Ecologia e Saúde

Conheça os problemas dos cremes e espumas de barbear e as alternativas sustentáveis

Compartilhe:     |  25 de abril de 2015

Óleos vegetais podem ser ótima alternativa

O ato de barbear é um dos mais importantes na rotina de muitos homens. Porém, ele é um processo agressivo à pele, principalmente se realizado de maneira inadequada ou com produtos de má qualidade.

Trata-se de um ritual que vem de muito tempo atrás, mas os métodos utilizados atualmente são completamente diferentes. Hoje em dia, são muito utilizados produtos químicos que servem para facilitar o deslizamento das lâminas, mas em contrapartida, costumam causar alergias ou queimaduras.

O que são as formulações para cremes e espumas de barbear?

Classificados de maneira mais genérica, as formulações para barbear são produtos químicos formadores de espuma baseadas no uso pelo espalhamento no rosto ou área a ser depilada. Normalmente são compostos por óleos que podem ser de origem vegetal ou mineral, e outros lubrificantes, tais como ésteres sintéticos e emolientes, que apenas lubrificam o corte. Podem se apresentar sob a forma de creme, espuma ou gel.

Os principais objetivos desses tipos de produto são:

1. Amaciar a barba, facilitando o deslizamento da lâmina;
2. Lubrificar o corte, permitindo um deslizamento mais suave da lâmina;
3. Umedecer a pele, deixando-a lisa e com bom aspecto;
4. Abrir os poros;

Como se pode notar, todos esses objetivos são cheios de boas intenções, mas a coisa não funciona tão bem assim. Além de irritações e outros problemas mais graves, a sua forma de produção e as embalagens disponibilizadas para o consumidor geram grande impacto ambiental, principalmente os aerossóis (espumas).

Problemas

Para enxergar melhor os problemas relacionados aos cremes de barbear, precisamos entender e ter a visão do processo industrial cosmético como um todo. Ele pode ser basicamente dividido em três etapas: o consumo de recursos, o processamento e a geração de produtos e subprodutos – cada uma dessas etapas gera grandes consequências ao meio ambiente.

Entre os insumos empregados na indústria é possível apontar a água como a principal matéria-prima utilizada no setor. Além do uso na produção dos cosméticos, ela também participa de processos como limpeza e sanitização de equipamentos e tubulações, em sistemas de resfriamento e geração de vapor.

Além da água, há diversos tipos de materiais usados. Há tensoativos, alcoóis, óleos, extratos vegetais, corantes, pigmentos, conservantes e solventes orgânicos.

Também é possível identificar a produção de resíduos e o consumo de energia em todas as etapas da produção. Durante o processo de envase do produto, por exemplo, são gerados resíduos provenientes de restos de embalagens, bem como resíduos e efluentes originados durante a limpeza dos equipamentos.

Já entre os produtos e subprodutos gerados durante a produção se inserem os produtos acabados e suas sobras, como as aparas de extrusão de sabonetes em barra, por exemplo.

Os resíduos gerados na indústria cosmética podem ser divididos em três categorias: resíduos sólidos, gasosos e líquidos.

O maior componente sólido gerado pelo setor são os resíduos de embalagem. A grande variedade de frascos, potes, caixas de papelão, tambores e latas utilizados para o acondicionamento de produtos e matérias-primas podem causar sérios danos ambientais devido ao potencial de contaminação de solos e aquíferos por eles apresentados. Você já se perguntou qual o destino daquele frasco aerossol da sua espuma de barbear que você jogou fora?

Entre os resíduos gasosos, as substâncias odoríferas e os solventes orgânicos voláteis, como o tolueno e alcoóis, são os compostos mais comumente gerados pela indústria cosmética.

Os resíduos líquidos estão relacionados, basicamente, aos processos de limpeza da indústria. Na composição desses efluentes estão os óleos, fosfatos e polifosfatos, despejos amoniacais e os tensoativos, que serão melhor discutidos adiante.

Aerossóis: o que são?

São partículas de um líquido ou um sólido, suspensas em um gás. Seu sistema de embalagem consiste em um recipiente fechado que contém um produto pressurizado por um propelente (gás), que é dispensado para o exterior sob forma de um jato por meio de um conjunto válvula + atuador. O gás permite a expansão de espumas, aumentando o rendimento e facilitando a aplicação de produto. Há muitos produtos que utilizam esse tipo de embalagem, como itens de higiene pessoal, alimentícios, entre outros.

Os gases comumente contidos nos aerossóis têm alguns problemas sérios:

• CFC (de CloroFluoroCarbono, Dicloro e Triclorofluoroetano; comercializados sob as marcas registradas FREON e FRIGEN)

1974: Teoria de Rowland-Molina de que os radicais clorados atacam e destroem a camada de ozônio que protege o planeta da radiação UV.

1985: Medição britânica no Polo Sul determina o tamanho do “buraco” na camada de ozônio.

1987: Protocolo de Montreal (internacional) determina a suspensão gradativa da produção de CFCs e sua substituição. Determina também a total descontinuação da produção de compostos que podem agredir a camada de ozônio até 2030.

1995: Resolução CONAMA (Brasil) – Proibido o uso de CFC em aerossol, no território nacional.

• VOC (do inglês Volatile Organic Compounds)

São os chamados Compostos Orgânicos Voláteis. Trata-se de uma das substâncias mais tóxicas presentes em diversos tipos de materiais sintéticos ou naturais de nosso cotidiano. Caracterizam-se por possuírem alta pressão de vapor, o que faz com que se transformem em gás ao entrar em contato com a atmosfera através de um processo conhecido como fotorreação.

Há tendência de regulamentação para diminuição da presença de solventes orgânicos (inclusive butano/propano), nas formulações de aerossóis, com aumento substancial do uso de água e propelentes alternativos miscíveis nestas condições.

• PROCs (do inglês Photochemically Reactive Organic Compounds)

São os compostos orgânicos reativos fotoquimicamente; gerando “pocp: photochemical ozone creation potencial”. Há a preocupação de que podem ocasionar um incremento na concentração de ozônio, na troposfera e aumentar o “smog” fotoquímico, um tipo de poluição que é desencadeada pela luz solar e que gera ozônio como produto, impactando sobretudo no aquecimento global.

Problemas dos tensoativos

Tensoativos ou surfactantes são moléculas que apresentam tanto uma porção apolar quanto uma porção polar e que provocam grandes danos ecológicos, principalmente em ambientes aquáticos já que são resistentes à biodegradação. Devido à porção lipofílica (apolar), esses compostos são capazes de interagir com a membrana de bactérias, causando o efeito bactericida, o que prejudica importantes processos biológicos associados ao equilíbrio do ecossistema aquático. O tensoativo também promove alterações na estrutura das mitocôndrias e na fosforilação oxidativa, inibindo a síntese de DNA e modificando a permeabilidade da membrana ao potássio.

Devido às suas propriedades, a produção de tensoativos, bem como o seu uso residencial e industrial, vem aumentando expressivamente. Atualmente, a maior parte dos tensoativos utilizados tem origem sintética, derivados do petróleo e, após o uso, esses surfactantes são, na maioria das vezes, descartados na superfície da água. O acúmulo dessa matéria-prima no ambiente afeta seriamente o ecossistema, causando inclusive toxicidade aos mamíferos e bactérias.

Problema das espumas

A espuma formada em rios pela presença dos tensoativos é um fato preocupante. Através dela, poluentes tóxicos, impurezas e vírus são disseminados pelo vento a grandes distâncias. Além disso, ocorre a formação de uma película isolante na superfície da água, diminuindo a troca gasosa com a atmosfera e interferindo na qualidade da água.

Alternativa sustentável

Diante da gravidade de todos esses problemas, a busca por processos e produtos alternativos é de extrema importância. Atualmente uma prática adotada por algumas pessoas tem apontado como excelente alternativa aos cremes ou espumas de barbear: trata-se do uso dos óleos vegetais, tais como o de semente de uva, por exemplo, entre tantos outros. Quando usado durante a sauna ou sob o vapor d’água do chuveiro, por exemplo, seu efeito é potencializado, já que com a abertura dos poros ocasionada pelo calor, o óleo é capaz de penetrar na pele e nutri-la com suas vitaminas e outros diversos componentes benéficos.

Eles possuem a vantagem de proporcionar um verdadeiro tratamento de beleza, além de ótimos resultados quando utilizados como pré-barba. Mas é preciso estar atento se o seu processo de obtenção é por meio da prensagem a frio, como relatado aqui, e livre de parabenos. Saiba onde comprar óleos vegetais obtidos por esse método mais natural aqui.

Dessa forma, você consegue manter sua rotina diária de cuidados com a pele durante o processo de barbear de forma sustentável e menos agressiva ao seu próprio corpo e ao meio ambiente.

Fonte: Equipe Ecycle



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