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Desodorante e antitranspirante altera o microbioma da pele, diz pesquisa

Compartilhe:     |  3 de fevereiro de 2016

Usar desodorante ou antitranspirante altera substancialmente o microbioma de bactérias que vive na pele humana. É o que afirma um estudo realizado pela Universidade do Estado de Norte Carolina, pelo Museu de Ciências naturais de Norte Carolina e pelas universidades Duke e Rutgers, todas instituições americanas. Segundo a pesquisa, quando o produto entra em contato com as axilas, ele muda tanto to tipo quanto as bactérias existentes ali. O próximo passo dos cientistas é constatar se essa alteração prejudica ou não a saúde.

Para o estudo, foram recrutados 17 participantes: três homens e quatro mulheres que usavam antitranspirantes, produto que reduz a quantidade de suor; três homens e duas mulheres que usavam desodorante, que geralmente inclui etanol ou outros antimicrobianos para matar os micróbios causadores de odor; e três homens e duas mulheres que não usaram nenhum dos dois produtos. Eles seguiram um experimento de oito dias, durante os quais todos os participantes tinham suas axilas analisadas — e pequenas amostras retiradas — entre 11h e 13h.

No primeiro dia, todos seguiram sua rotina normal de higiene. Do dia dois ao dia seis, todos ficaram sem desodorante ou antitranspirante. E, nos dias sete e oito, o grupo inteiro usou os produtos. Os pesquisadores, então, fizeram uma cultura de bactérias em todas as amostras para determinar a abudância de microorganismos em cada uma delas e como isso se diferenciava de acordo com o dia.

— Descobrimos que, no primeiro dia, as pessoas que usavam antitranspirante tinham menos micróbios do que as que não usavam qualquer produto. No entanto, as pessoas que usavam desodorante tinham mais micróbios do que as que ficavam sem produtos — disse Julie Horvath, chefe do laboratório de genoma e microbiologia do Museu de Ciências Naturais de Norte Carolina.

Já no terceiro dia, os participantes que usaram antitranspirante começaram a ter um maior crescimento de bactérias. E, no dia seis, o número de micróbios entre todos os participantes já se equivalia, aproximadamente. Porém, como algumas pessoas só passaram a usar os produtos no final do experimento — e, nesse pouco tempo, conseguiram desenvolver praticamente a mesma quantidade de micróbios dos outros —, a conclusão a que os cientistas chegaram foi que o uso desses produtos com regularidade reduz dramaticamente a capacidade de desenvolvimento de bactérias.

MUDANÇA NO TIPO DE BACTÉRIAS

Os pesquisadores também fizeram sequenciamento genético de todas as amostras do dia três ao dia seis, para determinar como os antitranspirantes e desodorantes afetam a biodiversidade do microbioma da pele ao longo do tempo. Eles descobriram que, entre os participantes que não usavam os produtos, 62% dos micróbios encontrados eram Corynebacteria, um tipo de micróbio responsável por produzir mau odor — mas também responsável, acreditam os cientistas, por ajudar a nos defender de doenças.

Já os participantes que faziam uso regular dos produtos de higiene obtiveram resultados diferentes. Do total de seus micróbios, 60% era cosmposto por Staphylococcaceae, um dos tipos mais comuns de bactéria, em geral considerado benéfico. Somente 14% eram de Corynebacteria, e 20% eram “outras”, o que significa que reunia uma miscelânea de micróbios oportunistas. Para o cientistas, os rsultados mostram como o comportamento humano pode ter um profundo, e não intencional, impacto sobre a evolução dos organismos do microbioma.

— Usar antitranspirante e desodorante rearranja completamente o ecossistema da nossa pele, tanto o tipo de micróbio que vive em nós quanto o número deles — afirma a pesquisadora Julie. — Ainda não sabemos que efeitos isso tem na nossa pele e na nossa saúde. É benéfico? É prejudicial? Nõa chegamos até aí, mas estas são perguntas que estamos interessados em exlorar.

CADA VEZ MAIS DISTANTES DOS PARENTES PRIMATAS

Em outro artigo, publicado no mês passado na revista “Proceedings of the Royal Society B”, os mesmos pesquisadores examinaram a diversidade e a abundância de micróbios encontrados nas axilas dos seres humanos, em comparação com outros primatas: chimpanzés , gorilas, babuínos e macacos rhesus. Nessa pesquisa, eles descobriram que os micróbios da axila têm evoluído ao longo do tempo em conjunto com os que vivem nos primatas. Entretanto, os ecossistemas microbianos encontrados nas axilas humanas são muito diferentes — e muito menos diversificados — do que aqueles encontrados em nossos parentes primatas.

— Uma descoberta interessante foi que os primatas não-humanos têm mais micróbios associados a fezes e solo, o que muitas vezes nós vemos como algo sujo — conta Julie Horvath. — Talvez, a diversidade de micróbios fecais e de solo na pele dos primata não-humanos sirvam de algum benefício que nós ainda não compreendemos bem e não apreciamos. Ao longo do tempo evolutivo, seria de esperar que nossos micróbios co-evoluíssem com a gente, mas parece que nós temos alterado consideravelmente esse processo, por meio dos nossos hábitos de tomar banho e tomar medidas para mudar nossa aparência ou nosso cheiro.



Fonte: O Globo



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