Crônicas e Poesias

Cotidiano das coisas

Compartilhe:     |  2 de maio de 2021

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Ritual de abril

Em dia de chuva, somos pingos soltos sem para-quedas, libertos rumo ao abraço, concreto na atração do beijo, do cheiro da terra molhada, do espelho no uniforme ballet sem ensaio apenas céu em despejo sobre o nada e o tudo somos multidão de água dividida em indivíduos da nuvem à poça, ao copo, ao corpo ritual de abril, de novo Dias de chuva

Em dias de chuva a vida pela janela é vista, revista em reflexos, em gotas Balanço

Entre impulsos o vai e vem do corpo efeitos dos ventos rítmico pêndulo À frente, dois passos atrás, um palmo vazio de movimentos da força, o resto Simétricos milímetros às correntes, peso assentos escravos de colorido involuntário Nas mãos, os mundos feito vida em balanço em sombras, em claros perfeito equilíbrio Flores flores

Flores anunciam cores, perfumes como cornetas, flores trombeteiam primaveras outonais desafiam humanos urbanos demais Flores enfrentam vendavais sopram aleluias, carnavais festejam dias, praças e jardins sorriem com visitas animais Flores brilha em ouro turquesa pulam como pólen e podem nos quintais se fecham por pudor despertam em pétalas pelo ar Flores são de tons desiguais confundem a vista, atalham a vida sopram sorrisos, alargam alegrias batem a porta testam a vida



Fonte: Ambiente de Leitura Carlos Romero - Clóvis Roberto - Jornalista e Cronista



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