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Depósito usados para guardar água podem ser ótimos locais para o Aedes com a seca

Compartilhe:     |  8 de fevereiro de 2015

Servindo como aliados para enfrentar o racionamento, os recipientes utilizados para armazenar água são também locais propícios para o desenvolvimento do mosquito transmissor da dengue, o Aedes aegypti. Para que a saúde das pessoas não seja colocada em risco, a população precisa ficar atenta e fazer o devido manuseio dos reservatórios em suas residências. Sabendo disso, o agente de portaria federal, Antônio Davi Vidal de Negreiros, 76 anos, e sua esposa, a aposentada Carolina Barbosa Vidal de Negreiros, 76 anos, procuram tomar os cuidados necessários para se precaver da doença na casa onde moram no bairro das Malvinas, em Campina Grande.

Os tonéis e a caixa d’água espalhados pelo quintal da residência do casal, todos com água, servem como apoio para que as atividades domésticas sejam realizadas, sempre com a preocupação de conter o desperdício e de deixar o ambiente livre da infestação do Aedes aegypti. “Nós temos o cuidado de deixar tudo tampado, de conservar na maioria das vezes seco já que utilizamos essa água dos tonéis para fazermos as tarefas do dia-a-dia. Não adianta encher muito nem deixar destampado porque eu sei que cria mosquito e isso não é bom”, frisou a aposentada.

Mesmo cientes da necessidade de adotar medidas de combate à dengue, os moradores ainda tomam algumas atitudes consideradas inadequadas pela Vigilância Ambiental. Esperando por dias chuvosos, Antônio Davi deixou dois tanques descobertos na tentativa de captar água das chuvas. “Eu não costumo deixar nenhum deles aberto, mas quando vejo que o dia está bonito para chover eu abro, porque tenho medo que chova e não dê para aproveitar a água”, disse. Esse descuido fez com que os agentes de combate à endemias encontrassem focos do mosquito da dengue em um dos reservatórios.

Mas orientados pelos agentes, que visitam periodicamente a casa, ao ser percebida a existência desses focos do mosquito, os moradores tomam as providências necessárias para evitar que ele se desenvolva e transmita a doença. “Quando eles dizem que tem alguma coisa errada a gente esvazia o tanque, aproveitando a água para lavar a calçada e depois os lavamos bem, já para evitar que alguém fique com dengue. Temos que ter muito zelo, porque ninguém gosta de ser incomodado por esses mosquitos, nem de ficar doente”, comentou Carolina.

“Buscamos conscientizar a população sobre as medidas que elas devem tomar para combater a dengue. Orientamos as pessoas a lavarem bem os reservatórios antes de enchê-los e quando isso acontecer, usar logo a água. No caso de ficar esperando para abastecer os tanques com água da chuva, o mais apropriado é vedar o reservatório com um pano, que impede a entrada do mosquito”, aconselhou o agente de combate à endemias, Sérgio Ricardo.

Ele destacou também que os moradores são os fiscais diários das casas e devem proteger esse ambiente para evitar que novos focos da doença se desenvolvam.

Para saber quais as regiões onde há incidências do mosquito transmissor do vírus da dengue e desenvolver estratégias para combatê-lo, é realizado periodicamente o Levantamento Rápido do Índice de Infestação do Aedes aegypti (LIRAa).

De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde (SES), no primeiro levantamento feito entre os dias 5 e 23 de janeiro desse ano, onde foi analisada a situação de 215 cidades da Paraíba, foi identificado que apenas 54 municípios estão com baixo índice de infestação, 104 em estado de alerta e outros 57 com alto risco.

Entre essas cidades com índices considerados de alto risco está Campina Grande, com frequência de criadouros do mosquito equivalente a 4,4%, quando o indicado pelo Ministério da Saúde é de até 1%. Os bairros Jardim Continental, Conceição e Monte Santo apresentaram os menores índices, com 1,7% e o das Malvinas mostrou-se como o maior índice, com 6,7%. Com base nos dados da Secretaria de Saúde do Município, o último levantamento feito em dezembro do ano passado mostrou que esse índice na cidade tinha sido de 2,9%, e no mesmo período de 2013 foi de 2,2%.

Segundo o agente de combate à endemias Adriano Rufino, nessa época do ano onde são verificadas altas temperaturas, os mosquitos se reproduzem mais rapidamente, o que acaba aumentando os focos de infestação. “No verão os mosquitos se reproduzem em um ciclo que dura em torno de oito dias para acontecer, já no inverno esse processo se dá em aproximadamente 20 dias e nós temos mais tempo para ir às casas tratar os reservatórios. No período quente é ideal que se faça esse tratamento mais rápido”, explicou.

Para que haja o controle dos índices de infestação a Secretária de Saúde promove mobilizações nos bairros, onde os agentes de saúde fiscalizam e tratam os ambientes com reservatórios propícios à proliferação do Aedes aegypti. Em uma periodicidade de cerca de dois meses esses profissionais realizam visitas domiciliares, para fazer a inspeção do imóvel e eliminar os possíveis criadouros do mosquito, dando orientações sobre hábitos que devem ser adotados para evitar a infestações.

Casos registrados tiveram redução de 60%

Os casos de dengue na Paraíba tiveram uma redução de 60% entre os anos de 2013 e 2014, segundo os dados do Ministério da Saúde. Enquanto em 2013 foram registrados 12.889 casos, no ano passado esse número caiu para 5.161.

Em Campina Grande  de janeiro a dezembro do ano passado 400 pessoas foram diagnosticadas com a doença e no mesmo período de 2013 tinham sido registradas 1.350 notificações, de acordo com a Secretaria de Saúde do município.

“Essa redução é resultado do trabalho desenvolvido pelos agentes de saúde. Temos uma equipe de profissionais que vão até as casas das pessoas para tratar os locais onde o mosquito se prolifera e que conscientiza os moradores sobre as medidas que devem ser tomadas para combatê-lo”, enfatizou a gerente de vigilância ambiental e zoonoses de Campina Grande, Rossandra Oliveira.

Mas segundo o agente de combate à endemias, Sérgio Ricardo, ainda há uma resistência muito grande por parte da população para adotar medidas preventivas de combate a doença. “Ainda tem pessoas que não possuem o senso de responsabilidade para o combate à dengue. A prevenção não deve partir só de nós, mas também dos moradores que vivem diariamente nas casas e devem ter o hábito de manter os reservatórios fechados e limpos”, disse.

Duas mortes no Estado

Este ano a Paraíba registrou dois óbitos suspeitos de dengue, sendo um do município de Araçagi e o outro de Marcação. Ambos seguem em investigação, conforme protocolo do Ministério da Saúde. No primeiro boletim de 2015 da dengue e Chikungunia, referente ao período de 1º de janeiro a 2 de fevereiro, foram notificados 152 casos suspeitos de dengue  na Paraíba, destes, três foram descartados e 42 confirmados por dengue. Os demais casos (107) seguem em investigação, aguardando o encerramento por parte das Secretarias Municipais de Saúde.



Fonte: Jornal da Paraíba - Eloyna Alves



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