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Desmaterialização contribui para reduzir a geração de resíduos e emissões de GEE

Compartilhe:     |  13 de janeiro de 2021

Desmaterialização é uma estratégia que visa à redução na quantidade de materiais usados ​​para atender às necessidades de produção e consumo de nossas sociedades. Diante da demanda cada vez maior por produtos e serviços – tendência que começou a se intensificar a partir da Revolução Industrial, do século 18 em diante –, ideias para minimizar os impactos da produção e do consumo no mundo têm um papel crucial na proteção dos recursos naturais e na redução dos efeitos das mudanças climáticas.

O crescimento econômico é o fator primordial do aumento das emissões de gases do efeito estufa, além de contribuir enormemente para as perdas de biodiversidade em escala global. Por isso, a desmaterialização surge como proposta de solução para os problemas ambientais atuais, que estão intimamente relacionados ao volume de material e à energia utilizada para a produção de bens e serviços.

É uma estratégia que permite reduzir a nossa dependência de recursos físicos, em prol de uma economia mais ambientalmente responsável. A desmaterialização, portanto, é uma resposta ao excesso de geração de resíduos e ao fato de que a disponibilidade de recursos não renováveis ​​está chegando ao fim. Afinal, alguns recursos renováveis ​​importantes, como peixes e madeira, apresentam taxas de consumo superiores à sua taxa de reprodução.

Desmaterialização e conectividade

Na era da conectividade e da inovação tecnológica, a criação de uma economia desmaterializada, com base na mudança de padrões de consumo e na redução da demanda por energia, torna-se cada vez mais viável. Nesse sentido, diversos conceitos dos novos tempos se unem em torno de um objetivo comum: possibilitar o desenvolvimento econômico sem agredir tanto a natureza.

Os recursos que a indústria 4.0 (ou Quarta Revolução Industrial) oferece podem facilitar a implantação de uma série de ações que beneficiem o meio ambiente, em sinergia com o conceito de desmaterialização. Por exemplo, a tecnologia disponível, por meio da digitalização de documentos, permite reduzir o consumo de papel e de cartuchos de toners de impressoras nas empresas e nas residências.

Por outro lado, as novas formas de configuração de trabalho, como o esquema de home-office, também impulsionadas pela ascensão de novas tecnologias, contribuem para a redução da demanda de energia, da geração de resíduos e do consumo de água pelos funcionários. Por isso, a desmaterialização surge com um passo importante rumo à criação de uma economia circular, com foco na responsabilidade ambiental.

Por que “desmaterializar”?

Os impactos ambientais da produção, processamento e consumo de materiais são profundos e crescentes. Da mesma forma que há uma necessidade de eficiência energética e redução da demanda para lidar com as mudanças climáticas, há uma necessidade de eficiência material e redução da demanda para lidar com o esgotamento dos recursos físicos e os impactos de seus extração, beneficiamento, transporte e descarte no meio ambiente e nas comunidades.

Existem também razões psicológicas para se desmaterializar. Embora haja uma crença generalizada e implícita de que o consumo pode melhorar o bem-estar, estudos revelam que, além de um certo ponto, o consumo material não leva à felicidade – e, pelo contrário, pode produzir o efeito contrário, gerando insatisfação com a própria vida.

A desmaterialização já é realidade

Dispositivos digitais já permitem o consumo de música, literatura e cinema, por exemplo, de forma desmaterializada. Na década de 1980, era comum que se formassem filas de fãs na porta de lojas especializadas de discos para adquirir o mais novo lançamento de uma banda ou artista – ou seja, a posse do objeto físico tinha uma importância para além do consumo da música.

No entanto, as novas gerações, habituadas ao uso de aplicativos de streaming tanto para ouvir música, como para assistir a filmes, revelam que os padrões de consumo mudaram – e tendem a continuar mudando. As mudanças nos modelos de relacionamento com marcas e produtos também definem uma nova consciência a respeito do que consumimos: a identificação com os valores e processos das empresas dá o tom aos novos hábitos de consumo e pode fazer a diferença na hora de optar ou não pelo produto da concorrente.

Em artigo publicado em 2021, na revista Markets, Globalization and Development Review, Soonkwan Hong, professor associado de Marketing da Michigan Technological University College of Business, explica que uma grande mudança em nossos hábitos de consumo já começou e tende a se aprofundar.

Para ele, os consumidores desejam relacionamentos mais íntimos e pessoais com as marcas e empresas que apoiam. Os novos tempos, segundo Hong, aumentaram o desejo por segurança e individualidade conectada, que leva à necessidade de se conectar com fabricantes e fornecedores locais. Assim, os novos consumidores optam por compras que tenham impacto positivo em comunidades locais, priorizando empresas menores e mais ecologicamente responsáveis.



Fonte: Equipe Ecycle



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