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Degelo no Ártico obriga ursos polares a usar quatro vezes mais energia para sobreviver, indica estudo

Compartilhe:     |  1 de março de 2021

Os ursos polares e narvais estão a utilizar até quatro vezes mais energia para sobreviver devido à grande perda de gelo no Ártico, de acordo com um artigo de revisão publicado no Journal of Experimental Biology.

Os animais, desenvolvidos para a vida polar, estão agora a lutar à medida que os seus habitats diminuem e se tornam menos adequados, já que o Ártico tem cada vez menos gelo, alertam os investigadores.

Os mamíferos são fisiologicamente concebidos para utilizar o mínimo de energia possível. E os ursos polares são principalmente caçadores que ficam “sentados à espera”, adaptados à captura de focas através de furos de respiração. Já os narvais mergulham muito fundo para caçar presas sem fazer movimentos rápidos. Porém, agora têm de se esforçar muito mais para se manterem vivos.

Os ursos polares alimentam-se principalmente de focas aneladas e barbudas, mas esta fonte alimentar é mais difícil de encontrar, porque o gelo marinho em que caçam tem diminuído 13% a cada década desde 1979. O estudo mostra também que os ursos polares nadam agora durante uma média de três dias para encontrar focas, ou procuram fontes alimentares terrestres menos densas em energia, forçando-os a percorrer distâncias maiores.

No entanto, é pouco provável que os recursos terrestres compensem o declínio das oportunidades de alimentação das focas, o que significa que os ursos são significativamente mais vulneráveis à fome. “Um urso polar teria de consumir aproximadamente 1,5 renas, 37 trutas do Ártico, 74 gansos de neve, 216 ovos de ganso de neve ou 3 milhões de amoras para igualar a energia digerível disponível na gordura de uma foca anelada adulta”, escrevem os investigadores no jornal citados pelo The Guardian.

Os narvais são nadadores de resistência que podem atingir profundidades de 1500 metros em busca do alabote da Gronelândia (peixe), a sua presa favorita. Precisam de furos de respiração fiáveis, mas o gelo está a mudar rapidamente e a mover-se, o que significa que os furos se deslocaram e, em alguns casos, desapareceram.

“O mundo ártico é agora muito mais imprevisível para estes animais”, diz o co-autor do relatório, Terrie Williams, do departamento de ecologia e biologia evolutiva da Universidade da Califórnia.

O declínio dos ursos polares e narvais é suscetível de ter um efeito de arrastamento sobre outros mamíferos dependentes do gelo e as suas presas, levando a “mudanças rápidas em todo o ecossistema marinho ártico”, alertam ainda os investigadores.



Fonte: Executive - Por Mara Tribuna



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