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Cuidado no manejo garante café de alta qualidade para produtor do Espírito Santo

Compartilhe:     |  5 de outubro de 2014

Joselino Meneguete é um produtor do café das montanhas do Espírito Santo. O sítio Rancho Dantas fica no município de Brejetuba, divisa com Minas Gerais, e tem dois hectares da variedade catuai, consorciados com bananeiras e palmeiras. A região com altitude média de mil metros tem vários pequenos produtores de café arábica de alta qualidade.

Na hora da colheita, ao invés de derrissar tudo de uma vez, misturando frutos verdes e maduros, o que prejudicaria o sabor do café, Joselino faz colheita seletiva. Ele tira primeiro os grãos maduros, um por um, e deixa os outros para uma próxima panha.

O manejo segue a risca a recomendação de Fabiano Tristão, agrônomo do Incaper – Instituto Capixaba de Pesquisa e Extensão Rural. O sombreamento com a bananeira ajuda na produção. “Além de ser uma segunda fonte de renda, também serve de quebra-vento, evita a incidência de algumas doenças e também ajuda a diminuir um pouco a temperatura dentro da lavoura, o que beneficia o prolongamento do ciclo de produção e beneficia a qualidade”, explica.

Depois da colheita, os grãos maduros são despolpados em uma máquina mais usada para produzir sementes de café. A secagem é feita em estufa de lona plástica. Os grãos são espalhados em uma esteira de tela, sem contato com o solo. O café é revirado dez vezes ao dia por pelo menos uma semana até atingir 12% de umidade.

Graças a esses cuidados, Joselino já recebeu vários prêmios de qualidade, mas os prêmios não refletiram em aumento da sua renda. A produção do sítio é pequena, apenas 20 sacas por ano. Além disso, o mercado do café da região varia muito. O melhor preço conseguido por ele não chegava a R$ 300 a saca. Computando a mão de obra e os insumos, a lavoura dava prejuízo. Joselino pensou em abandonar o sítio. “Não totalmente abandonar a propriedade. Mas o abandono de lavoura. Eu ia fazer o plantio todo de eucalipto, ia buscar outra atividade”.

Contudo, a vida dele começou a mudar há cerca de quatro anos, quando recebeu a visita de uma especialista em café de qualidade que vive em São Paulo. Isabela Raposeiras passa parte do seu tempo cuidando da torrefação e do preparo de cafés finos serviços em uma cafeteria da Vila Madalena, bairro boêmio de São Paulo.

Quando chega a época de colheita, ela viaja pelo Brasil para experimentar novos sabores e comprar café. Em 2010, Isabela visitou o sítio de Joselino. Gostou muito do café, mas não conseguiu fechar negócio. Para a sua decepção, ele já tinha decidido cortar os pés de café para plantar eucalipto.

“Primeiro eu senti muita raiva. Raiva a ponto de chorar, porque eu sei o quanto aquele café vale, sabe? E eu sei quantos gringos lá fora, torrefadores de alta qualidade, pagariam por esse café. Só que não há ponte entre quem quer pagar e achar um café desse e esses produtores que não sabem nem provar a própria matéria-prima. Esse café do Espírito Santo pode competir com os quenianos, os panamenhos, que hoje em dia são considerados os melhores e os mais caros do mundo”, explica Isabela.

O produtor acabou sendo convencido por uma proposta irrecusável. Isabela comprou toda a safra dele antecipada e garantiu um preço mínimo de R$ 700 pela saca do café. Como o café sempre alcança pontuação máxima, acaba recebendo acima de R$ 1 mil a saca de 60 quilos pelo café beneficiado.

Ele diz que nunca pensou em vender a saca por esse preço. “Nunca pensei. Sinceramente, isso me pegou de surpresa. Se eu fosse fazer café do jeito que vinha trabalhando, não daria para sobreviver, tinha que desistir”, completa Joselino.



Fonte: Globo Rural



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