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Crise climática afeta migração e alimentação de baleias-jubartes

Compartilhe:     |  13 de fevereiro de 2021

Cientistas dizem que a queda no nascimento de filhotes das baleias está relacionado ao aquecimento do Atlântico que está acabando com os arenques

As baleias-jubartes podem estar sofrendo para acasalarem devido a brusca mudança ambiental causada pela crise climática no oceano, sugere um estudo.

Cientistas confirmaram uma significante queda no número de filhotes de baleias-jubartes nascidos nos últimos 15 anos no Golfo de Saint Lawrence, Canadá, um importante reduto de alimentação para as baleias em migração. Segundo os cientistas, a crise climática causou um rápido aumento na temperatura e no nível do oceano na área norte do Atlântico, com efeitos destrutivos ao ecossistema, incluindo o número decrescente de arenques, uma fonte vital de alimento para as baleias-jubartes.

Pesquisadores da unidade de pesquisa de mamíferos aquáticos da Universidade de St. Andrews colheram amostras da gordura das baleias-jubartes fêmeas, para testar se elas estavam grávidas e, ao identificarem as marcações nos indivíduos eles conseguiram determinar se elas retornaram ou não com filhotes.

Eles encontraram relação entre a possibilidade de encontrar filhotes com uma boa condição climática no ano anterior, que é medido de acordo com a quantidade de arenque. Eles descobriram que 39% das gravidez não tiveram sucesso e a taxa anual de partos caiu significativamente entre 2004 e 2018.

Em um artigo publicado na Global Change Biology, Joanna Kershaw, pesquisadora de mamíferos aquáticos de Saint Andrews líder esse estudo, diz: “juntos, esses dados sugerem que um declínio no sucesso reprodutivo pode ser, em partes, um resultado das fêmeas não conseguirem acumular reserva energética necessária para manter a gravidez ou atender a demanda de lactação, e não simplesmente por uma dificuldade em engravidar”.

As baleias barbatanas, que fazem parte do mesmo grupo o qual pertencem as baleias-jubartes, potencialmente mostram alguma resistência contra a mudança climática, pois mudam o seu padrão migratório e trocam as suas presas caso a abundância ou a localização das espécies predadas mudem. Inclusive, agentes na Flórida reportaram recentemente um aumento significativo na observação da baleia-franca, uma espécie do Norte do Atlântico que está ameaçada de extinção.

Entretanto, o declínio no número de filhotes da população de baleias do Golfo de Saint Lawrence durante o período de grandes mudanças ambientais sugere uma “limitada resiliência” as mudanças do ecossistema, diz Kershaw.

Os pesquisadores seguem um estudo publicado pela Universidade de Queensland na Austrália, que prevê um declínio no número de baleias-barbatanas no oceano sudeste da sua costa como um resultado da diminuição de presas e de copépodes (um grupo de crustáceos), e devido ao aumento na competição entre as espécies de baleias devido a redução no estoque de alimento causado pela mudança climática.



Fonte: Anda - Maria Luiza Santos



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