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Crescer em áreas mais verdes favorece QI de crianças, conclui estudo

Compartilhe:     |  27 de agosto de 2020

Pesquisa também constatou que maior área verde reduz os níveis de comportamento difícil, tanto em bairros ricos quanto pobres

Crescer em um ambiente urbano mais verde aumenta a inteligência das crianças e reduz os níveis de comportamento difícil, concluiu um estudo. A análise de mais de 600 crianças belgas de 10 a 15 anos mostrou que um aumento de 3% na área verde de um bairro trouxe um aumento médio na pontuação de QI de 2,6 pontos. O efeito foi visto tanto em áreas mais ricas quanto nas mais pobres.

Já há evidências significativas de que os espaços verdes melhoram vários aspectos do desenvolvimento cognitivo das crianças, mas esta é a primeira pesquisa a examinar o QI. A causa é incerta, mas pode estar associada a níveis mais baixos de estresse, mais brincadeiras e maior contato social ou um ambiente mais silencioso. O aumento nos pontos de QI foi particularmente significativo para as crianças na extremidade inferior do espectro, onde pequenos aumentos podem fazer uma grande diferença, disseram os pesquisadores.

“Há cada vez mais evidências de que ambientes verdes estão associados à nossa função cognitiva, como habilidades de memória e atenção”, disse Tim Nawrot, professor de epidemiologia ambiental na Universidade Hasselt, na Bélgica, onde o estudo foi conduzido. “O que este estudo adiciona com o QI é uma medida clínica mais difícil e bem estabelecida. Acho que os construtores de cidades ou planejadores urbanos devem priorizar o investimento em espaços verdes porque é realmente importante criar um ambiente ideal para as crianças desenvolverem todo o seu potencial”.

O estudo, publicado na revista Plos Medicine, usou imagens de satélite para medir o nível de verde em bairros, incluindo parques, jardins, árvores de rua e qualquer outro tipo de vegetação. A pontuação média de QI foi de 105, mas os cientistas descobriram que 4% das crianças em áreas com baixos níveis de vegetação tiveram pontuação abaixo de 80, enquanto nenhuma criança teve pontuação abaixo de 80 em áreas com mais vegetação.

Os benefícios de mais vegetação registrados nas áreas urbanas não foram replicados nas áreas suburbanas ou rurais. Nawrot sugeriu que isso pode ser porque esses lugares tinham vegetação suficiente para que todas as crianças que moravam lá se beneficiassem.

Dificuldades comportamentais, como falta de atenção e agressividade, também foram medidas nas crianças usando uma escala de classificação padrão, e a pontuação média foi 46. Neste caso, um aumento de 3% na vegetação resultou em uma redução de dois pontos nos problemas comportamentais, o que reforça estudos anteriores.

Os pesquisadores levaram em consideração os níveis de riqueza e educação dos pais das crianças, em grande parte descartando a ideia de que as famílias que estão em melhor posição para sustentar as crianças simplesmente têm mais acesso a espaços verdes. Níveis mais altos de poluição do ar são conhecidos por prejudicar a inteligência e o desenvolvimento infantil, mas esse fator também foi descartado como explicação.

Em vez disso, os cientistas sugerem que níveis mais baixos de ruído e menor estresse – como encontrado em outra pesquisa sobre os benefícios dos espaços verdes – além de maiores oportunidades para atividades físicas e sociais podem explicar as pontuações de QI mais altas. O Dr. Mathew White, psicólogo ambiental da Exeter University, no Reino Unido, que não fez parte da equipe do estudo, elogiou a qualidade da pesquisa. “Sempre desconfio do termo inteligência, pois tem uma história problemática e associações infelizes”, disse ele. “Mas, no mínimo, este estudo pode nos ajudar a deixar de ver a inteligência como inata – ela pode ser influenciada pelo ambiente, e acho que isso é muito mais saudável.”

White disse que é razoável sugerir que mais exercícios e menos estresse sejam razões para as pontuações de QI mais altas. “Mas não tenho certeza de por que a inteligência geral deve ser melhorada por essas coisas”, disse ele. “Meu palpite é que as medidas de inteligência estão realmente captando a capacidade de uma criança de se concentrar, o que já foi demonstrado em estudos sobre espaços verdes”.

Um estudo com crianças que vivem em Barcelona, publicado em 2015, mostrou que mais espaço verde foi associado a uma melhor memória de trabalho e atenção. Neste novo estudo, os pesquisadores foram capazes de explicar muitos dos fatores que provavelmente afetam o QI, mas os dados sobre o tipo de espaço verde não estavam disponíveis. Trabalhos anteriores mostraram que isso pode ser importante, pois as árvores trazem mais benefícios ao desenvolvimento infantil do que terras agrícolas ou cerrados, por exemplo. A equipe também não tinha informações sobre quais escolas os alunos frequentavam, mas a maioria das crianças belgas frequentam escolas próximas de suas casas.

Outras formas conhecidas de incentivar a capacidade intelectual são praticar exercícios físicos, comer alimentos antioxidantes, tirar cochilos rápidos no meio do dia, praticar yoga ou meditação e manter pensamentos positivos.



Fonte: Equipe Ecycle - The Guardian



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