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Coronasomnia: a pandemia está perturbando nosso sono. E pode afetar a saúde pública

Compartilhe:     |  7 de setembro de 2020

Entre os tantos impactos provocados pelo coronavírus no corpo e vida humanos, alguns se revelam imediatamente, outros só emergem tempos depois. Nesse caso, estão as alterações no sono, que podem atingir a qualquer um de nós, e não fica restrita aos infectados pelo novo coronavírus. Aos distúrbios do sono decorrentes da condição pandêmica, cientistas deram o nome de “coronasomnia”.

Cientistas apontam os distúrbios do sono como um problema inerente à pandemia. Eles afetam populações em todo o mundo e podem levar os sistemas de saúde a uma crise de atendimento (Foto: H. Armstrong Roberts/ClassicStock/Getty Images)
Cientistas apontam os distúrbios do sono como um problema inerente à pandemia. Eles afetam populações em todo o mundo e podem levar os sistemas de saúde a uma crise de atendimento (Foto: H. Armstrong Roberts/ClassicStock/Getty Images)

“A pandemia está arruinando o nosso sono”, afirma a reportagem publicada pelo jornal norte-americano The Washington Post no último 3 de setembro. “A coronasomnia tem profundas ramificações na saúde pública e está criando uma nova população maciça de insones crônicos que lutam com os declínios na produtividade, pavios mais curtos e maiores riscos de hipertensão, depressão e outros problemas de saúde. É fácil ver por que as pessoas não conseguem dormir. A pandemia aumentou o estresse e perturbou as rotinas.”

“A insônia não é um problema benigno. Seu impacto na qualidade de vida é enorme”, diz Charles M. Morin, diretor do Centro de Pesquisa do Sono da Université Laval em Quebec. “Ouvimos muito sobre a importância dos exercícios e de uma boa alimentação, mas o sono é o terceiro pilar de uma saúde sustentável”, continua.

Charles M. Morin lidera um projeto de 15 países para medir o impacto da pandemia no sono das populações. As prescrições de medicamentos para dormir aumentaram 15% entre meados de fevereiro e meados de março nos Estados Unidos, de acordo com a Express Scripts, uma importante gestora de benefícios farmacêuticos. No Centro de Distúrbios do Sono da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), o número de pacientes que reclamam de insônia aumentou de 20 a 30 por cento, sendo que muitos deles são crianças.

Estudos realizado na internet na China, França e Itália encontraram a insônia ou sono insatisfatório em cerca de 20% dos entrevistados, especialmente durante paralisações relacionadas à pandemia – que, escreveram pesquisadores italianos, pareciam fazer as pessoas perderem a noção de dias, semanas e do próprio tempo.

A crise ecônomica já é uma realidade sentida na pele em muitos países. As contas bancárias estão em situação tensa, e as crianças, em casa há meses. A rotina carece de ritmo e interação social. Estamos completamente pobres disso. O quarto, que os especialistas em sono dizem que deveria ser um santuário sem eletrônicos, agora também serve para muitos como um escritório improvisado. As notícias são emocionantes, ruins e desencorajam o sono. O futuro é incerto, o fim da crise indiscernível.

“Pacientes que costumavam ter insônia por causa da ansiedade, estão tendo mais problemas agora. Pacientes que sofriam com pesadelos, têm mais pesadelos agora”, disse ao Alon Avidan, neurologista que dirige o Centro de Distúrbios do Sono da UCLA, ao The Washington Post. “Com a Covid-19, reconhecemos que agora existe uma epidemia de problemas de sono”.

Mesmo antes do coronavírus, a falta de sono era uma crise latente na saúde pública associada a um conjunto de doenças no mundo todo. Aproximadamente 10 a 15 por cento das pessoas em todo o globo sofrem de insônia crônica, a luta para adormecer ou permanecer dormindo, pelo menos três noites por semana durante três meses ou mais.

Crises como desastres naturais ou ataques terroristas são conhecidas por causar insônia em curto prazo. Mas os especialistas dizem que o impacto global sem precedentes da pandemia e sua natureza prolongada ameaçam expandir a taxa de insônia crônica, que é muito mais difícil de tratar.



Fonte: Marie Claire



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