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Corrida do ouro deixa rastro de desmatamento de florestas na América do Sul

Compartilhe:     |  19 de janeiro de 2015

A cotação do ouro no mercado internacional tem aumentado também o custo ambiental da exploração do metal precioso nas florestas da América do Sul. De acordo com um estudo publicado nesta quarta-feira (14 de janeiro) no jornal científico Environmental Research Letter, entre 2001 e 2013, os garimpos derrubaram perto de 1.680 km² de florestas, uma área pouco maior do que a cidade de São Paulo.

Durante este período, a onça de ouro (medida equivalente a 31,104 gramas) no mercado internacional subiu de US$ 250,00 (cerca de R$ 650,00), no ano 2000, para US$ 1.300,00 (R$ 3.400,00), em 2013, segundo o levantamento. A situação se agravou com a crise econômica internacional de 2008. Entre 2001 e 2006, foram perdidos 377 km² de florestas, em 61 áreas de mineração. De 2007 a 2013, esta área quadruplicou, passando a 1.303 km², em 116 locais.

Os responsáveis pelo estudo admitem que desmatamento provocado pelo garimpo é pequeno se comparado à destruição causada pela conversão de florestas em pastagens ou áreas agrícolas, mas alertam para um agravante. Nora Álvarez-Berrios, líder da pesquisa, explica que a derrubada de floresta devido à mineração ocorre justamente em algumas das áreas com maior biodiversidade de Amazônia. “Por exemplo, a região de Madre de Dios, no Peru, onde um hectare de floresta pode abrigar mais de 300 espécies de árvores”, afirma a pesquisadora.

Quatro regiões concentram 89% do desmatamento provocado pela mineração aurífera: no Brasil, o interflúvio dos rios Tapajós e Xingu, no estado do Pará; as florestas das Guianas (que se estendem do Amapá até a Venezuela; a Amazônia Peruana; e o norte da Colômbia.

O estudo aponta perde de 183 Km² de florestas na região do Tapajós-Xingu, com grande concentração de desmatamento no município de Itaituba.

Aproximadamente um terço do desmatamento causado pela mineração ocorreu a menos de 10 quilômetros de áreas protegidas, o que se as tornaria susceptíveis à poluição química. Outra pesquisa, realizada pela Duke University, dos Estados Unidos, mostrou o potencial de contaminação por mercúrio utilizado em garimpos. Ele pode se estender por até 350 milhas (cerca de 563 quilômetros) rio abaixo do local onde se iniciou.

Para correlacionar o preço do ouro ao desmatamento, os pesquisadores da Universidade de Porto Rico, além de pesquisar a cotação e os registros de produção aurífera mundiais, os pesquisadores da Universidade de Porto Rico utilizaram informações sobre as áreas de mineração que surgiram a partir do ano 2000 e as compararam com dados sobre mudanças no uso da terra durante o mesmo período.
Para Nora Álvarez-Berrios, é importante conscientizar os consumidores de ouro sobre os impactos provocados pela compra e investimentos em ouro. Para ela, é importante também incentivar formas mais responsáveis de extração do metal, ajudando os garimpeiros a extrair o ouro de maneira mais eficiente.



Fonte: ((o))eco - Vandré Fonseca



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