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Contato de peixes com compostos tóxicos de óleo no Nordeste é inevitável

Compartilhe:     |  11 de novembro de 2019

Durante uma live no Facebook, em 30 de outubro, o secretário de Pesca e Aquicultura do Ministério da Agricultura, Jorge Seif Junior, ao lado do presidente Jair Bolsonaro, afirmou que os pescados do litoral nordestino atingido pelas manchas de óleo, estão 100% avaliados pelo Serviço de Inspeção Federal e podem ser consumidos normalmente. “Pode consumir pescado. O peixe é um bicho inteligente. Quando ele vê uma mancha de óleo, foge. Tem medo. Você pode consumir seu peixinho, sem problema nenhum. Tudo perfeitamente sano”, disse Seif, acrescentando que não foi identificada nenhuma anormalidade ou contaminação por óleo e a pesca não está sendo proibida no litoral nordestino.A ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, em entrevista à Globo Rural, reforçou que as análises feitas nos peixes não indicava contaminantes.

Em entrevista à Revista Globo Rural, a presidente da Sociedade Brasileira de Ictiologia (SBI), Maria Elina Bichuette, explicou que a fala do secretário pode ter sido precipitada. Segundo ela, “estes animais podem perceber o ambiente utilizando diversas modalidades sensoriais e percebem cheiros, vibrações na água, luz, gosto, mas deve-se considerar que as manchas de óleo possuem uma série de compostos que estão dissolvidos na água, e o contato é inevitável”.

“É urgente um monitoramento detalhado em diversas regiões na costa brasileira, inclusive aquelas ainda não afetadas, para se ter até um controle e material para comparação””

Maria Elina Bichuette, da SBI

Segundo o secretário, o Ministério da Saúde não detectou pescados contaminados pelo óleo, liberou o consumo em todas as regiões litorâneas atingidas e afirmou que estão 100% avaliados pelo Ministério da Agricultura. No entanto, Maria Elina afirma que deve ser feito uma vigilância contínua para verificar a possibilidade de liberação da pesca e de que maneira ela deve ser realizada. “É urgente um monitoramento detalhado em diversas regiões na costa brasileira, inclusive aquelas ainda não afetadas, para se ter até um controle e material para comparação”.

Os pescados podem se contaminar não só a partir do contato direto, mas também por estar no ambiente manchado pelo óleo. “Os hidrocarbonetos estão dissolvidos na água e podem ser absorvidos inclusive pelas brânquias e outras superfícies do corpo dos peixes, além da ingestão direta e indireta por estes”.

Ela complementa explicando que muitas espécies filtradoras, como mariscos ou aqueles que se alimentam de detritos como camarões, também estão em contato com as mantas de óleo. “Tais compostos estão também em contato com vários animais invertebrados marinhos que são a base alimentar de inúmeras espécies de peixes, além de humana. Ou seja, nesta cadeia trófica, o contato com estes compostos é inevitável tanto para os peixes quanto para nós”.



Fonte: Revista Globo Rural



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