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Conheça os ingredientes nocivos dos cosméticos e produtos de higiene

Compartilhe:     |  1 de novembro de 2020

Existe uma variedade de ingredientes nocivos à saúde que estão presentes em cosméticosprodutos de higiene e de limpeza pessoal ou de ambientes. Essas substâncias normalmente apresentam nomes muito complicados e que dificultam a memorização, o que torna a tarefa do consumidor ainda mais difícil na hora de conferir os rótulos.

 

Ingredientes nocivos em cosméticos

Triclosan

Esse ingrediente pode ser considerado como um potente bactericida e está presente em sabonetes, pastas de dente e desodorantes. Assim, o uso indiscriminado de itens que possuem triclosan pode desregular o sistema de defesa do corpo humano e reduzir as funções musculares, podendo atingir o coração. Além disso, essa substância causa poluição dos corpos hídricos, afetando a qualidade da água.

Triclocarban

Essa substância tem as mesmas funções do triclosan. Ela pode ser encontrada principalmente em sabonetes, antitranspirantes, desodorantes e cremes para limpeza facial. O problema que envolve o triclocarban está relacionado ao processo de bioacumulação em organismos aquáticos, que faz com que ele esteja presente em diferentes níveis da cadeia alimentar até chegar ao ser humano.

Portanto, a ingestão de triclocarban por humanos é muito provável (devido ao ciclo da cadeia alimentar). Em decorrência desse consumo, estudos mostram que o triclocarban é capaz de desregular a produção de hormônios sexuais e aumentar as chances de aparecimento de câncer de mama e de próstata.

Formaldeído

Esse ingrediente é um composto orgânico volátil (VOC) considerado carcinogênico pela Agência Internacional de Pesquisa sobre Câncer (IARC) e produzido a partir de outra substância muito nociva à saúde. O problema que envolve o formaldeído (formaldehyde – nome que aparece nas embalagens) relaciona-se com a sua alta concentração na atmosfera por emissões antropogênicas e presença em cosméticos, como os esmaltes e produtos para alisamento capilar. Os efeitos na saúde vão desde irritação na garganta, olhos e nariz até câncer de nasofaringe e leucemia.

Liberadores de formaldeído

São substâncias que, em seu processo de fabricação, são contaminadas com formaldeído. O bronopol, diazolidinil uréia, imidazolidinil uréia, quaternium-15 e a DMDM hidantoína liberam constantemente pequenas quantidades de formaldeído, que é muito volátil e facilmente se desprende de produtos, como os sabonetes. Além de liberarem formaldeído, essas substâncias têm função antibacteriana, assim como o triclosan. Desse modo, também podem promover a resistência bacteriana.

Alcatrão de carvão ou alcatrão de hulha

Esssa substância é encontrada principalmente em tinturas permanentes para cabelo, com o nome de alcatrão de carvão. De acordo com um estudo publicado na plataforma PubMed, o alcatrão de hulha está associado ao surgimento de câncer em testes com animais. Esse composto é derivado do processamento do carvão, e nas tinturas auxilia no processo de fixação da cor. O alcatrão de hulha é considerado pela IARC como carcinogênico para os seres humanos (grupo 1)Os hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (PAHs em inglês) podem ser encontrados no alcatrão de hulha – os PAHs estão associados a problemas no coração.

Cocamida DEA

Esse ingrediente é encontrado em produtos de limpeza, como detergentes, e nos cosméticos, como os shampoos. De acordo com a IARC, é possivelmente carcinogênica para os seres humanos. Pode ser absorvida pela pele e acumular-se.

BHA e BHT

BHA (buthylated hydroxyanisole como se apresenta nas embalagens) e o BHT (butylated hydroxytoluene) são encontrados principalmente em batons, sombras para os olhos, desodorantes e antitranspirantes.

Os compostos são previstos pelo Programa Nacional de Toxicologia dos Estados Unidos como razoavelmente carcinogênicos para os seres humanos, baseados em experimentos com animais. Da mesma maneira, a IARC coloca o BHA no grupo 2B como uma substância que possui evidências suficientes quanto a sua carcinogenicidade em animais, e que esses resultados podem ser considerados para seres humanos, porém ainda não é possível afirmar devido à falta de experimentos com humanos.

Chumbo

O chumbo é um metal pesado nocivo aos seres humanos e ao meio ambiente em altas doses. Está presente no ambiente por conta de atividades antropogênicas, especialmente por emissão de fundições e fábricas de baterias. Pode ser encontrado na atmosfera na forma particulada – essas partículas podem ser transportadas por longas distâncias e se acumulam por deposição seca ou úmida em outros locais.

As vias de exposição ao chumbo são oral, inalatória e pelo contato com a pele. Vários produtos utilizam o chumbo em sua composição, como tintas, cigarros, placas de baterias elétricas e acumuladores, vitrificados, esmaltes, vidros e componentes para borracha.

Outras fontes de exposição ao Pb são os cosméticos e produtos de beleza, como tintura para cabelos e batons. No Brasil, esse metal é regulado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e só pode estar presente na tintura capilar com limite de 0,6%.

Fragrâncias

Fragrâncias são substancias encontradas em perfumes, cosméticos e produtos de limpeza que dão o perfume ao produto. Porém, muitas delas não aparecem no rótulo e podem ser nocivas à saúde. Os ftalatos encontrados juntamente com as fragrâncias causam danos ao sistema endócrino. Essas substâncias são chamadas de disruptores endócrinos. Outro estudo mostrou que alguns perfumes podem causar reações alérgicas e dores de cabeças em algumas pessoas.

Parabenos

Também conhecido como parabens (em inglês), os parabenos são produtos químicos muito utilizados em cosméticos pela sua ação antimicrobiana e antifúngica. Segundo o FDA, entre os produtos que podem conter parabenos, estão maquiagens, desodorantes, hidratantes, loções, esmaltes, óleos e loções infantis, produtos para o cabelo, perfumes, tinta para tatuagens e até mesmo cremes de barbear. Também é possível encontrá-los em certos tipos de alimentos e remédios.

O parabeno interfere no sistema endócrino de humanos e animais – ele possui uma atividade estrogênica – por conta disso ele é considerado um disruptor endócrino. Essas substâncias vêm ganhando relevância, pois mesmo em doses pequenas podem causar malefícios à saúde e ao meio ambiente. Vale a pena conferir o rótulo do produto para se certificar da ausência de parabeno na sua fórmula.

Tolueno

Também conhecido como metilbenzeno (toluene ou methylbenzene, em inglês), o tolueno é uma substância volátil de odor característico, inflamável e altamente danoso à saúde se ingerido ou inalado. O sistema respiratório é a principal via de exposição a essa substância, sendo rapidamente conduzida aos pulmões e à corrente sanguínea.

Dependendo da intensidade da exposição, pode ocorrer irritação dos olhos e garganta. Efeitos de intoxicação como cefaleia, confusão e tonturas podem ocorrer se a exposição for longa. Sabe-se ainda que o tolueno é um depressor do sistema nervoso central (SNC), semelhante ao processo que ocorre com a ingestão de álcool.

E, apesar disso, podemos estar em contato com essa substância sem notar.

Vale a pena dar uma conferida nos produtos antes de comprar e verificar se não trazem o tolueno na sua composição. Lembre-se que ele pode estar representado como metilbenzeno ou ainda com seu nome em inglês, mencionado anteriormente.

Oxibenzona

A oxibenzona é um composto orgânico que pode ser encontrado em protetores solares e outros cosméticos que possuem proteção contra raios ultravioletas. A oxybenzone ou benzophenone-3, como é identificada nas embalagens, absorve raios ultravioletas do tipo A (UV-A) e do tipo B (UV-B), que compõem cerca de 95% da radiação UV. Esse tipo de radiação é responsável pelo envelhecimento precoce da pele e pelo bronzeamento rápido, já que penetra nas camadas profundas da pele.

Ácido Bórico

Conhecido também como boric acid (em inglês), o ácido bórico é um ácido fraco comumente utilizado como antisséptico, inseticida e como retardante de chamas. Ele possui fracas ações bacteriostática e fungistática. Em algumas pessoas, o contado com o ácido bórico pode causar reações alérgicas, irritação nos olhos e sistema respiratório.

Em baixas doses, o ácido bórico não oferece risco à saúde. O boro é um elemento encontrado naturalmente na nossa alimentação e necessário para um bom funcionamento do nosso organismo, contudo em doses altas podem causar problemas. De acordo com estudos, altas doses de boro podem levar a quadros de neurotoxidade, além de afetar o sistema reprodutor em animais machos.

Ele pode ser encontrado em antissépticos e adstringentes, esmaltes de unhas, cremes para a pele, algumas tintas, pesticidas, produtos para matar baratas e formigas e alguns itens de uso oftalmológico.

Se você possui algum tipo de alergia a essa substância, fique atento ao rótulo da embalagem para se certificar que não foi empregado o acido bórico na sua composição.

Liberadores de dioxano

Muitos cosméticos, como shampoos, medicamentos e produtos de limpeza, podem conter substâncias que carregam o 1,4-dioxano. São elas: polietilenos glicóis (polyethylene glycols – PEGs), polietilenos (polyethylene), polioxietileno (polyoxyethylene) e ceteareth, sendo que os nomes em inglês são os que aparecem na descrição das embalagens.

1,4-dioxano ou 1,4-dioxane (em inglês) é um composto orgânico volátil (VOC) e pode estar presente em grandes quantidades na água já tratada, causando danos ao fígado e rins, câncer de fígado e câncer na cavidade nasal caso ocorra inalação. O composto é considerado pela IARC como possivelmente carcinogênico para seres humanos. As chamadas dioxinas, referem-se a uma classe de substâncias nas quais também estão relacionadas ao 1,4-dioxano.

Lauril sulfato de sódio

Lauril sulfato de sódio é um tensoativo responsável por retirar oleosidade, produzir espuma e permitir a penetração da água na pele ou nos cabelos. Ele pode ser encontrado em produtos de limpeza e em diversos cosméticos, como shampoos, removedores de maquiagem, sais de banho e pastas de dentes. O lauril sulfato de sódio e o lauril éter sulfato de sódio também conhecidos nas embalagens como sodium lauryl sulfate e sodium lauryl ether sulfate, respectivamente, são nocivos à saúde por desencadearem reações alérgicas. Rumores sobre a possibilidade destes compostos serem carcinogênicos ainda não podem ser confirmados, devido à falta de comprovações científicas.

Palmitato de retinol

Palmitato de retinol ou retinyl palmitate (em inglês) é um derivado do retinol. No organismo humano, o retinol é uma forma da Vitamina A. Esse micronutriente é necessário para um bom funcionamento dos olhos, é essencial para o crescimento e para o desenvolvimento de crianças, também participa na defesa do organismo, ajudando a manter úmidas as mucosas, como o nariz, garganta e boca.

A sua deficiência, além de causar cegueira noturna, isto é, a dificuldade de enxergar bem na penumbra, pode causar alterações na pele, aumento da gravidade de infecções e problemas de crescimento em crianças.

Um estudo indicou que o palmitato de retinol (derivado da vitamina A) contido nos protetores solares pode aumentar a taxa de crescimento do câncer pele. O efeito carcinogênico se deve ao fato do palmitato de retinol formar radicais livres na presença da radiação solar, devido aos raios UVA e UVB – esses radicais acabam comprometendo a estrutura do DNA, podendo levar ao câncer.

Food and Drug Administration (FDA), órgão americano que fiscaliza e autoriza o comércio de alimentos e cosméticos, argumenta que mais estudos são necessários sobre esse tema.

Se tiver qualquer dúvida sobre a segurança de usar algum tipo de protetor solar, consulte um dermatologista e evite marcas que contenham em sua composição o palmitato de retinol e os derivados do retinol.

Ftalatos

Ftalatos são um grupo de compostos químicos utilizados como plastificantes e solventes. Eles estão presentes em cosméticos, vários tipos de plásticos, brinquedos de crianças, capas de chuva, adesivos, esmaltes, perfumes, sabonetes, shampoos e sprays de cabelo.

O contato com os ftalatos pode ocorrer por meio do contato direto ou pelas vias respiratórias. Os efeitos na saúde causados por esse ingrediente envolvem desregulação hormonal e possíveis impactos no sistema reprodutivo. Outros efeitos, como a irritação da pele, foram observados em testes para grandes quantidades de ftalatos.

Testes em animais associaram a presença de ftalatos no organismo ao surgimento de tumores, assim como a proliferação desregulada de organelas chamadas peroxissomos, levando então ao surgimento de câncer. A IARC classifica os ftalatos como possivelmente carcinogênicos para os humanos (grupo 2B).

Vale ressaltar que eles ser encontrados nas embalagens com os nomes: DBP, DEP, fragrancephthalate, DMP, DINP e DEHP.

Flúor

O flúor ou fluorine (em inglês) é um elemento químico encontrado na natureza na forma de fluoreto. Ele está presente na água tratada, em águas naturais e em todos os alimentos que contêm fluoreto, variando as concentrações dependendo do alimento, como por exemplo os vegetais – eles contêm mais fluoreto por absorverem da água e do solo.

Segundo a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), além dos vegetais, os peixes contêm altas concentrações de fluoreto. As pastas de dente, gomas de mascar e medicamentos também possuem fluoreto. Quando o flúor é ingerido, parte dele é absorvida pelos ossos e parte pelos dentes. O sucesso do flúor no passado em controlar cáries na população vem se tornando motivo de preocupação por parte de alguns pesquisadores. O longo período de tempo que as águas de abastecimento público foram e ainda estão sendo fluoretadas pode trazer alguns problemas de saúde na população, principalmente em crianças, onde o excesso de flúor pode causar fluorose dentária.

Ineficiência na hidratação

Um experimento realizado pelo Instituto Nacional de Saúde (INS) dos Estados Unidos comparou a eficiência de utilizar hidratantes à base de plantas e óleos vegetais, como óleo de gérmen de trigo e extrato de Aloe vera. A pesquisa analisou fatores físico-químicos de cada produto e concluiu que as formulações contendo óleo de gérmen de trigo e extrato de Aloe vera produziram maior hidratação da pele em comparação com as formulações que os continham separadamente.

Isso significa que utilizar hidratantes à base de plantas é menos eficiente do que usar óleos vegetais para a hidratação da pele. Dessa maneira, além de conterem substâncias nocivas à saúde em sua composição, os hidratantes químicos não são totalmente eficazes para evitar a perda de água e o ressecamento da pele.



Fonte: Equipe Ecycle



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