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Crise dos opioides nos EUA pode agravar problema do subtratamento da dor no Brasil

Compartilhe:     |  23 de setembro de 2018

Sinal de alerta fundamental do corpo para indicar que algo está errado, a dor também pode se transformar de sintoma em doença, com suas vítimas vivendo anos, ou mesmo décadas, em sofrimento. Mas, seja aguda ou crônica, muitos pacientes com dor em boa parte do mundo não recebem o tratamento adequado para aliviar sua aflição, correndo o risco de desenvolver outros males físicos e psicológicos, como ansiedade e depressão, que podem levar até ao suicídio.

Situação em que se enquadra o Brasil, onde o subtratamento da dor é um problema histórico e tende a se agravar diante da crise envolvendo o abuso de remédios opioides nos EUA e outros países desenvolvidos. Aqui, o medo e a desinformação tanto da parte de pacientes quanto de médicos e profissionais de saúde com relação a esses medicamentos — entre as principais ferramentas de combate à dor disponíveis —, aliados à burocracia para sua prescrição e o desconhecimento de intervenções eficazes, alternativas ou não ao seu uso, estão por trás deste subtratamento.

E não são poucas as vidas em sofrimento. De acordo com levantamento da Sociedade Brasileira para Estudo da Dor (SBED), 37% da população brasileira, ou cerca de 77,1 milhões de pessoas, têm dores crônicas, isto é, que recorrem ao longo de pelo menos seis meses, sendo as mais comuns nas costas (lombalgia), articulações, cabeça (cefaleia) e as ligadas ao tratamento e padecimento de doenças como câncer e esclerose múltipla. Número que não leva em conta outras milhões de pessoas que enfrentam dores agudas resultantes destas e outras doenças, ou de ferimentos ou procedimentos cirúrgicos, que também muitas vezes não recebem o alívio necessário no país.

— São muitos os motivos que levam ao subtratamento da dor no Brasil — diz Irimar de Paula Passo, ex-presidente e conselheiro da SBED. — Começa pela opiofobia. Todo mundo acha que são drogas problemáticas, mas se o médico prescrever e receitar da forma correta, não causam problema nenhum. Outro problema é a própria formação médica. Só recentemente as faculdades começaram a introduzir disciplinas da fisiologia do tratamento da dor, tema antes espalhado pelo currículo, mas ainda assim ela ainda não é obrigatória.

E há também a questão do acesso aos medicamentos, explica Passo. Para prescrever muitos dos opioides mais fortes, o médico precisa de um receituário especial, amarelo, que deve ser obtido junto às vigilâncias sanitárias estaduais:



Fonte: Gazeta online



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