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Depois do Caribe, da Colômbia e da Venezuela, a chikungunya se dissemina pelo Brasil

Compartilhe:     |  1 de novembro de 2014

A febre chikungunya chegou para ficar. Na semana passada, o Ministério da Saúde contabilizava 828 casos de transmissão da doença dentro do País do começo do ano até 25 de outubro. Isso significa que o vírus CHIKV, causador da enfermidade, começa a se instalar de forma ameaçadora na vida dos brasileiros. Trata-se de uma doença que seguirá a mesma trilha da dengue por vários motivos. O primeiro deles é ser transmitida pelos mosquitos que também disseminam a dengue, o Aedes aegypti e o Aedes albopictus (restrito às florestas). Por isso, áreas onde houver o maior número de mosquitos e de casos de dengue – e que não tomaram ainda as providências já bem conhecidas para eliminar criadouros de mosquito – estão na iminência de enfrentar um surto de chikungunya de proporções semelhantes.

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Uma das cidades mais atingidas até agora é Feira de Santana, na Bahia (no Estado, a doença, de nome difícil, está sendo chamada de “Chico Cunha”). De acordo com o Ministério da Saúde, havia 371 casos confirmados na cidade até a semana passada e outros 734 casos em análise. A segunda colocada é Oiapoque, no Amapá, onde 330 pessoas contraíram a febre. Lá, agentes de endemias, bombeiros e Exército somaram esforços na tentativa de retardar a chegada do mosquito a outras localidades. Uma das medidas é parar veículos na saída da cidade para borrifá-los com inseticida. Passageiros também são obrigados a passar repelente.

Especialistas acreditam que o período de maior transmissão ocorrerá em dezembro, quando começa o verão. “O grande problema é que neste primeiro momento teremos muitos casos porque todos são suscetíveis à chikungunya”, explica Eduardo Massad, chefe do departamento de informática médica da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).

A chikungunya e a dengue produzem sintomas parecidos. Ambas causam febre alta, manchas vermelhas na pele, fadiga, náusea, dor de cabeça e pelo corpo. Mas há diferenças importantes. A chikungunya acomete o indivíduo uma única vez. Depois, ele se torna imune. A dengue se repete toda vez que a pessoa for infectada por um dos quatro subtipos do vírus circulantes no País.

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Mais: a dengue se parece com uma gripe forte e traz dores musculares e atrás dos olhos. Já a chikungunya provoca dores intensas nas articulações que podem sumir em uma semana ou persistir por cerca de três meses. E há ainda um grupo de pessoas nas quais as dores articulares se tornam crônicas e podem durar anos.

O tratamento varia em razão dessas características. “Na dengue há riscos de sangramento e a pessoa deve ser hidratada rapidamente. No caso da chikungunya, é necessário dar atenção especial ao alívio da dor”, diz o infectologista José Cerbino Neto, vice-diretor do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, da Fundação Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro.

No começo do ano, ele foi enviado à Martinica e ao Caribe pela Organização Panamericana de Saúde para observar a epidemia que ocorre por lá. Estima-se cerca de 700 mil casos na região. Desde que voltou, ele se dedica a ensinar especialistas brasileiros a diagnosticar a febre. “É fundamental aprender a identificá-la para dar o atendimento correto”, diz a infectologista e epidemiologista Maria da Glória Teixeira, da Universidade Federal da Bahia, que foi a Brasília para um treinamento. Além do diagnóstico pelo conjunto de sintomas, há testes de sangue disponíveis na rede pública que identificam a chikungunya de 24 a 48 horas. Na semana passada, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária aprovou um teste rápido, criado pela empresa OrangeLife, que dá resultados em dez minutos. Para a médica Maria da Glória, a única forma de reduzir o impacto da nova febre é recrudescer o combate ao Aedes. “Devemos ficar atentos para eliminar os criadouros de mosquito”, diz. Uma boa chance de ficar mais atento ao combate ao Aedes aegypti será o Feriado de Finados, em 2 de novembro. Em vez de deixar nos cemitérios flores em vasinhos com água, melhor optar por flores plantadas.



Fonte: Revista IstoÉ



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