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Descaso coloca dois em cada dez rios do Brasil na UTI, segundo pesquisa

Compartilhe:     |  25 de março de 2015

Em tempos de crise hídrica, uma pesquisa inédita feita pela ONG ambientalista SOS Mata Atlântica mostra que pouco se tem feito para preservar este recurso valioso lá em sua origem, os rios, córregos e lagos do país.

O levantamento, divulgado hoje (18), mediu a qualidade da água em 301 pontos de coleta em sete estados brasileiros e constatou que 23,3% apresentam uma qualidade ruim ou péssima.

Ao todo, 186 pontos analisados (61,8%) tiveram sua qualidade da água considerada regular, 65 (21,6%) foram classificados como ruins e 5 (1,7%) apresentaram situação péssima.

Apenas 45 (15%) dos rios e mananciais analisados mostraram boa qualidade. E nenhum dos pontos analisados foi avaliado como ótimo. Os dados foram coletados entre março de 2014 e fevereiro de 2015, em 45 municípios.

Além dos números preocupantes, o estudo mostra o papel fundamental do cuidado com o meio ambiente natural para a garantia de água de boa qualidade. Todos os 45 pontos que se encaixaram nessa categoria estão localizados em áreas protegidas e que contam com matas ciliares preservadas.

Já os piores índices se encontram próximos aos centros urbanos. Falta de tratamento de esgoto, lançamento ilegal de efluentes industriais, além do desmatamento são as principais fontes de contaminação e poluição dos recursos hídricos.

Em pleno século 21, o Brasil ainda deixa de coletar e tratar mais da metade dos esgotos que gera. Na ponta do lápis, apenas 48,6% dos brasileiros têm acesso à rede coletora de esgoto, enquanto somente 39% do total de efluentes gerados em todo o país recebe tratamento, segundo dados do Sistema Nacional de Informações de Saneamento Básico do Ministério das Cidades.

Todos os rios e córregos avaliados como de péssima qualidade estão em São Paulo. São eles: Córrego Jardim Pirituba (em SP), Riacho Água Podre (em SP), Rio dos Meninos (em São Caetano do Sul), Ribeirão Ipiranga (em Mogi das Cruzes), Córrego Caputera (em Arujá).

No Estado de São Paulo, dos 117 pontos monitorados, 5 (4,3%) registraram qualidade de água boa; 61 (52,1%) foram avaliados com qualidade regular, enquanto que 46 (39,3%) estão em situação ruim e 5 (4,3%) péssima.

Já entre os 175 pontos analisados nos municípios do Rio de Janeiro, 39 apresentaram água boa (22,3%), a maioria (120 pontos) está em situação regular (68,6%), e 16 tiveram índice ruim (9,1%).

“Esses indicadores revelam a precária condição ambiental dos rios urbanos monitorados e, somados aos impactos da seca, reforçam a necessidade urgente de investimentos em saneamento básico”, alerta Malu Ribeiro, coordenadora da Rede das Águas da Fundação SOS Mata Atlântica.

A especialista lembra que a falta da água na região sudeste é agravada pela indisponibilidade decorrente da poluição e não apenas da falta de chuvas. “Rios enquadrados nos índices ruim e péssimo não podem ser utilizados para abastecimento humano e produção de alimentos, diminuindo bastante a oferta de água”, afirma.

Metodologia

A coleta para o levantamento, que tem como base a legislação do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), é realizada por meio de um kit desenvolvido pelo programa Rede das Águas, da SOS Mata Atlântica, que possibilita uma metodologia para avaliação dos rios a partir de um total de 16 parâmetros, que incluem níveis de oxigênio, fósforo, o PH e aspecto visual.

O kit classifica a qualidade das águas em cinco níveis de pontuação: péssimo (de 14 a 20 pontos), ruim (de 21 a 26 pontos), regular (de 27 a 35 pontos), bom (de 36 a 40 pontos) e ótimo (acima de 40 pontos).

Confira abaixo os resultados de todos os municípios, pontos de coletas e porcentagem dos Índices de Qualidade da Água, segundo o estudo:

Análise por município



Fonte: Exame



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