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Cultivo de seringueiras e palmeiras para fins comerciais está destruindo florestas

Compartilhe:     |  22 de maio de 2015

Florestas estão sendo varridas para dar espaço a plantações de seringueira (usada na produção de borracha), colocando em risco aves, morcegos e primatas que já se encontravam em risco de extinção, principalmente no sudeste asiático. A estimativa é de que, em 2024, até oito hectares e meio (o equivalente ao território da Áustria) serão necessários para suprir a demanda crescente das indústrias automobilística e aviação, que hoje consome 70% de toda a borracha produzida. Nem é preciso dizer o impacto catastrófico disso na vida selvagem.

Espécies como o pássaro íbis de ombro branco, o macaco gibão de topete e nádega amarela (presente em florestas subequatoriais da Índia, Indochina e Arquipélago Malaio), e o leopardo-nebuloso (encontrado aos pés do Himalaia, no Nepal, Índia e China – já está extinto em Taiwan) perdem seu habitat natural. A fauna fica ameaçada, assim como áreas de conservação ambiental.

Plantações de seringueira são as que mais crescem no sudeste asiático: essa monocultura empobrece o solo e prejudica também a água, não apenas a biodiversidade. A questão da borracha está ficando alarmante e, pela gravidade do caso, pode ser comparada à do óleo de palma.

A questão do óleo de palma

O óleo de palma ou azeite de dendê é extraído de um tipo de coqueiro da África que se adaptou bem ao clima brasileiro e também ao da Ásia. Ele é amplamente usado por ter uma produção de baixo custo e não precisar nem de metade da terra que utilizam outros cultivos para produzir o mesmo volume de óleo. É também muito usado nas comidas industrializadas sob o nome de “óleo vegetal” no rótulo. Na indústria cosmética, em sabonetes e cremes, ele pode ser identificado como “palmitato de sódio” e “sodium palm kerenelate” no rótulo.

Como a borracha, a demanda crescente no consumo global de óleo de palma pode chegar a 40 milhões de toneladas em 2020, comparado aos 22.5 milhões de toneladas consumidos em 2010.

Quase toda a produção e exportação vem da Malásia, da Indonésia, de Bornéu e de Sumatra. Nessas regiões dominam as florestas tropicais e de turfa (solo fértil); com o desmatamento, contribui-se para o efeito estufa e a extinção de orangotangos, espécie rara e importante no ecossistema. Sem falar na queima de florestas da Indonésia para abrir espaço às novas plantações do óleo de palma, o que faz dela um dos grandes produtores de gás carbônico do planeta. É um ciclo sem fim!

Iniciativas para ajudar

Estudiosos da conservação biológica e ambientalistas se uniram para pesquisar uma saída dessa situação. Eles localizaram áreas em que a borracha é largamente cultivada (e, atenção, o Brasil está na lista!) e propõem certificação ambiental sobre o produto sob o aval dos próprios fabricantes de pneu. Uma das opções para reduzir o impacto é o agroflorestamento: plantar outras árvores junto com a seringueira para evitar a monocultura, que esgota os nutrientes do solo; ou deixar a vegetação nativa intocada nas margens de rios ou áreas paralelas à plantação, como nos modelos das fazendas orgânicas da Europa.

Com relação aos orangotangos, outra pesquisa procura ajudar a situação desta espécie: cientistas mapearam as regiões cujo solo é impróprio para o crescimento do dendezeiro (coqueiro do óleo de palma) – principal inimigo deles atualmente – e conseguiram mapear até 42 mil quilômetros quadrados na região de Bornéu, na Indonésia. Usando satélites, também mapearam áreas devastadas hoje e as que possivelmente serão no futuro; outro dado foi procurar habitats ecologicamente estáveis para os macacos e também outras espécies em risco.



Fonte: eCicle



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