Dicas Ecológicas

Copos descartáveis e reutilizáveis: vantagens e desvantagens para saúde e meio ambiente

Compartilhe:     |  11 de julho de 2015

O uso de copos descartáveis pode fazer mal à saúde de quem usa e problemas para o meio ambiente

Muito usado no Brasil na hora de tomar café ou água, o copinho descartável por vezes se apresenta como sinônimo de economia, rapidez e até de sustentabilidade, sobretudo durante épocas de estiagem em que a economia de água é imperativa. O problema é que os copos descartáveis não são a melhor opção do ponto de vista ambiental. Em relação ao plástico, por exemplo, trata-se do resíduo sólido urbano menos reciclado no mundo. O Brasil produz, anualmente, 96 mil toneladas de copos plásticos e o descarte é feito, em grande medida, de maneira inadequada.

O modelo plástico é praticamente sinônimo de copo descartável, mas existem também, com uma relevância bem menor em volume, os copos de papel de isopor – a questão é que todos apresentam potenciais problemas. Quando a avaliação do ciclo de vida dos copos descartáveis é feita, ficam visíveis as diversas desvantagens, como os altos gastos com energia, água e carbono em seus processos de produção, distribuição e descarte. Abaixo, damos informações sobre os copos mais usados e seus problemas, assim como alternativas para ajudar a amenizar o problema. Confira.

Materiais

• Plástico

Provenientes da destilação do petróleo, os copos descartáveis plásticos são feitos a partir do componente mais leve, a nafta, que é transportado em formato de grãos para as indústrias. A pegada ambiental do produto começa nesse momento, com o carbono sendo liberado durante a destilação do petróleo; em seguida, entram para a conta a água, a eletricidade e o carbono liberado no processo de produção; o transporte; e o tempo de vida útil. A fabricação de copos de plásticos provoca a emissão de CO2 e de outros gases responsáveis pelo aquecimento global (para conhecer os poluentes emitidos na atmosfera e como neutralizá-los, clique aqui).E não há apenas essas questões em jogo. Uma pesquisa feita pela Instituto de Química da Universidade da Bahia apontou que os copos descartáveis feitos a partir de poliestireno, quando entram em contato com uma substância quente (como café ou chá) liberam uma quantidade acima do considerado seguro de uma substância chamada estireno, conhecido como um possível cancerígeno, capaz de proporcionar outros males, como dores de cabeça, depressão, perda auditiva e problemas neurológicos (veja mais aqui). O poliestireno pode ser reconhecido pelo símbolo triangular de reciclável com o número “6” alocado dentro das letras “PS”. O material também libera uma substância chamada bisfenol-A, ou BPA, e que traz diversos problemas de saúde.

Os componentes envolvidos na produção de copos são muito baratos, o que torna a reciclagem mais cara que a produção de novos itens. Devido ao seu caráter de extremamente leve (as cooperativas pagam os catadores por quilo recebido) e ao fato de ocuparem um volume muito grande para pouco peso, o retorno acaba sendo baixíssimo para catadores, cooperativas e recicladoras. Além disso, é um material que dificilmente chega às cooperativas limpo, o que pode prejudicar a reciclagem. Lavar os itens antes do seu descarte também não é uma solução sustentável, pois, além do gasto de água para sua lavagem, eles perderiam sua principal vantagem de praticidade (para saber mais sobre a reciclagem de copos plásticos, clique aqui).

Outro problema é que o incentivo ao consumo de plástico agrava a poluição dos oceanos, uma vez indevidamente descartados, prejudicam o ambiente aquático e a vida marinha, veja aqui o tamanho do problema. Vale observar que o plástico irá remanescer no ambiente por muitos e muitos anos, levando cerca de 100 anos para sua decomposição.

• Papel

Copos de papel

Pode parecer surpreendente, já que associamos papel com sustentabilidade, mas os muitos copos descartáveis não são feitos de papel reciclado – a maior parte deles é feita de papel virgem. Existem duas razões para isso: uma delas é que, por motivos de higiene, órgãos reguladores não permitem que material reciclado entre em contato direto com comidas e bebidas; a outra é que o papel reciclado não consegue suportar, sozinho, o armazenamento de líquidos.

Durante o processo de fabricação, os copos usualmente são revestidos com uma resina plástica chamada polietileno. Esse policarbonato ajuda a manter as bebidas aquecidas e impede que o papel absorva líquidos ou que eles vazem. Essa resina plástica, no entanto, torna complexo o processo de reciclagem do copo. Ou seja, cada copo de papel que possui essa resina terá seu destino, na melhor das hipóteses, em aterros sanitários, onde se decomporá, liberando metano, um gás que contribui para o desequilíbrio do efeito estufa.

O processo de produção de copos de papel requer a extração de árvores para a obtenção de madeira e o uso de máquinas que transformam a madeira em lascas que depois serão processadas para se transformarem em papel, em um processo que requer muita energia, água e uma matéria-prima em perigo e cuja extração, caso não certificada, traz graves consequências (como desertificação, perda de biodiversidade da fauna e flora, aumento do efeito estufa e aterramento de rios e lagos). Cumpre observar que a produção mundial de papel tem como matéria-prima original, em grande medida, madeiras não oriundas de florestas certificadas (reflorestamento) ou de reciclagem.

Copos de papel biodegradáveis e compostáveis crescentemente se apresentam como uma alternativa interessante para as situações em que uma solução descartável seja a única opção. Vale ressaltar, no entanto, a ainda baixa escala e o fato de que para que sejam efetivamente compostados, estes devem ser processados em uma instalação de compostagem comercial, realidade ainda distante no mercado nacional. Àqueles que perguntam se estes copos poderiam ser decompostos em composteiras domésticas, a resposta infelizmente é não. E, para piorar, eles devem ser separados anteriormente, já que não existe uma dica visual que diferencia copos descartáveis compostáveis dos não compostáveis, o que significa, na prática, que ambos devem por enquanto ter como destino os aterros sanitários.

• Isopor

Copo de isopor

(Crédito: Flickr)

De acordo com um estudo realizado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), anualmente são consumidos cerca de 2,5 milhões de toneladas de isopor em todo o mundo. No Brasil, o consumo é de 36,6 mil toneladas, cerca de 1,5% do total.

O isopor possui problemas parecidos com os do plástico, em grande parte devido à origem em comum, já que ambos são derivados do petróleo. No caso do isopor, que é feito de poliestireno, ele ganhou popularidade por sua leveza, isolamento térmico e acolchoamento, sendo muito usado na indústria de alimentos e serviços.

O impacto ambiental do isopor é alto apesar de sua reciclabilidade. Basicamente, ele apresenta o mesmo problema de reciclagem que os copos plásticos tradicionais, ou seja, por ser leve, é necessária uma quantidade grande do material, o que, consequentemente, faz o volume ser maior. Com isso, os coletores de materiais recicláveis o evitam e preferem outros que trazem mais retorno. Pode ser lavado e reutilizado, mas infelizmente, na prática, isso dificilmente acontece.

Não é biodegradável, é resistente à fotólise, ou à quebra dos materiais por fótons (ação da luz). Tudo isto combinado à leveza e à capacidade de flutuar faz com que grande quantidades de isopor se acumulem nas costas e nos mares do mundo (para saber mais sobre a poluição dos nossos oceanos clique aqui).

Por possuir estireno, apresenta os mesmos riscos do plástico, como irritação na pele, olhos ou trato respiratório, e a exposição crônica pode levar efeitos no sistema nervoso, como depressão, dor de cabeça, fadiga e fraqueza.

Ao contrário dos copos de papel, os de isopor não são biodegradáveis e permanecerão intactos em aterros sanitários durante centenas de anos.

Mas o que fazer?

Não há motivo para o pânico, pois existem alternativas. Para muitos especialistas, a solução passa pelos reutilizáveis. Ao fazer a escolha de reutilizar algo, você está ativamente diminuindo sua pegada ambiental e deixando de incentivar o ciclo de consumo que faz tão mal ao ambiente (veja aqui dicas para reciclar, reutilizar ou doar itens de consumo).

Geralmente, a fabricação de reutilizáveis pode gerar impacto ambiental superior ao dos copos de papel, por exemplo. No entanto, o impacto diminui com o tempo em que o copo é reutilizado. Todo reutilizável tem um ponto em que se torna mais ambientalmente amigável que o descartável. Um estudo feito pelo engenheiro ambiental Pablo Paster mostra que, após 24 usos, uma caneca de aço inoxidável quita sua pegada com relação aos copos de papel.

Além disso, a reutilização de copos e canecas ajuda o bolso, tanto do consumidor quanto do negócio. Segundo um estudo feito pela cafeteria americana Starbucks, a empresa conseguiu economizar um milhão de dólares por ano ao implementar os reutilizáveis. Veja a seguir um leque de alternativas, suas vantagens e desvantagens, vamos aos modelos:

• Plástico

As garrafas plásticas reutilizáveis possuem muitas vantagens como seu baixo preço, leveza e facilidade na hora de lavar; e têm uma pegada ambiental menor com relação aos copinhos descartáveis, porém, alguns modelos ainda levam BPA em sua composição e podem liberar toxinas durante o uso (clique aqui para saber mais sobre os perigos de usar garrafinha de água e aqui para saber mais sobre o BPA).

A garrafa de plástico não é a melhor opção dentre os reutilizáveis, mas se decidir comprar uma, certifique-se de ser uma livre de BPA (ou BPA-free).

E como o copo plástico, existe o problema da reciclagem da garrafa, que muitas vezes é feita de maneira errada (para saber mais sobre a reciclagem dos plásticos, clique aqui).

• Alumínio

Esse tipo de garrafa não enfrenta os mesmos problemas do plástico quando o assunto é descarte, já que o alumínio é reciclado em larga escala no Brasil e suas garrafas são 100% recicláveis. Outra vantagem é a leveza, o que faz com que essa seja também uma opção mais prática.

Por outro lado, a garrafa não é muito resistente, podendo ser amassada facilmente. Pesquisas mostram que alguns modelos possuem um revestimento interno que pode conter BPA, por isso fique atento a esse fato quando for adquirir esse modelo de garrafa.

Extração de alumínio é um processo que possui um significativo gasto energético, no entanto, grande parte do alumínio usado hoje é reciclado, o que significa uma menor demanda para extração da matéria-prima.

• Aço inoxidável

Mais duráveis, as garrafas de aço inox oferecem diversas vantagens. Não há o risco de intoxicação por compostos químicos, como acontece com os modelos feitos de plástico ou alumínio, é mais higiênica e pode ser lavada na máquina de lavar louça.

Em contrapartida, elas esquentam facilmente, fazendo com que não seja adequada para carregar bebidas geladas. Além disso, são caras e podem amassar se forem derrubadas.

• Cerâmica

Copos de cerâmica devem chegar a altíssimas temperaturas para serem feitos, mas podem ser reutilizados milhares de vezes. Podem ser colocados no micro-ondas e no congelador. No entanto, são frágeis e precisam ser manuseados com cuidado para terem uma vida longa. Uma outra desvantagem é que os pedaços de cerâmica têm difícil reciclagem, sendo vistos como uma sucata pouco valorizada – é possível reaproveitar cacos fazendo decoração ou artesanato (veja mais aqui).

• Vidro

E chegamos ao copo reutilizável mais comum. O lado bom é que o vidro não possui nenhum traço de BPA, estireno ou qualquer outra substância tóxica, é feito a partir de de recursos naturais abundantes, sua produção não tem um gasto enérgico tão grande quanto o do metal e o do plástico, pode ser reciclado infinitamente e mantém o sabor e a temperatura da bebida. Suas únicas desvantagens são a fragilidade e o peso considerável, que acabam afetando na praticidade quando se deseja levar o recipiente para outros lugares (para saber mais sobre os tipos de vidro e sua reciclagem, clique aqui).

• KeepCup Stojo

Não são materiais, e sim produtos que combinam alguns deles. O KeepCup é um copo reutilizável que vem em duas versões, vidro e plástico.

A versão em vidro apresenta quase todos os prós e contras citados no copo de vidro, mas promete ser resistente e utiliza uma tira de cortiça para impedir que você se queime com o calor da bebida.

A versão de plástico é diferente das demais garrafinhas presentes no mercado. O KeepCup é feito a partir de um plástico mais amigável, o polipropileno. Ele é uma a solução plástica livre de BPA e estireno, possui baixo custo, alta resistência, boa estabilidade térmica e, devido à sua flexibilidade, pode ser reciclado e por seu tamanho e apresentação pode ser carregado e manuseado cotidianamente sem maiores dificuldades.

Para ter mais informações a respeito do KeepCup, clique aqui. Se quiser adquiri-lo, clique aqui.

Stojo, antes conhecido como Smash cup (veja mais aqui) é um copo reutilizável retrátil também feito a partir de polipropileno e silicone, como o KeepCup, e está livre de BPA, estireno ou outras toxinas. É prático, resistente e, por ser feito de polipropileno, possuí boa estabilidade térmica.

Copos reutilizáveis como o KeepCup e o Stojo são ideais para utilizar no trabalho, em casa e até nas cafeterias. Basta dar seu copo para o barista e pedir para ele preenchê-lo, economizando copos descartáveis e ajudando o meio ambiente.

No fim das contas, cabe a você pesar os prós e contras de cada material tendo em mente preço, durabilidade e impacto ao meio ambiente.

Para entender um pouco mais sobre os males dos copos descartáveis, dê uma olhada no vídeo abaixo:

Fonte: eCycle



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