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Coronavírus tem recorde de mortes em um dia, mas registro de novos casos se estabiliza

Compartilhe:     |  10 de fevereiro de 2020

O número de pessoas mortas pelo novo coronavírus aumentou em 97 neste domingo (09/02), o maior número de mortes já registrado em um dia desde o início do surto, em dezembro, na cidade chinesa de Wuhan, capital da Província de Hubei.

O total de mortos na China chegou a 908, mas o número de novas infecções registradas por dia aparentemente se estabilizou.

Na China, 40.171 pessoas foram diagnosticadas com o vírus, e outras 187.518 estão em observação.

Por outro lado, cerca de um terço dos casos confirmados fora do território chinês (menos de 400, ou 1% do total) estão ligados ao cruzeiro Diamond Princess, que está sob quarentena há duas semanas no Japão.

Mais 60 pessoas que estavam a bordo apresentaram sinais de infecção, elevando a cifra para 130 infectados dentre as quase 3.700 pessoas ali dentro. Quem recebe diagnóstico positivo é transferido para algum hospital próximo.

Ao longo do fim de semana, o número de mortes em razão do novo coronavírus ultrapassou o provocado pela Síndrome Respiratória Aguda Grave (Sars), em 2003. Este surto também se originou na China e matou 774 pessoas ao redor do mundo (quase 10% do total de casos registrados de pessoas infectadas).

No sábado, a Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou que o número de novos casos na China estava se “estabilizando”, mas ainda era cedo para afirmar que o surto havia atingido seu pico.

No dia seguinte, a organização enviou uma missão internacional à China para ajudar a coordenar a resposta à doença, dez dias depois de declarar o surto uma “emergência de saúde pública de interesse internacional”.

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou no domingo que a transmissão do vírus entre pessoas que não estiveram na China pode ser apenas “a ponta do iceberg”.

“Têm surgido preocupações sobre a disseminação do vírus por pessoas sem histórico de viagem à China”, escreveu Ghebreyesus no Twitter. “A detecção de um pequeno número de casos pode indicar uma ampla disseminação em outros países.”

Volta à normalidade?

Os primeiros casos foram registrados em dezembro em Wuhan, cidade de 11 milhões de habitantes submetida a quarentena há semanas. Pouca gente consegue entrar e sair dali, e escolas, comércio e sistemas de transporte público estão fechados.

Desde então, o novo coronavírus chegou a outros 27 países e territórios, com duas mortes fora da chamada China continental: uma nas Filipinas e outra em Hong Kong.

Segundo dados oficiais da China, 3.281 pacientes se curaram da doença e receberam alta hospitalar.

Chineses usam material de proteçãoDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionA Organização Mundial da Saúde decretou uma situação de emergência de saúde pública de interesse internacional diante do novo vírus

Nesta segunda-feira (10/02), milhões de pessoas retornaram ao trabalho após as pausas do feriado do Ano Novo Lunar chinês, período que acabaria em 31 de janeiro, mas foi estendido a fim de evitar a disseminação do vírus.

Medidas de precaução ainda estão sendo adotadas, como redução da carga horária e abertura restrita de locais de trabalho.

Projeções indicam piora ou melhora?

Segundo as informações que se tem até o momento, o novo coronavírus mata cerca de 2 a cada 100 pessoas comprovadamente infectadas.

Mas faltam dados confiáveis para projeções mais precisas sobre quantas pessoas ainda devem contrair o vírus e quantas vão morrer. As análises se baseiam, por exemplo, no número de casos e mortes registrados e para quantas pessoas uma pessoa infectada é capaz de transmitir o vírus.

Só que uma das principais características do novo coronavírus é que ele pode ser transmitido ainda durante o período de incubação (entre 1 e 14 dias), quando a pessoa ainda não apresenta sintomas, como febre e tosse. E nem todo mundo que contrai o vírus fica doente. Tudo isso dificulta muito qualquer análise.

Ainda assim, à medida que o tempo passa, o número de casos tem aumentado muito mais rapidamente que o número de mortes, o que pode significar no futuro uma taxa de mortalidade bem menor que 2%.

“Numa situação como essa, na qual há tantas variáveis desconhecidas, é quase impossível prever com algum grau de precisão quando o número de casos chegará ao seu auge”, afirmou Robin Thompson, especialista em epidemiologia matemática da Universidade Oxford, no Reino Unido.

Mike Ryan, da OMS, afirma que é muito cedo para dizer que o pior já passou. “Quase 4 mil casos confirmados em um único dia não é algo a ser celebrado e certamente é um motivo de grande preocupação.”



Fonte: BBC Brasil



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