Trilhas da Paraíba

Coremas, o oásis paraibano

Compartilhe:     |  28 de março de 2021
A região ocupada hoje pela cidade de Coremas foi habitada em seus primórdios por uma numerosa tribo indígena pertencente a nação Cariri. Eram guerreiros valentes e destemidos e por muito tempo resistiram bravamente a entrada de brancos em seus domínios. O grupo de Oliveira Lêdo, muitas vezes foi rechaçados pelos índios. O Coronel Manuel de Araújo Carvalho sentindo a impossibilidade de dominá-los resolveu mudar de tática. Recebera ordens de Dom João de Alencastro, Governador Geral, para pacificá-los e queria a todo custo cumpri-las. Servindo-se de três índios que foram capturados e dos quais tornaram-se amigos conseguiu avistar-se com o cacique da tribo e negociou uma paz honrosa para ambas as partes. O fato registrou-se fins do século XVII. Daí em diante a região começou a ser habitada pelos fazendeiros colonizadores. Sua Emancipação Política se deu em 30 de dezembro de 1959.
Os principais bairros:
O Centro da cidade (composto de várias ruas, em torno da Igreja Matriz); o Cureminha (próximo ao DNOCS, à margem do rio); o Pombalzinho (conhecido por o local do cemitério e do hospital); o Bela Vista, ex-Galo-Assado ( no local mais elevado da cidade, tendo uma vista panorâmica exuberante); o Cabo Branco, ex- rua da Palha ( na entrada da cidade, é a vila dos pescadores); o DNOCS ( constitue na vila operária, na outra margem do rio).
Outros núcleos de povoamento:
O Mãe d’Água ( é outra vila operária do DNOCS), destaca-se como um local turístico pois lá ocorre o sangramento dos açudes em épocas de enchentes; o Riacho Grande (povoamento a meio caminho para São José da Lagoa Tapada- PB), o Sangradouro ( existência de diversas casas em torno do Campo de Aviação local, é aí o ponto de união dos dois açudes ) e mais, o Riacho Fechado e Riacho de Boi (zona rural do município).
As principais ruas da cidade:
As ruas coremenses não obedecem a um disciplinamento urbanistíco-arquitetônico, geralmente irregulares, com algumas estreitas, infelizmente poucas são arborizadas, ao que parece, não há um ordenamento na ocupação do solo urbano (faltando um adequado código de postura municipal).
As principais ruas são: Getúlio Vargas ( a entrada tradicional da cidade); Manoel Cavalcante, Capitão Antônio Leite, Janduy Carneiro, 04 de Abril, Manoel Ferreira Cavalcante, João Fernandes de Lima, Estevam Marinho (limitando a cidade com o DNOCS), José Peregrino de Araújo, Maria Barbosa, José Roberto Silva, Marlene, Santa Rita, 13 de Maio, José Américo de Almeida, Francisco Severino de Sousa, Francisco Gregório, Valderêdo Romão, Raimundo Luíz, Odilon Moura, João Salviano, Kilmara Ferreira, Avenidas U,R,S (na vila operária do DNOCS), Vitoriano Silva, Manaíra, São José, Antônio Tiburtino e várias outras.
Os principais sítios ou propiedades rurais:
Nosso povo sempre foi ligado ao meio rural ( o campo), já que a própria cidade nasceu dentro de uma propriedade rural, que fora doada à padroeira. Ainda hoje, a população da cidade, tem uma ligação muito forte com as pessoas moradoras dos sítios, ainda porque são donos de terras, ou por morarem alguns dos parentes. Citamos alguns, como: Riacho Grande, Capim Grosso, Riacho Fechado, Madruga, Riacho Seco, Pedra Branca, Pacatônio, Riacho de Boi, Jurema, Barra, Campinada, Diogo, Catolé, Sangradouro, Mãe d’Água, Cachoeirinha, Tabuleiro do Meio, Barro Branco, Estreito, São Sebastião, Pedra Preta, Sabonete, etc.
As principais praças da cidade:
Normalmente nas cidades do interior, muitos dos aspectos da vida urbana giram em torno das famosas praças, como as festas populares, os comícios eleitorais, os namoros juvenis, as fofocas sociais, os debates esportivos, etc. É muito mais importante uma praça na vida de uma cidade do que se imagina.
Temos as seguintes: Praça Félix Rodrigues dos Santos ( 1874-1931) (homenagem ao pai do ex-Prefeito Sr. Otacílio Rodrigues dos Santos); Praça João XXIII – (homenagem ao famoso Papa Católico, 1958-1963) recentemente adotada como Praça Padre Guilherme Touw (1921-1988); Praça Padre Cícero(1844-1934, homenagem ao padre milagreiro do Juazeiro-CE); Praça Cabo Branco (ainda sem homenagem pessoal).
O Açude de Coremas:
Introdução: Em data de 03 de outubro de 1930 (sexta), o Brasil é sacudido pela eclosão da Revolução de 30, que terminou por colocar no poder o gaúcho Dr.Getúlio Dornelles Vargas(1882-1954), em 03 de novembro de 1930 (segunda). Foi um levante militar começado no Rio Grande do Sul, que contou com os apoios da Paraíba e Minas Gerais (Aliança Liberal) o movimento vitorioso governou, por durante longos 15 anos de 03 de novembro de 1930 até 29 de outubro de 1945 (segunda). Portanto toda obra gigantesca do açude de “Curema” (então vila de Piancó-PB), foi construída no período do Presidente Vargas. Fora marcante a presença do grande paraibano, Dr. José Américo de Almeida (1887-1980), no cargo de Ministro da Viação e Obras Públicas, pois o governo Vargas havia estabelecido o “Plano de Ação”, dentre os quais constavam os programas de construções de açudes no nordeste do país, com a finalidade de combater os efeitos dos flagelos das estiagens ( as secas), inicialmente o sertão paraibano não tinha sido contemplado; porém com o prolongamento da seca 1931/32 e a firme decisão do Ministro José Américo de Almeida (1887-1980), fora autorizada a inclusão da Paraíba, com determinação de logo iniciar a construção do açude de Curema, que tinha a grande finalidade de perenizar os rios Piancó e Piranhas, isto nos meados de 1932. O Ministro Paraibano chegou a exercer o cargo simbólico de Governador Provisório do Norte do país, considerado que foi, um dos líderes civil da vitoriosa Revolução de 30, nas regiões Norte/Nordeste.
Antecedentes: No começo do século XX ( durante a década de 10) ocorreu uma preocupação com os aproveitamentos dos acidentes geográficos tipo garganta, ou seja, um boqueirão entre duas serras, para que fosse repressada como açudes públicos, tendo-se manifestado favorávelmente dois ilustres escritores brasileiros, o Sr .Euclides da Cunha falando que é importante o aproveitamento dos boqueirões na obra preventiva contra as secas, notadamente no Nordeste, reafirmou isto depois que viu a face dramática do povo sertanejo, no famoso episódio da “Guerra de Canudos”(1893-1897); o outro foi Sr. Irineu Ceciliano Pereira Jofilly(1843-1902) – escritor paraibano) que dizia que o boqueirão é um local feito pela natureza para uma barragem. Enfim os primeiros estudos realizados em Coremas-PB, para viabilidade do grande açude foram autorizados pelo governo federal em data de 08 de agosto de 1911 (terça), tendo efetivamente iniciado 10 dias depois e com conclusão em data de 30 de novembro de 1912 (sábado), o órgão que era a “Inspetoria de Obras Contra as Secas” (atual DNOCS). Tendo a frente seu diretor, muito competente, o Engenheiro Miguel Arrojado Ribeiro Lisboa (1º Diretor Geral), sendo o Presidente da República, o Marechal Hermes Rodrigues da Fonseca (1910-1914), depois fora os estudos arquivados até idos de 1932, quando o já citado ministro paraibano do Governo Vargas, tirou-os do mundo dos planos e dos projetos. Fazendo aparecer em pleno sertão da Paraíba uma obra admirável da engenharia brasileira.
A Barragem do Açude de Coremas: Foram necessárias quatro barragens para assegurar o imenso volume de água que se pretendia acumular no local, uma barragem principal no boqueirão e outras três auxiliares, em gargantas vizinhas. A data exata do início da construção ocorreu em 08 de abril de 1937 (quinta) e teve a conclusão precisa em 08 de maio de 1942 (sexta). A Barragem principal é de terra zoneada e provida de uma cortina impermeabilizadora de concreto armado, com 0,10 m de espessura na crista e 0,80 m na base, sendo pintadas as suas faces com inertol. Justaposta à cortina vem uma camada de areia grossa de 0,80m da espessura disposta verticalmente ao longo de sua face de jusante. O sistema de drenagem é composto de areia e de um lastro deste mesmo material em que é assente o maciço de terra de jusante da barragem, cuja saia é protegida por “rock-fill” de seção trapezoidal. O maciço de terra é composto a montante da cortina de material selecionado e a jusante da mesma de material de segunda ordem. A extensão pelo coroamento (barragem) tem um espaço de 1550 metros com altura máxima calculada em 50 metros, além de sua largura no coroamento ser de exatos 10 metros.
Observação: Os estudos hidrológicos foram realizados pelo engenheiro Francisco Gonçalves de Aguiar com a precisão que os dados disponíveis na época puderam oferecer. Os dados de chuva foram obtidos por observação direta no período 1910-1940, em quatro postos no interior da bacia hidrográfica dos rios Piancó e Aguiar. As descargas máximas foram calculadas tendo em vista os níveis d’água máximos registrados e as precipitações observadas na bacia hidrográfica em função da maior altura da chuva ocorrida. De posse desses elementos foram calculadas as possibilidades das bacias hidrográficas dos citados rios, resultando para os dois açudes a capacidade total de 1.358.000.000 m³. A barragem de Coremas, ficou assim por alguns anos conhecida até que por ordem do diretor geral do DNOCS, Dr. Elísio Carlos Dale Coutinho (1954-1955) ocorreu a mudança para o nome oficial atual homenageando o seu construtor, o engenheiro Estevam Marinho (na época já falecido) em data de 08/julho de 1955 (sexta).
Os Jovens Engenheiros Idealistas: O açude de Coremas nasceu grande, imponente, considerado como um marco na engenharia nacional e portanto orgulho de toda uma geração de engenheiros brasileiros, muitos trabalharam nas diversas fases da construção, dentre eles destacamos, além do seu engenheiro-chefe Dr. Estevam Marinho (1896-1953), os engenheiros Renê Becker, José Correia de Amorim, Júlio Maranhão Filho, Manoel Santos de Figueira, Vilibaldo Coelho Maia, Egberto Carneiro da Cunha, Ivanildo Marinho Cordeiro Campos, Luciano Reis, Sebastião de Abreu, Otacílio dos Santos Silveira e Mario Brandi Pereira (os dois últimos fundaram o primeiro laboratório de Mecânica dos Solos do Brasil, em Coremas-PB) e finalmente o engenheiro Vitoriano Gonzalez y Gonzalez (espanhol radicado na Bahia) a quem coube concluir a obra da barragem de Mãe D’agua (1957).
A Barragem do Açude Mãe D’água: É do tipo submersível em concreto ciclópico com perfil Creager. No pé da jusante apresenta um dissipador de energia do tipo salto de esqui, que funciona como vertedouro do sistema. A descarga de fundo é formada por dois tubos de aço com diâmetro de 2,10 m e comprimento de 193,83 m alojados numa galeria de concreto armado em forma de arco. Com a barragem principal chegando ao término, teve logo em seguida o início as locações em Mãe D’água, no local conhecido por Riacho Seco (no rio Aguiar), isto em meados de outubro de 1941. Porém as fundações tiveram seu começo em 1943, entretanto a sua definitiva instalação da concretagem foi em data de 10 de novembro de 1948 (quarta) quando ocorreram 72 horas de trabalho sem interrupções, e terminando a solene conclusão,com a última camada de concreto armado, elevada pelo guindaste principal, conduzido na ocasião pelo Sr. Edvaldo Brilhante da Silva (conhecido por “Boinho”) em data exata de 21 de Dezembro de 1957 (sábado). Recentemente, a barragem de Mãe D’água, recebeu o nome do Engº Egberto Carneiro da Cunha, numa justa homenagem (porém poucos tomaram conhecimento até hoje).
As bacias hidrográficas dos açudes Coremas e Mãe D’água são ligadas por um canal vertedor (sangradouro), formando então um conjunto ligado para efeito de sangria, ou seja, um lago único com uma superfície líquida de 9794 hectares, na cota de repleção máxima. Calculou-se a seção do canal de ligação de maneira a dar vazão nas condições mais desfavoráveis de ocorrência, a uma descarga máxima de reforço do Coremas para o Mãe D’água, ou seja, de 12 m³/s. Esta localidade chama-se, atualmente, “Sangradouro” nas próximidades do campo de aviação. Quando encontra-se cheio, todo o sistema Coremas-Mãe D’água durante os bons invernos, como os inesquecíveis anos de 1967 e 1985, a barragem de Mãe D’água vira um lindo ponto turístico da região, uma vez que a queda d’água proporciona um majestoso espetáculo visual, um fator de grande potencialidade turística a ser explorado pelo turismo local, lembrando ainda a existência do túnel ligando as duas serras do boqueirão, dentro da própria barragem que é oca.
O maior Açude do Brasil: O açude de Coremas-PB foi considerado o maior do Brasil desde seu término em 1943 até a inauguração do açude de Orós-CE em 1960, esta outra barragem gigante recebeu o nome do Pres. Juscelino Kubistchek de Oliveira(1902-1976), e a sua capacidade é de 2.100.000.000 m³.Porém em 1983, foi inaugurado o maior de todos, o açude de Açu-RN, que recebeu o nome do Engº Armando Ribeiro Gonçalves, a sua capacidade é de 2.400.000.000 m³. As águas do sistema Coremas-Mãe Dágua, desaguam neste, tendo surgido um fato curioso para sua inauguração com a visita do presidente João Batista de Oliveira Figueirêdo (1979-1985), fez-se necessário esvaziar bastante o nosso açude,pois só assim foi possível acumular água no novo açude, que o Regime Militar (1964-1985) construiu como o maior do Brasil, para suplantar o próprio presidente Juscelino (teve seus os direitos políticos cassados), que havia feito o de Orós-CE. O Açude de Coremas-PB, tem sua capacidade de acumulação somada num único sistema integrado em 1.358.000.000 m³, ficando hoje em terceiro lugar, tendo ocupado por longos 18 anos, o posto de maior do Brasil.
O Projeto de Irrigação (Canal Coremas/São Gonçalo): Fazia parte realmente do projeto original, uma vez que o engenheiro Dr. Estevam Marinho (1896-1953) realizou as duas obras, e idealizou um sistema integrado porém entretanto não foi levado a termo e somente hoje (1996) voltou a despertar interesse nos políticos da região, especialmente os das áreas beneficiadas como São Gonçalo – Souza-PB. O último político de peso a encarar seriamente a viabilidade do projeto foi, o recém-falecido, governador Antonio Marques da Silva Mariz (1937-1995), porém seu vice, Dr. José Targino Maranhão encampou de imediato a iniciativa do político souzense. Conforme o projeto atualizado(os primeiros são da década de 40), o canal Coremas/São Gonçalo, constituirá na reversão de nossas águas que saem por Mãe Dágua, para irrigar cerca de 5 mil hectares de várzeas férteis na região polarizada por Souza-PB, a obra prevê a construção de 57 km de extensão de canais, está orçada atualmente em cerca de 58 milhões de Reais do Governo Federal. A obra constará de um canal propriamente dito, várias pontes, alguns túneis, etc. Ao que tudo indica beneficiará plantadores de cereais, hortaliças e ainda frutas tropicais.
Clima da cidade de Coremas:
O nosso clima tem presença marcante do “tropical” com suas características de semi-árido, ou seja, bastante quente e seco, com as temperaturas variando entre a máxima de 34 co e a mínima de 23 co. O tradicional inverno, geralmente começa em fevereiro e termina em junho (ocorrendo as tradicionais chuvas do mês de janeiro). Possuindo assim, duas estações bem definidas:o inverno( irregular) e verão (na maior parte do ano).
As festas tradicionais: A primeira grande festa que se comemora na cidade é o carnaval (normalmente no mês de fevereiro), é uma paixão de todo brasileiro, e não poderia ser diferente aos coremenses (Reinado de Momo). No início, as festividades foram realizadas na pracinha do DNOCS, com grande participação dos funcionários públicos ligados ao açude, e muitas outras pessoas vindas da cidade, principalmente os filhos de famílias influentes, muitos comerciantes, os profissionais liberais, os políticos, etc. Este local foi palco sagrado de inúmeras outras festas durante a década de 50, até os 70 (quando foi inaugurado o clube da cidade – ACRC em 1971). A cidade de Coremas sempre comemorou o carnaval de forma exultante e grandiosa, tanto que hoje é a maior dentre as realizadas no sertão paraibano, e ainda tem muito para crescer, na medida que a cidade toma consciência do imenso potencial turístico a desenvolver, onde todos sairão ganhando dinheiro desta população flutuante em nossas festas, ganhos no comércio local, na rede hoteleira, na prefeitura municipal, etc.


Fonte: Famup - PBNet - Edvaldo Brilhante



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