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Descoberta uma nova espécie de cobra-coral na Mata Atlântica

Compartilhe:     |  20 de junho de 2014

Por Daniele Bragança


Coberta por anéis vermelhos, pretos e brancos, a Micrurus potyguara é venenosa, assim como outras corais verdadeiras. Foto: Claudio Sampaio/divulgação.

Uma cobra coral verdadeira coletada numa pequena área preservada na capital da Paraíba é a mais nova espécie de serpente conhecida no país. A espécie descrita na edição de abril da revista Zootaxa mostra como a rica biodiversidade da maltratada Mata Atlântica ainda esconde novas descobertas.

A maioria dos exemplares usados na descrição da nova espécie, batizada de Micrurus potyguara, foi encontrada na Mata do Buraquinho, um remanescente de Mata Atlântica localizado dentro do Jardim Botânico de João Pessoa, na capital da Paraíba. Uma floresta urbana, portanto.

De hábitos preferencialmente noturnos, mas que também pode ser encontrada durante o dia, a cobra coral verdadeira de pequeno porte pode chegar até 1 metro e 20 centímetros de comprimento e alimenta-se de presas cilíndricas como anfisbenideos, conhecidas como cobra-duas-cabeças.

De acordo com o Dr. Gentil Alves Pereira Filho, um dos autores da nova descoberta, a Micrurus potyguara tem o corpo coberto por anéis vermelhos, pretos e brancos que se estendem do dorso ate o ventre. “Trata-se de uma serpente potencialmente perigosa devido a seu veneno, embora não se tenha registros de acidentes nem com humanos. Até o momento poucos exemplares desta nova espécie são conhecidos e a distribuição atual esta restrita aos estados da Paraíba, Rio Grande do Norte e Pernambuco”, explicou. Também participaram da descoberta os biólogos Matheus Godoy Pires, Nelson Jorge da Silva, Darlan Tavares Feitosa, Ana Lúcia da Costa Prudente e Hussam Zaher.

Ainda de acordo com o biólogo, a serpente difere morfologicamente de outras espécies de cobras corais verdadeiras que ocorrem na área por apresentar as escamas parietais totalmente negras, a ponta da cauda negra, a ponta do focinho também inteiramente negra. “Não se sabe muito sobre a ecologia da serpente, não sabemos se ela se distribui ao longo de toda a Floresta Atlântica ou se esta restrita apenas a porção ao norte, onde foi encontrada”.

A serpente recebeu o nome Micrurus potyguara em homenagem aos índios Potiguares que habitavam em grande número a região onde a serpente foi descoberta.

Para Alves, a principal importância da descoberta da nova espécie reside no fato que ela sobrevive no bioma mais ameaçado do país, onde muitas espécies “são extintas sem nem mesmo terem sido cientificamente descobertas”. Há 3 semanas, foram divulgado os novos dados de desmatamento na Mata Atlântica: 23,9 mil hectares de floresta foram perdidos, um aumento de 9% comparado com o período anterior (2011 e 2012), quando foram registrados 21,9 mil hectares de desmate. Os dados são da 9ª edição do Atlas de Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, feito pela Fundação SOS Mata Atlântica e pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).


O nome potyguara homenageia os índios Potiguares que habitavam em grande número a região onde a serpente foi descoberta. Foto: Claudio Sampaio/Divulgação.



Fonte: ((o))eco



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