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Criador do Maranhão se esforça na preservação do gado curraleiro

Compartilhe:     |  1 de novembro de 2014

Falar sobre o gado curraleiro pé-duro é contar também um pouco da história do Nordeste brasileiro. No Maranhão, um criador se esforça para preservar essa que é uma das raças mais antigas do país e as vantagens que ela apresenta são muitas.

Os animais de porte miúdo, dorso reto, chifres curvados e o rabo bastante comprido conservam os traços primitivos da raça curraleira pé-duro. O gado tem origem na Península Ibérica, Portugal e Espanha, e foi trazido ao Brasil pelos colonizadores.

O goiano Moisés Vieira é um apaixonado pelo gado curraleiro. Há 40 anos, ele vem se dedicando a conservação da raça na fazenda que fica em Grajaú, no sul do Maranhão. “Começamos com cinco animais e hoje temos 160 cabeças de matrizes”, diz.

O gado curraleiro foi capaz de resistir a toda dureza do sertão e foi exatamente isso que praticamente impediu a extinção da raça no país. A resistência do gado curraleiro também foi decisiva para o povoamento de todo o sertão nordestino, da Bahia ao Maranhão.

Nas manhãs do curral, na hora de tirar o leite, fica ainda mais evidente uma das razões da paixão que a vaca curraleira desperta no sertanejo. Cleoci Falcão trabalha como vaqueiro há mais de 30 anos, seduzido pelo temperamento calmo das vacas. “Tem uma diferença grande. Ele dá menos trabalho que o outro, não é dar carrapato, mosca de chifre, pouca coisa. Adoece pouco, é muito bom trabalhar com ele”.

Há dois anos, o gado curraleiro pé-duro foi reconhecido como raça brasileira pelo Ministério da Agricultura. Com isso, os criadores puderam, finalmente, fazer o registro dos animais.

Raquel Vieira, a filha mais nova de Moisés, é veterinária e herdou a paixão do pai. Agora ela quer aproveitar o patrimônio genético guardado na fazenda para fazer o melhoramento de outras raças e tornar os negócios na fazenda lucrativos. “Nós pretendemos manter o rebanho base em torno de 160 animais puros, sendo que 20% desse total vai passar por um trabalho de melhoramento genético com parceria com a Embrapa, e os demais nós iremos manter os cruzamentos que temos, basicamente, com nelore e, para o gado de leite, cruzamento com as raças leiteiras”.

O termo pé-duro é uma referência a capacidade dos animais de andar em locais cheios de pedras e aguentar longas jornadas.



Fonte: Globo Rural



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