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Cooperativa de reciclagem feita por mulheres na PB conscientiza moradores para coleta seletiva

Compartilhe:     |  9 de junho de 2019

Uma cooperativa de reciclagem feita por mulheres tem ajudado na preservação do meio ambiente, em Campina Grande. De segunda a sexta-feira, o grupo formado por 16 catadoras visita os bairros da cidade, de casa em casa, para recolher o lixo separado pelos moradores. A ideia é fazer uma coleta seletiva, que conscientiza os moradores a separarem o lixo que poderá ser reciclado. Nesta quarta-feira, 5 de junho, é comemorado o Dia Mundial do Meio Ambiente.

O trabalho começa cedo. As mulheres se reúnem por volta das 6h na Cooperativa Catamais, no bairro Acácio Figueiredo, preparam o café coletivo e, em seguida, vão para as ruas. Para o trabalho, o grupo é dividido. Uma equipe vai para as ruas fazer a coleta e a outra fica na cooperativa realizando a triagem do material coletado nos dias anteriores.

“A gente tá cuidando do meio ambiente, que tá muito poluído e, com esse trabalho, a gente percebe que dá pra abraçar a cidade e colaborar pra um lugar mais limpo e consciente”, diz a catadora Lourdes Bezerra, representante da Catamais.

Cooperativa de reciclagem feita por mulheres conscientiza moradores para coleta seletiva

Cooperativa de reciclagem feita por mulheres conscientiza moradores para coleta seletiva

É por volta das 8h que as mulheres entram no caminhão da coleta seletiva, veículo que pertence à prefeitura. A coleta acontece em diversos bairros da cidade e alguns dos moradores, que colaboram com o trabalho, já aguardam as catadoras com todo o material separado.

“Todo mundo já separa o material e guarda pra entregar pra gente, são coisas que a gente pode reutilizar ou colocar na prensa pra vender depois. Quando tem muita coisa, alguns até ligam pra gente vir buscar”, conta Marinalva França, de 38 anos.

O trabalho das catadores é complementar ao trabalho realizado pelo serviço de coleta de lixo do município. “O nosso trabalho não é de pegar o lixo que está na rua não, a gente coleta o lixo separado pelos próprios moradores, coisa que a gente possa reutilizar ou não”, explica Lourdes Bezerra.

Catadoras entram nas residências para fazer a coleta do material que será reciclado, em Campina Grande — Foto: Érica Ribeiro/G1

Catadoras entram nas residências para fazer a coleta do material que será reciclado, em Campina Grande — Foto: Érica Ribeiro/G1

Para os moradores, o trabalho das mulheres da Catamais é fundamental para a conscientização da população sobre o meio ambiente. Carla de Souza, moradora do bairro Pedregal, conta que todo mundo da comunidade já conhece o trabalho das mulheres do Catamais. “A gente já separa tudo pra elas, porque elas sempre passam aqui pra buscar e, assim, elas contribuem pro meio ambiente e também abre o olho da gente pra questão da conscientização”, diz.

“Esse trabalho das meninas ajuda tanto na renda mensal delas, quanto na preservação e colaboração para a limpeza do meio ambiente, além de que elas fazem outras pessoas contribuírem com isso”, diz Carla de Sousa, de 32 anos.

A catadora Marinalva França, que tem cinco filhos e um neto, mora no bairro do Mutirão. Ela relata que, pela manhã, a coleta do material acontece nas residências e hospitais. Depois, por volta de 13h, elas voltam para a sede da Catamais para almoçar.

“A gente volta pra cooperativa de 13h. Aí a gente descarrega todo o material coletado pela manhã e já volta à tarde pra rua de novo, só que agora pra pegar o material nas empresas”, destaca. No fim da tarde, as catadoras retornam para a cooperativa e retiram o material coletado novamente. A triagem do material é feita no dia seguinte pela equipe de mulheres que fica na cooperativa.

Coleta acontece nas residências e empresas de Campina Grande — Foto: Érica Ribeiro/G1

Coleta acontece nas residências e empresas de Campina Grande — Foto: Érica Ribeiro/G1

Mudança de vida após cooperativa

Maria de Fátima, de 40 anos, é uma das mulheres que trabalham na cooperativa Catamais, há cinco anos. Ela conta que, antes de integrar a equipe, trabalhava no antigo lixão da cidade, na Alça Sudoeste. “Antes a renda era maior, sabe, só que a gente corria muito risco de doenças, infecção, essas coisas, e hoje não, hoje a gente pega um material mais limpo, separado, então o trabalho é muito melhor pra gente”, relata a catadora.

A cooperativa Catamais foi criada na cidade pela prefeitura desde 2008. A filha de Maria de Fátima, Flávia Thaísa, entrou na cooperativa antes da mãe. Ao contrário dela, que mora no mesmo bairro onde está localizada a cooperativa, as outras integrantes da equipe são de bairros diferentes da cidade, a maioria delas sai todos os dias de bairros diferentes para ajudar no trabalho.

“Quase todo mundo aqui mora lá no bairro do Mutirão, que é bem longe da cooperativa. Do dinheiro da coleta a gente paga R$ 100 para o motorista de uma van trazer a gente de lá pra cá, de segunda a sexta-feira. Pra gente é caro, mas vale a pena, porque esse trabalho é muito melhor do que o de antes, que a gente fazia no lixão”, conta Marinalva França.

Catadoras durante coleta no Hospital da Criança e do Adolescente, em Campina Grande — Foto: Érica Ribeiro/G1

Catadoras durante coleta no Hospital da Criança e do Adolescente, em Campina Grande — Foto: Érica Ribeiro/G1

Renda mensal a partir da cooperativa

Maria de Fátima revela que a renda mensal através da coleta é dividida entre todas as mulheres da cooperativa. “Aqui a gente junta tudo no final do mês, vende e o que conseguir divide igual pra todo mundo. Já teve mês da gente tirar até R$ 350 pra cada uma, tem mês que é melhor, uns R$ 450, isso quando tira as despesas da cooperativa também”, explica.

A mais nova das catadoras da Catamais, Michele Chaves, de 20 anos, é casada e tem dois filhos. Ela conta que para sustentar a casa, conta com o dinheiro do Bolsa Família, programa do Governo Federal, e com a renda do trabalho da coleta.

Catadoras organizam o material recolhidos nas casas em caminhão da Prefeitura de Campina Grande — Foto: Érica Ribeiro/G1

Catadoras organizam o material recolhidos nas casas em caminhão da Prefeitura de Campina Grande — Foto: Érica Ribeiro/G1

Auxílio da tecnologia

As catadoras do Catamais hoje estão cadastradas em um aplicativo de coleta de lixo, o Cataki, criado em 2012 pela organização não governamental Pimp My Carroça. A iniciativa de cadastro dos trabalhadores das cooperativas de Campina Grande é um parceria da Universidade Estadual da Paraíba com a organização.

O uso da plataforma pelos catadores na cidade está em fase de experimentação. Segundo Marinalva França, a ideia de usar o aplicativo é importante porque facilita a comunicação entre os catadores e os moradores. “Assim a gente pode saber exatamente onde o material está, como chegarmos mais rápido, mas ainda estamos aprendendo a utilizar e tem algumas meninas que também não tem celular pra isso”, explica.

Catadoras do Catamais, em Campina Grande, estão cadastradas em um aplicativo de coleta de lixo — Foto: Cataki/Reprodução

Catadoras do Catamais, em Campina Grande, estão cadastradas em um aplicativo de coleta de lixo — Foto: Cataki/Reprodução

Cooperativa em parceria com a UEPB

As mulheres da Cooperativa Catamais também contribuem para um projeto da Universidade Estadual da Paraíba em parceria com escolas estaduais de Campina Grande, voltado aos estudantes e moradores sobre a conscientização e prevenção de doenças transmitidas por mosquitos.

De acordo com a professora Silvana Santos, coordenadora do “ZikaMob”, o projeto visa a mudança de comportamento para redução de criadouros e mosquitos transmissores de doenças como a dengue, zika e chikungunya, através de ações de separação do lixo e cuidados domiciliares.

“O projeto é um aplicativo criado pela UEPB, lançado em 2017, fruto de uma parceria entre as escolas estaduais de Campina Grande com pesquisadores da UEPB, Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e Universidade Wolverhampton, na Inglaterra”, explica Silvana Santos.

Ainda conforme a professora, durante a mobilização, as catadoras do Catamais irão participar do projeto como forma de incentivo aos moradores e outros catadores da cidade para aderirem à causa e também conheceram o aplicativo de coleta Cataki.

A ideia do projeto ZikaMob é incentivar os estudantes a realizarem essas ações de prevenção e documentarem todas as mobilizações, para, em julho deste ano, as escolas com os melhores resultados serem premiadas pela iniciativa.

Motorista e catadoras com estudante do projeto "ZikaMob", da Universidade Estadual da Paraíba — Foto: Érica Ribeiro/G1

Motorista e catadoras com estudante do projeto “ZikaMob”, da Universidade Estadual da Paraíba — Foto: Érica Ribeiro/G1

Coleta no São João de Campina Grande

Há três anos as catadoras também fazem o trabalho de coleta durante o São João de Campina Grande. O projeto “Recicla São João” acontece no Parque do Povo, durante os 31 dias de festa junina. Para este ano, uma equipe de 6 mulheres estará no local fazendo a coleta do material que será reciclado na cooperativa.

“É importante a gente ter uma equipe trabalhando durante o São João da cidade também, lá no local da festa. Pra isso a gente tem uma equipe de seis catadoras que vai ficar esse mês de junho inteiro trabalhando só na coleta lá do Parque do Povo”, frisa Lourdes Bezerra.

Catadoras recolhem material reciclável em casas e empresas de Campina Grande — Foto: Érica Ribeiro/G1

Catadoras recolhem material reciclável em casas e empresas de Campina Grande — Foto: Érica Ribeiro/G1



Fonte: G1 PB - Érica Ribeiro



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