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Derretimento glacial da Nova Zelândia mostra as impressões digitais humanas na mudança climática

Compartilhe:     |  10 de agosto de 2020
Nova pesquisa mostrou que o derretimento extremo das geleiras do país em 2018 era, pelo menos, dez vezes mais provável devido ao aquecimento global causado pelo homem.

Duas vezes ao ano, a glaciologista Lauren Vargo e seus colegas montam um acampamento ao lado de dois pequenos lagos perto da geleira Brewster da Nova Zelândia. Cada vez, a caminhada para levar as estacas para a medição demora um pouco mais, à medida que o término da geleira se afasta.

Dra. Vargo, uma nativa de Ohio atualmente trabalhando no Centro de Pesquisa da Antártica na Universidade Victoria em Wellington, estuda as geleiras da Nova Zelândia pelo ar e no gelo.

Novas pesquisas recentemente publicadas na revista Nature Climate Change, descobriram que o extremo derretimento das geleiras no país em 2018 foi pelo menos dez vezes mais provável de acontecer por causa do aquecimento global causado pelo homem.

A perda de gelo ao longo de toda a geleira da Nova Zelândia em 2011, a qual foi outro ano de derretimento extremo, era seis vezes mais provável por causa do aquecimento do planeta, segundo o estudo, causado pela acumulação de gases de efeito estufa na atmosfera, principalmente pela queima de combustíveis fósseis.

Vargo, a autora principal do estudo, disse ao The Guardian: “Como cientistas nós sabemos que, teoricamente, temperaturas elevadas deveriam derreter gelo, mas o objetivo da pesquisa era mostrar formalmente a ligação entre o derretimento e as mudanças climáticas.”

O estudo analisou as mudanças de dez geleiras da Nova Zelândia, e foi desencadeado pelo que Vargo e seus colegas presenciaram no monitoramento aéreo em 2018. “Em anos anteriores sempre tinha neve sobre as geleiras, mas, em 2018, quase metade delas não tinham nenhuma neve”, diz Vargo.

O monitoramento aéreo anual de mais de 50 geleiras tem sido na Nova Zelândia desde 1977 e registram a posição da linha de neve, a espessura e o fluxo do gelo. Havia menos neve nas geleiras em 2018 do que já havia sido visto nos voos antes. Brewster é uma das menores geleiras da Nova Zelândia, mas entre 2016 e 2019 a geleira na ilha sul da Nova Zelândia perdeu 13m de m³ de gelo.

Os cálculos de Vargo sugerem que somente em 2018, a geleira perdeu 8m de m³ de gelo. Aquele ano foi o segundo mais quente que a Nova Zelândia já registrou, atrás de 2016. O derretimento observado na geleira Rolleston em 2011 deveria acontecer uma vez a cada 100 anos sob condições climáticas que não foram alteradas pelo homem, o estudo mostra que, com a influência humana extremos derretimento como o de 2011, agora acontecem por volta de uma vez a cada 8 anos.

Vargo diz que as geleiras do país eram importantes para o turismo e recursos hídricos, e ela espera que o estudo “irá incentivar e convencer pessoas por todo o mundo, mas especialmente Kiwis, que precisamos tomar fortes ações para parar as mudanças climáticas.”

Dr. Andrew Lorrey, que coordena a pesquisa anual de linhas de neve no Instituto Nacional de Pesquisa da Atmosfera e da Água na Nova Zelândia, disse: “Os impactos causados por recentes anos extremos que temos visto são preocupantes – os resultados do estudo indica que atividades humanas contribuíram para esses anos e para girar o dado contra as geleiras.”

O co-autor do estudo, o Prof Andrew Mackintosh, diretor da Escola de Terra, Atmosfera e Ambiente da Universidade Monash, diz que, embora pode parecer óbvio que o aquecimento global está derretendo geleiras, a nova pesquisa é apenas o segundo estudo a olhar profundamente às impressões digitais humanas nas mudanças climáticas causando o desaparecimento das geleiras.

Antes 1990, Mackintosh disse que não havia evidências o suficiente para que os cientistas diferenciarem entre mudanças climáticas naturais e as mudanças causadas pelo homem que estão causando o derretimento das geleiras. O estudo sobre as geleiras da Nova Zelândia e os eventos de extremos derretimento de 2011 e 2018 foram “algo que não poderíamos ter imaginado como glaciologistas apenas algumas décadas atrás”.

Ele disse: “Quando eu comecei como glaciologista eu pensava que as coisas aconteciam devagar, mas foi como pegar uma arma à lazer e apenas tirar todo o gelo e a neve. Esses tipos de derretimento extremo de geleiras é uma péssima notícia para o futuro delas porque mudam o modo como elas respondem”.

“Vinculando com as mudanças climáticas induzidas pelo homem e sabendo o que nós sabemos sobre as atuais temperaturas…aponta para um sombrio futuro para as geleiras.”
Ele disse que quando programas de computador analisam o quão rápido as geleiras desaparecem, eles não são capazes de capturar os impactos contínuos de extremos eventos.

Por exemplo, Mackintosh diz que em extremos anos onde pouca neve caí e o gelo derrete rápido, isso expõe pedras escuras que absorvem mais calor, tornando mais difícil para que uma geleira recupere o que foi perdido nos anos subsequentes.

“Por causa do que está já está acontecendo com o as temperaturas globais e as da Nova Zelândia, existem algumas mudanças com as quais estamos comprometidos, mas se cortarmos as emissões de gases do efeito estufa talvez ainda possamos salvar algumas geleiras em maiores altitudes.”

“Ainda existe uma escolha”.



Fonte: Anda - Júlia de Faria e Castro



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