Notícias

Crateras lunares podem ser portas de entrada para túneis subterrâneos, diz estudo

Compartilhe:     |  22 de julho de 2014

Estudo publicado na revista Icarus revela que centenas de poços descobertos na Lua poderiam ser portais para túneis subterrâneos formados por fluxos de lava.

Com variações entre 5 e 900 metros de diâmetro, os poços poderiam oferecer abrigo aos exploradores no futuro e também auxiliar no desbravamento do interior da superfície lunar.

A existência dos túneis foi detectada graças a utilização de um algoritmo de computador em fotos da Reconnaissance Orbiter, da Nasa, analisando a incidência das sombras na superfície lunar. Apenas 40% da Lua foi fotografada com o nível de iluminação correto para a precisão do algoritmo, ou seja, ainda podem existir centenas de túneis a serem descobertos.

Um habitat criado dentro de um desses poços seria um local muito seguro para os astronautas: sem radiação, sem micrometeoritos, possivelmente muito pouco pó, e sem fortes oscilações de temperatura dia-noite“, disse o principal autor do artigo, Robert Wagner, da Universidade Estadual do Arizona, já prevendo uma possível utilização para a descoberta.

Na Terra, os fluxos subterrâneos de lava criaram, na maioria das vezes, extensas redes de túneis, com aspecto cavernoso. Acredita-se que processos semelhantes poderiam ter criado esses túneis na Lua.

A energia gerada de um impacto de meteoróides – fragmentos de materiais que vagueiam pelo espaço e são menores que os asteróides – podem aquecer e derreter as rochas, que, após isso, levam milhares de anos para resfriarem. Ao longo desse processo, essa rocha derretida pode fluir, criando terrenos característicos como os que são formados por vulcões na Terra.

O documento sugere que os túneis subterrâneos que se estendem por quilômetros poderiam ser resultado desse processo: “Os poços representam evidências dos vazios subsuperficiais de extensão desconhecida. Pela analogia com processos terrestres semelhantes, os túneis poderiam estender-se de centenas de metros a quilômetros de extensão, proporcionando assim amplos e potenciais habitats, além da garantia de acesso geológico subterrâneo”, diz um trecho do estudo.

A maioria dos 231 poços descobertos são encontrados em crateras de impacto, mas um pequeno número desses poços foi encontrado no que chamam de “maria”, que são grandes manchas escuras da Lua, originadas por fluxos antigos de lava.

De acordo com Wagner, os poços encontrados nas regiões de “maria” nos ajudaria a entender um pouco mais como tudo isso foi formado. “Captamos imagens da órbita a partir da visão desses poços, o que mostra que perfuraram dezenas de camadas, confirmando que “maria” é formada a partir de muitas dessas finas camadas, bem mais do que outras mais grossas. A exploração do nível do solo pode determinar a idade dessas camadas e até mesmo encontrar partículas do vento solar que foram armazenadas na camada lunar há bilhões de anos”, finalizou.



Fonte: Jornal Ciência - Wired UK



Leia também:

Projetos ambientais
Aqui você é o Reporter

Espaço Animal

Quetzal: uma ave bela e misteriosa

Leia Mais