uma única geração, para 3.800 indivíduos, de acordo com a lista da Edge of Existence.

Enguia europeia

Estes misteriosos peixes migram do Atlântico (acredita-se que sejam gerados no Mar dos Sargaços) para águas frescas e costeiras para crescer, depois voltam para o oceano para se reproduzir.

Embora pouco se entenda sobre qualquer processo, as enguias juvenis (chamadas de vidro por sua transparência) e maduras (da cor prata ou amarelas) têm sido excessivamente exploradas, a ponto de os números da espécie terem caído pela metade desde a década de 1960. A exploração excessiva é apenas uma das muitas ameaças que as enguias enfrentam, o MCS pede aos humanos que “evitem comer enguias europeias em qualquer fase do seu ciclo de vida”.

Colobus vermelho

Christoph Schwitzer, da Bristol Zoological Society, diz que este grupo de espécies de macacos – que são atualmente 18 – é um excelente exemplo de grandes primatas sendo caçados até a extinção “porque eles dão uma boa refeição em família”.

Eles são encontrados em toda a África subsaariana, onde a degradação do habitat, a construção de rodovias e a comercialização de carne proveniente da caça, causar com efeitos devastadores aos animais. Uma das espécies, o colobus vermelho de Miss Waldron, já esta extinta, não tendo sido vista em estado selvagem desde 1978, enquanto o mais recentemente descoberto, o colobus vermelho do delta do Níger, está prestes a desaparecer nos próximos cinco anos.

Indri ou babakoto

Os lêmures de Madagascar – entre os quais o indri em preto e branco é o maior – são o grupo de primatas mais ameaçado do mundo: 105 das 111 espécies e subespécies conhecidas da ilha estão ameaçadas de extinção.

Embora a degradação do habitat devido à agricultura de corte e queimadas tenha sido um problema (com hábitos alimentares humanos representando uma ameaça indireta), nos últimos 15 anos foi revelado um aumento alarmante na caça a esse animais por subsistência e comércio (demanda causada por restaurantes locais, segundo Schwitzer.

Essa nova ameaça está ligada à crise política e econômica da ilha. Como Couchman mesmo descreve, “as pessoas estão morrendo de fome”.

Saola

Eles podem parecer antílopes, mas esses grandes mamíferos que habitam a floresta, encontrados nas Montanhas Annamite, ao longo da fronteira entre o Laos e o Vietnã, estão mais relacionados com as populações de bois selvagens e os búfalos.

A ciência ocidental só ficou sabendo de sua existência no início dos anos 90, quando chifres foram encontrados nas casas de caçadores vietnamitas.

Pouco ainda é conhecido sobre eles hoje, incluindo quantos ainda restam. A lista da Edge of Existence diz que pode ser de apenas 30.

Para De Ornellas, o saola está ligado à “síndrome da floresta vazia”, uma preocupação real nesta região do sudeste da Ásia, onde quase todos os grandes animais foram caçados para alimentação local.



Fonte: Anda



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