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Descoberto no Brasil novo vírus misterioso: chama-se “Yaravirus” e 90% da sua genética é desconhecida

Compartilhe:     |  15 de fevereiro de 2020

Cientistas do Brasil e de França descobriram na cidade brasileira de Belo Horizonte um novo vírus com 90% da sua genética desconhecida, mas que não é prejudicial ao ser humano, explicaram esta quarta-feira fontes académicas.

Denominado “Yaravirus”, em homenagem a ‘Iara’, uma sereia de água doce do folclore indígena brasileiro, que com o seu canto atraiu homens para o fundo dos rios, o misterioso vírus foi encontrado na lagoa da Pampulha, na região central de Belo Horizonte, capital do estado de Minas Gerais.

A descoberta foi publicada esta semana na revista científica francesa BioRxiv, pelos investigadores Bernard La Scola, da Universidade Aix-Marseille, de França, e Jonatas Abrahao, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), do Brasil.

Fontes do Laboratório de Vírus do Instituto de Ciências Biológicas da UFMG indicaram à agência noticiosa Efe que este protozoário [micro-organismo unicelular ou formado por uma colónia de células iguais entre si] “não representa riscos” para o ser humano porque “não infeta nenhum tipo de vertebrado”, como é o caso do homem.

Os cientistas identificaram apenas 10% dos seus genes, enquanto os 90% restantes ainda estão sob investigação porque o material genético não corresponde às informações dos bancos de ciência existentes.

Vírus só afeta amebas

Além disso, segundo os investigadores, o vírus é exclusivo das amebas [animais unicelulares das águas salgadas, doces e de terra húmida] que estão em lagoas, rios, tanques e até em piscinas e em sistemas de aquedutos.

Segundo o estudo, o vírus pode ser o primeiro protozoário parasita “Acanthamoeba spp” (não identificada) isolado do grupo dos vírus nucleocitoplasmáticos de grande ADN [sigla de ácido desoxirribonucleico].

Com o recente corte do Governo federal brasileiro para investigações científicas, os responsáveis pela descoberta procuram agora apoio de outras instituições públicas e privadas, inclusive no exterior, para continuarem e identificar 90% dos genes desconhecidos do novo vírus, num contributo para a ciência.



Fonte: Sapo



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