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Descoberta traz novo mistério sobre os Manuscritos do Mar Morto

Compartilhe:     |  8 de setembro de 2019

Um dos pergaminhos foi preparado com técnica ainda pouco conhecida, que usava materiais não existentes na região do Mar Morto

Cientistas internacionais identificaram uma técnica desconhecida usada para preparar um dos pergaminhos mais notáveis ​​da coleção dos Manuscritos do Mar Morto. A descoberta foi divulgada em artigo publicado na revista “Science Advances”.

Descobertos em 1947, os textos hebraicos que compõem os Manuscritos do Mar Morto estão entre os materiais escritos antigos mais bem preservados já encontrados. Cerca de 900 pergaminhos completos ou parciais foram achados desde a primeira descoberta.

Os pergaminhos estavam em jarros escondidos em 11 cavernas nas encostas íngremes ao norte do Mar Morto, na região ao redor do antigo assentamento de Qumran, destruído pelos romanos cerca de 2 mil anos atrás. Considera-se que, para proteger sua herança religiosa e cultural de invasores, membros de uma seita daquela época, os essênios, ocultaram seus documentos nas cavernas, muitas vezes enterrados sob alguns metros de detritos e guano de morcego para frustrar saqueadores.

O novo estudo se concentrou em um pergaminho em particular, conhecido como o Pergaminho do Templo. Trata-se de um dos maiores (cerca de 8 metros de comprimento) e mais bem preservados de todos os pergaminhos, embora seu material seja o mais fino de todos (um décimo de milímetro de espessura).

Ele também possui a superfície de escrita mais clara e branca entre os pergaminhos, graças a um tratamento com um sal chamado alume. A espessa camada sobre a qual se escreveu o texto “lembra um gesso na parede”, disse Ira Rabin, do Instituto Federal de Pesquisa e Teste de Materiais da Universidade de Hamburgo (Alemanha) e coautor do estudo.

Processamento incomum

Tais propriedades levaram Rabin, Admir Masic, do Massachusetts Institute of Technology (MIT), dos EUA, e seus colaboradores a imaginar como o pergaminho foi feito. Eles descobriram que a peça foi processada de maneira incomum, com o uso de uma mistura de sais encontrados nos evaporitos (material deixado pela evaporação de salmoura), diferente da composição típica encontrada em outros pergaminhos.

Segundo Masic, o fragmento, que escapou a qualquer tratamento desde a sua descoberta capaz de alterar suas propriedades, “nos permitiu examinar profundamente sua composição original, revelando a presença de alguns elementos em concentrações completamente inesperadamente altas”. Entre os elementos descobertos estão enxofre, sódio e cálcio em diferentes proporções, espalhados pela superfície do pergaminho.

Os pesquisadores não souberam avaliar de onde veio a combinação incomum de sais na superfície do Pergaminho do Templo, Mas, segundo Masic, está claro que o revestimento incomum no qual o texto foi escrito ajudou a dar a esse pergaminho sua superfície branca incomumente brilhante, e talvez tenha contribuído para o seu estado de preservação.

Como a composição elementar do revestimento não corresponde à da água do Mar Morto, ele deve ter vindo de um depósito de evaporito de outro lugar. Se esse local era próximo ou distante, os pesquisadores ainda não sabem dizer.

Compreender os detalhes dessa tecnologia antiga poderá ajudar a fornecer vislumbres sobre a cultura e a sociedade da época e local, que tiveram um papel central na história do judaísmo e do cristianismo. Outra vantagem seria ajudar a identificar falsificações de escritos supostamente antigos.



Fonte: Revista Planeta



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