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Desmatamento da vegetação nativa causa perda de espécies de morcegos

Compartilhe:     |  6 de março de 2015

Os morcegos muitas vezes são temidos pelas pessoas, principalmente por serem noturnos, misteriosos e de aparência estranha aos nossos olhos. Beleza à parte, esses animais são muito importantes para o ecossistema, porque ajudam no reflorestamento das matas nativas através da ingestão de frutos e disseminação de sementes, do controle de insetos e da polinização de flores. A interação entre morcegos e a quantidade de floresta foi o tema da pesquisa realizada pela bióloga Renata de Lara Muylaert para sua dissertação de mestrado, defendida em julho deste ano na Unesp (Universidade Estadual Paulista), campus de Rio Claro.

O estudo, intitulado “Influências multi-escala da Paisagem e Limiar da Fragmentação em Morcegos no Cerrado”, investigou o quanto a perda de vegetação em diferentes áreas influencia no declínio da diversidade de morcegos. A pesquisa foi realizada em 15 áreas com vegetação predominante de cerradão a mata atlântica de interior. As áreas estudadas abrangeram as cidades de Itirapina, Brotas, São Carlos, Porto-Ferreira, Analândia, Pirassununga, Santa-Rita do Passa Quatro, Luiz Antônio até a cidade de Batatais, localizada mais ao norte do Estado de São Paulo.

A bióloga concluiu que para manter uma biodiversidade alta de morcegos (mais de dez espécies) em uma área de dois mil hectares, é necessário ter quase metade da mesma coberta por floresta. “Paisagens com menos de 47% de vegetação possuem um decréscimo acentuado em número de espécies, o que torna as paisagens com baixa quantidade de floresta bastante empobrecidas em espécies de morcegos”, comenta. Isso quer dizer que a quantidade de espécies em um gradiente de degradação ambiental decresce mais acentuadamente a partir de um ponto crítico, chamado de  limiar. As espécies que mais são beneficiadas por maiores quantidades de floresta são os morcegos beija-flor (nectarívoros) e morcegos carnívoros (que comem insetos e outros pequenos vertebrados).

A pesquisa foi orientada pelo Prof. Dr. Milton Cezar Ribeiro, chefe do Departamento de Ecologia da Unesp, e co-orientada pelo Prof. Dr. Richard D. Stevens, docente da Texas Tech University (EUA). Ribeiro observa que a região de Rio Claro tem menos de 20% de vegetação nativa, daí se depreende o alto grau de comprometimento da biodiversidade local.

Renata pretende dar continuidade à pesquisa para verificar limiares para morcegos nos remanescentes da Mata Atlântica. Neste bioma altamente biodiverso, se conhece razoavelmente bem que espécies de morcegos existem, além de haver um grande número de amostras. “O trabalho poderá gerar indicativos de áreas prioritárias para a conservação de morcegos e também áreas alvo nas quais a restauração pode ser favorecida pela presença de frugívoros dispersores de sementes”, explica Renata.



Fonte: CicloVivo - Da Unesp



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