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Deficiência de vitamina D tem relação com mortalidade por doenças cardiovasculares

Compartilhe:     |  19 de junho de 2014

Uma nova pesquisa publicada no BMJ liga falta de vitamina D ao aumento do risco de morte por todas as causas – incluindo doenças cardiovasculares – e pode mesmo desempenhar um papel no prognóstico do câncer. O estudo foi desenvolvido por pesquisadores da Division of Clinical Epidemiology and Aging Research do German Cancer Research Center, na Alemanha.

Para o trabalho, foram analisados dados de oito estudos de base populacional da Europa e dos EUA, envolvendo 26.018 participantes entre as idades de 50 e 79 anos. Indivíduos foram acompanhados por 16 anos.
Os pesquisadores descobriram uma associação entre baixos níveis de vitamina D e mortalidade por todas as causas – incluindo doenças cardiovasculares e câncer. Durante o acompanhamento, aconteceram 6.695 óbitos, sendo 2.624 mortes por doenças cardiovasculares e 2.227 por cancro.

Foi encontrada uma ligação entre os participantes com os níveis mais baixos de vitamina D – como determinado pelo exame 25-hidroxivitamina-D – e morte por doenças cardiovasculares. Esta associação foi encontrada em participantes com e sem histórico da doença.

Os autores também notaram uma associação entre níveis baixos de vitamina D e de morte por câncer entre os participantes com histórico da doença. No entanto, nenhuma associação foi encontrada entre os participantes sem histórico de câncer, dizem os pesquisadores, o que indica que a vitamina D pode ser importante no prognóstico do câncer. Mas a equipe ressalta que não se pode excluir a causalidade reversa, ou seja, de que o câncer pode ter levado a baixos níveis de vitamina D.

De acordo com os cientistas, essa pesquisa mostra a importância de mantermos níveis adequados de vitamina no organismo durante toda a vida, mas ainda não justifica a suplementação. Para isso, mais estudos são necessários.

Especialistas esclarecem 12 dúvidas sobre a vitamina D
A vitamina D é um hormônio esteroide lipossolúvel que pode ser obtido após exposição solar ou por meio da alimentação. Esta substância é essencial para o corpo humano e sua ausência pode proporcionar uma série de complicações. “É só pensar no que representa para o organismo a falta desta vitamina que controla 270 genes, inclusive células do sistema cardiovascular”, diz o neurologista Cícero Galli Coimbra, professor associado e pesquisador da Universidade Federal de São Paulo.

A vitamina D é necessária para a manutenção do tecido ósseo, ela também influencia consideravelmente no sistema imunológico, sendo interessante para o tratamento de doenças autoimunes, e no processo de diferenciação celular, a falta deste nutriente favorece 17 tipos de câncer. “Esta substância ainda age na secreção hormonal e em diversas doenças crônicas não transmissíveis, entre elas a Síndrome Metabólica que tem como um dos componentes o diabetes tipo 2”, diz a nutricionista Natielen Jacques Schuch, professora do Centro Universitário Franciscano UNIFRA.

Existem ainda uma série de outros benefícios que a vitamina D proporciona para o organismo. “Infelizmente, cerca de 80% das pessoas que vivem no ambiente urbano estão deficientes nesta substância”, constata Coimbra. Conversamos com especialistas neste nutriente e esclarecemos doze dúvidas frequentes sobre ele. Confira.

Tire suas dúvidas sobre vitamina D - Foto Getty Images

Só é possível conseguir vitamina D tomando sol?

Não, é possível obter a vitamina D por meio da alimentação e suplementação com orientação médica. Para evitar a carência do nutriente é interessante incluir na dieta alimentos ricos nesta substância e também tomar entre 15 e 20 minutos de sol sem proteção solar e com braços e pernas expostos todos os dias. “Apesar de alimentação e exposição solar serem complementares, este último garante entre 80 e 90% da síntese de vitamina D”, afirma a nutricionista Natielen Jacques Schuch, professora do Centro Universitário Franciscano ? UNIFRA.

Saiba qual parte do copor absorve melhor a vitamina D - Foto: Getty Images

Qual parte do corpo absorve melhor a vitamina D?

Não existe uma parte do corpo que absorve melhor a vitamina D. Este processo ocorre da mesma forma em todas as partes do corpo. A quantidade de vitamina D que será absorvida é proporcional a quantidade de pele que está exposta. Por isso, a orientação para ter boas quantidade deste nutriente é expor no mínimo pernas e braços ao sol sem proteção solar por cerca de 15 a 20 minutos.

O filtro solar impede a absorção de vitamina D - Foto:Getty Images

O filtro solar impede a absorção de vitamina D?

Sim, infelizmente o uso do filtro solar prejudica a absorção da vitamina D por meio da exposição ao sol. “Para se ter uma ideia, o protetor fator 8 inibe a retenção de vitamina D em 95% e um fator maior do que isso praticamente zera a produção da substância”, constata o neurologista Cícero Galli Coimbra, professor associado e pesquisador da Universidade Federal de São Paulo.

Para evitar o risco do câncer de pele é importante se expor somente durante os 15 a 20 minutos recomendados e após isso aplicar o filtro solar. Além disso, o recomendado é passar o protetor no rosto e deixar as pernas e braços sem, desta maneira as quantidades de vitamina D ainda estão garantidas.

Idosos produzem menos vitamina D - Foto: Getty Images

Idosos produzem menos vitamina D em resposta a exposição ao sol?

Sim, os idosos produzem menos vitamina D em resposta a exposição ao sol por questões metabólicas relacionadas à idade. “A quantidade da substância produzida em uma pessoa de 70 anos é, em média, um quarto da que é sintetizada por um jovem de 20 anos”, constata a nutricionista Rúbia Gomes Maciel, da empresa Natue. Por isso, é interessante que os idosos conversem com seus médicos sobre a possibilidade de ingerir suplementos de vitamina D.

Saiba quais são os alimentos ricos em vitamina D - Foto: Getty Images

Quais os alimentos ricos em vitamina D?

Os alimentos que possuem boas quantidades de vitamina D são: o salmão, 100 gramas têm 685 unidades, atum, 100 gramas contam com 227 unidades, sardinha, 100 gramas possuem 193 unidades, ovo, um ovo possui 43,5 unidades, queijo cheddar, 50 gramas possuem 12 unidades, e carne bovina, 100 gramas contam com 15 unidades.

Note que todos eles são de origem animal porque as fontes vegetais não conseguem sintetizar a vitamina da maneira como os alimentos provenientes de animais.

Alimentos ricos em vitamina D não são o suficiente - Foto: Getty Images

Os alimentos proporcionam boas quantidades de vitamina D?

Não. Até mesmo o alimento com as maiores quantidades da substância, o salmão, conta com somente 6,85% das necessidades diária de vitamina D em uma porção de 100 gramas. “Todo adulto deveria tomar no mínimo cinco mil unidades de vitamina D todos os dias, contudo o ideal seria 10 mil unidades”, observa Coimbra.

Além disso, os alimentos ricos na substância são de origem animal e por isso contam com a gordura saturada. Quando ingerido em grandes quantidades este lipídeo sofre o processo de oxidação e há o risco do aparecimento de placas que podem inflamar as artérias sanguíneas, levando a doença vascular que pode comprometer o coração, os rins e o cérebro a longo prazo.

Os alimentos não possuem quantidade suficiente de vitamina D - Foto: Getty Images

A absorção da vitamina D nos alimentos é tão boa quanto ao ser exposto ao sol?

Não. Enquanto os alimentos que mencionamos irão fornecer no máximo 6,85% das necessidades diárias de vitamina D, com a exposição solar as quantidades da substância são muito maiores. “Tomar sol durante 20 minutos diariamente proporciona as 10.000 unidades de vitamina D necessárias todos os dia”, conta Coimbra.

Quem fica exposto ao sol precisa comer alimentos ricos em vitamina D - Foto: Getty Images

Quem fica exposto ao sol precisa comer alimentos ricos em vitamina D?

Isto depende de cada pessoa. É importante que a necessidade do indivíduo seja analisada por um profissional da saúde a fim de saber se apenas o sol é o suficiente ou se é preciso uma alimentação rica na substância.

Saiba quando tomar suplementos de vitamina D - Foto: Getty Images

Quando tomar suplementos de vitamina D?

Os suplementos só podem ser tomados após a constatação de deficiência de vitamina D e a orientação médica para o consumo dessas doses extras. É preciso muito cuidado com o excesso desta vitamina.

Riscos do consumo em excesso de vitamina D - Foto: Getty Images

Quais os riscos do consumo em excesso da vitamina D?

É importante destacar que o excesso de vitamina D só ocorre por meio da suplementação. Isto porque os alimentos não contam com quantidades grandes da substância e a obtenção dela por meio dos raios solares é regulada pela pele, que cessa a produção de vitamina quando atinge os valores necessários. Porém, o excesso por meio dos suplementos mal administrados pode ser muito arriscado. “Há a possiblidade de ocorrer a elevação da concentração de cálcio no sangue e isso pode provocar a calcificação de vários tecidos, sendo que o mais afetado é o rim, que chega até mesmo a perder sua função”, alerta Coimbra.

Falta de vitamina D - Foto: Getty Images

Quem tem deficiência de vitamina D uma vez vai ter para sempre?

Não, a deficiência pode ser revertida. É possível fazer esta correção do quadro por meio de suplementação, lembrando que esta alternativa é válida somente após a orientação médica, e/ou tomando sol sem proteção solar nos braços e pernas durante vinte minutos todos os dias.

Janelas atrapalham a absorção de vitamina D - Foto: Getty Images

As janelas podem atrapalhar a absorção de vitamina D?

Sim, elas impedem a absorção. “Isto ocorre porque os raios ultravioletas do tipo B (UVB), capazes de ativar a síntese da vitamina D, não conseguem atravessar os vidros”, explica Maciel.



Fonte: Minha Vida



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