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Crise climática apresenta sérios riscos para a gravidez, diz pesquisadores

Compartilhe:     |  15 de julho de 2020

Pesquisadores descobriram consequências bastante assustadoras para a saúde

Mais de uma década de evidências irrefutáveis ligam a poluição atmosférica e a exposição ao calor a resultados negativos na gravidez, nos Estados Unidos, de acordo com uma nova revisão de dezenas de estudos.

A investigação, publicada no Jornal da Associação Médica Americana (American Medical Association), identificou 57 estudos desde 2007 mostrando uma associação significativa entre os dois fatores e o risco de parto prematuro, baixo peso ao nascer e óbito fetal (natimorto).

Mulheres negras estavam particularmente em risco, assim como pessoas com asma. A pesquisa analisou 32 mil nascimentos de 68 estudos. Desses, 84% apontaram a poluição atmosférica e o calor como fatores de risco.

Distúrbios climáticos causados pela ação humana estão provocando o aumento das temperaturas e da umidade e reduzindo a capacidade das pessoas se resfriarem até mesmo à noite. As mudanças climática também pioram a poluição do ar. A neblina de fumaça resultante da queima de combustíveis fósseis é formada nos dias quentes, e incêndios florestais que levam à inalação de fumaça são agravados pela crise. “Quando você fala cobre clima, as pessoas pensam que se trata de ‘tempo ruim’, como fortes
tempestades ou grandes incêndios… Mas nós queríamos falar sobre os impactos que são comuns, generalizados, e que estão acontecendo agora e são raramente associados à crise climática”, disse Burce Bekkar, obstreta aposentado e co-autor do estudo.

“Nós já temos gerações enfraquecidas desde o nascimento. Simplesmente não podemos permitir que isso aconteça, e eu gostaria de ver não apenas mães e seus maridos e crianças aparecendo nas reuniões dos conselhos, mas eu gostaria de ver muito mais profissionais da saúde envolvidos na demanda por legislação que reduza os atuais e, bastante assustadores, efeitos da crise climática na saúde.”

As descobertas eclodem enquanto a administração Trump procura enfraquecer os esforços climáticos e políticas de proteção contra a poluição, inclusive revertendo os padrões de emissão de poluentes pelos carros e usinas de energia. A Agência de Proteção do Meio Ambiente do governo Trump também ignorou as orientações de cientistas de decretar regras mais rigorosas sobre a qualidade do ar.

O Colégio Americano de Ginecologia e Obstetrícia já considera as mudanças climáticas como uma ameaça eminente à saúde das mulheres, além de ser um grande desafio para a saúde pública. As mudanças climáticas estão associadas com a piora de doenças cardíacas, doenças respiratórias, saúde mental e exposição a doenças infecciosas. Porém, gestantes e fetos em desenvolvimento são especialmente vulneráveis ao seus efeitos.

Na pesquisa, 19 estudos conectaram a poluição do ar com parto prematuro, definido como nascimento antes de 37 semanas de gestação; 25 estudos ligaram a poluição atmosférica a baixo peso ao nascer; e quatro estudos associaram a poluição do ar ao óbito fetal (natimorto). Um estudo descobriu risco aumentado em 42% de óbito fetal com alta exposição no terceiro trimestre de gravidez. Óbito fetal é raro, então os dados sobre isso são limitados o que dificulta traçar conclusões sobre as razões pelas quais acontece, afirmou Bekkar.

A pesquisa considerou estudos sobre a neblina de fumaça (smog), também chamada de ozônio, e partículas finas de poluição.

Estudos científicos emergentes estão cada vez mais ligando a poluição atmosférica a uma gama de problemas de saúde, incluindo demência. Um novo estudo com roedores da Universidade da Califórnia, Davis, descobriu que a poluição produzida pelo trânsito está conectada ao aumento do risco de alterações no desenvolvimento cerebral que podem causar distúrbios no neurodesenvolvimento.

“O que testemunhamos são mudanças sutis”, disse o co-autor Kelley Patten. “Mas nós estamos vendo esses efeitos da exposição à poluição do ar que se enquadram dentro dos limites regulatórios”.

Eram poucos os estudos para rever sobre o efeito do calor nas gestações, mas quase todos eles concluíram que isso é prejudicial. Um estudo postula que o risco de parto prematuro aumentou 11.6% a cada aumento de 5.6C. A média global de temperatura já está mais de 1C acima do que era antes da industrialização e está no caminho para elevar mais 3C.

O estudo confirmou que mães negras estão ainda mais expostas ao risco de parto prematuro e baixo peso ao nascer. As determinações sociais de saúde – incluindo a pobreza, níveis prolongados de estresse e acesso à assistência médica – recaem desproporcionalmente mais sobre a população negra.

O estudo conclui que “a exposição ambiental exacerba ainda mais esse risco e pode ser incluída junto aos fatores sociais determinantes”.

Os americanos cada vez mais entendem que a crise climática está fazendo mal para a saúde humana, de acordo com uma pesquisa feita pelo Programa de Yale sobre Comunicação das Mudanças Climáticas.

Neste ano, muito mais americanos responderam que acreditam que insolações, asma, doenças transmitidas por insetos e alergias relacionadas ao pólen piorem conforme o planeta aquece.

Em 2014, por exemplo, 37% dos americanos pensavam que insolações causadas por severas ondas de calor fossem se tornar mais comuns. Em abril, 57% dos americanos pensaram isso.

Um movimento crescente junto a profissionais médicos visa educar pacientes sobre as mudanças climáticas. Bekkar espera que os profissionais da saúde compartilhem as descobertas do estudo com os seus pacientes, convencendo-os a evitar exposições prolongadas ao calor e à poluição.

“Não é possível para todos, mas aqueles que podem, devem. Se alguém não tem um ar condicionado em casa e está grávida, quanto mais tempo puder passar em lugares com ar condicionado que libera ar filtrado, melhor será o resultado da gestação”, alegou Bekkar.

Além disso, ele quer que aqueles que lutam ao lado das mulheres demandem mais das autoridades eleitas.

“Reduzir a poluição atmosférica e lutar contra as mudanças climáticas é uma questão de sobrevivência dos seus filhos e de suas saúdes”, ele disse.



Fonte: Anda - Victoria Yamaguti



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