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Despoluição do ar em razão do lockdown é um alívio para milhões de asmáticos

Compartilhe:     |  17 de junho de 2020

Dois milhões de pessoas no Reino Unido com doenças respiratórias como asma vivenciaram a redução dos sintomas durante o “lockdown” adotado para impedir a propagação do novo coronavírus, de acordo com a Fundação Pulmonar Britânica (British Lung Foundation).

Um inquérito realizado pela entidade analisou 14 mil pessoas com condições pulmonares e revelou que uma em cada seis pessoas notaram melhoras na saúde. Entre as crianças, a descoberta foi ainda maior: um a cada cinco responsáveis relataram que a condição de seus filhos foi aliviada. As pessoas que sofrem de asma, em particular, registraram benefícios: uma em cada quatro pessoas percebeu um alívio nos sintomas.

Existe uma ligação bem estabelecida entre a poluição do ar e doenças respiratórias. Das 12 milhões de pessoas do Reino Unido que possuem doença pulmonar obstrutiva crônica, ou asma, cerca de 8 milhões foram diagnosticadas com a doença e apenas 5,4 milhões estão recebendo tratamento.

O número de visitas aos serviços de urgência hospitalar para asma na Inglaterra também diminuiu pela metade durante o “lockdown”, de acordo com Saúde Pública da Inglaterra (Public Health England). Entretanto, é incerto quanto do decrescimento é devido à redução dos sintomas ou à relutância das pessoas em visitar hospitais durante a pandemia causada pela Covid-19.

Zac Bond, da Fundação Britânica Pulmonar, constatou: “Agora, ainda mais que antes, temos de ter consciência do quão importante é cuidar de nossos pulmões, e o governo tem o dever de garantir que o país se recupere da Covid-19. Nós podemos continuar mantendo os níveis de poluição baixos e força-los a se reduzirem ainda mais”.

Tem uma evidência crescente ao redor do mundo que conecta o crescimento das infecções e mortes por Covid-19 com a exposição à poluição do ar. Na sexta, um grupo interpartidário de deputados disse que a poluição atmosférica deve ser mantida a níveis baixos, a fim de ajudar a evitar um segundo pico de infecções.

Bond exigia a rápida introdução de zonas de ar puro nas cidades, onde as multas deteriam o uso dos veículos mais poluentes. Contudo, elas foram adiadas em cidades como Manchester por oficiais que mencionaram a necessidade de focar na responsabilidade do coronavírus.

Bond mencionou também que mais suporte era preciso para o transporte público, ciclismo e pedestres, bem como leis mais rigorosas em relação à qualidade do ar: “Nós queremos que o governo se comprometa a alcançar as diretrizes da Organização Mundial de Saúde para as partículas finas até 2030.”

Todo ano, a poluição do ar causa dezenas de milhares de mortes prematuras no Reino Unido. Mais de um terço das autoridades locais da Inglaterra possuem níveis de partículas finas de poluição acima do limite da OMS (Organização Mundial de Saúde). Dióxido de nitrogênio, um poluente largamente produzido pelos veículos a diesel, está a níveis ilegais em 80% das áreas urbanas.

Stephen Holgate, professor clínico de imunofarmacologia do Conselho de Investigação Médica da Universidade de Southampton, disse: “Como um dos maiores problemas de saúde do nosso tempo, a poluição do ar tem potencial para afetar a todos. É muito importante que aproveitemos essa oportunidade para reconhecer as experiências das pessoas com condições pulmonares e aplicar o que aprendemos com o ‘lockdown’, para construir um futuro onde priorizamos o ar limpo”.

O “lockdown” resultou na queda do tráfico de veículos em 1955 níveis enquanto ambas as partículas finas e a poluição por NO2 foram reduzidas pela metade nas cidades. A Fundação Britânica Pulmonar constatou que mais de 50% das pessoas com doenças pulmonares perceberam um decrescimento na poluição do ar devido ao “lockdown”.

Asmático, Paul, de 14 anos, é de Liverpool e tinha frequentemente dificuldade para respirar, mas precisou usar menos o seu inalador durante o “lockdown”. “Você pode ver a diferença agora,” disse. “Eu saio de casa e me deparo com um ar limpo que parece uma utopia se comparado com antes.”

Dra. Alison Cook, presidente da Força Tarefa da Saúde Pulmonar (Taskforce for Lung Health), uma aliança de 30 organizações, disse: “As crianças merecem respirar um ar mais limpo e crescer em um país onde sua saúde não é colocada em risco apenas por ter saído de casa”.



Fonte: Anda



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