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Destruição de ecossistemas naturais aumenta o risco de pandemias

Compartilhe:     |  8 de julho de 2020

Mais de seis em cada dez doenças infecciosas vêm de animais, por exemplo a tuberculose que veio de vacas, a influenza que veio de suínos e galinhas, e o HIV vindo dos chimpanzés.

Os cientistas têm argumentado que o desmatamento, a mudança do uso da terra e a intensificação agrícola, entre outros fatores, estão aumentando os riscos de que doenças ainda mais letais acabem chegando até os seres humanos.

A Covid-19, que causou um confinamento quase global e mudou o modo de vida em todo o planeta, chegou em humanos depois que foi transferido de morcegos por meio de um animal intermediário.

Estudos anteriores identificaram morcegos como a origem do Ebola, do vírus Nipah, de alguns tipos de raiva além de várias outras doenças.

Acima está um modelo que mostra que os serviços ecossistêmicos diminuem à medida que cresce a degradação, com isso, o risco de uma pandemia emergir entre os seres humanos é drasticamente aumentado

“Os ecossistemas naturalmente restringem a transferência de doenças de animais para humanos, mas esse serviço diminui à medida que os ecossistemas se degradam”, disse o principal autor do estudo, Dr. Mark Everard, da University of West England (Inglaterra).

“Ao mesmo tempo, a degradação do ecossistema prejudica a segurança hídrica, limitando a disponibilidade de água adequada para uma boa higiene, saneamento e tratamento de doenças”.

“O risco de doenças não pode ser dissociado da conservação do ecossistema e da proteção dos recursos naturais.”

O estudo, publicado na revista Environmental Science and Policy, também argumenta que a destruição ambiental “mina” a disponibilidade de recursos naturais, o que significa que pode não haver água suficiente disponível para atividades que protegem contra doenças, como lavar as mãos, por exemplo.
“Os riscos de doenças zoonóticas estão, em última análise, interligados com crises de biodiversidade e insegurança hídrica”, escrevem no estudo.

O estudo estabeleceu a importância da preservação dos ecossistemas para prevenir uma pandemia utilizando uma estrutura complexa, defendida pelas Nações Unidas e pela Agência de Proteção Ambiental dos EUA, para analisar o risco de doenças “zoonóticas” – ou de origem animal.

A estrutura levou em conta as atividades humanas que tensionam o meio ambiente; as mudanças nas condições dos habitats naturais; e os efeitos da degradação ambiental sobre ecossistemas e seus serviços.

Eles usaram a estrutura para analisar as ligações entre humanos e o meio ambiente, revelando a elevação no risco de degradação ambiental, além de respostas que poderiam ajudar os seres humanos a evitar outra pandemia.

O grupo de cientistas, que inclui uma equipe do Greenpeace, também previu que, à medida que as medidas de isolamento sejam suspensas, a destruição dos ecossistemas acelerará devido às forças de mercado de curto prazo, aumentando os riscos de uma nova pandemia.

O Dr. David Santillo, dos laboratórios de pesquisa do Greenpeace em Exeter (Inglaterra), um dos autores do estudo, pediu que atitudes sejam tomadas para impedir a destruição do ecossistema.

“A velocidade e a dimensão das ações radicais que foram tomadas em tantos países para limitar os riscos à saúde e financeiros provocados pela Covid-19 demonstram que também seria possível realizar mudanças sistêmicas radicais para lidar com outras ameaças existenciais de escala global, como a emergência climática e o colapso da biodiversidade”, disse ele.

Estudos anteriores descobriram que risco de transmissão de vírus é maior em espécies animais que aumentaram suas populações e/ou expandiram sua área de abrangência por se adaptarem melhor às regiões dominadas pelo homem.

Animais domesticados, primatas e morcegos, foram identificados como os que carregam o maior risco de transferir uma nova doença para humanos, potencialmente desencadeando uma nova pandemia.

Evidências genéticas confirmaram que o Coronavírus, ou SARS-CoV-2, foi transmitido para humanos a partir de morcegos.

Na foto acima está um mapa da estrutura que os cientistas usaram para identificar ligações entre os humanos e o ambiente, e analisar o risco de outra pandemia

Uma pesquisa publicada no The Lancet revelou que os morcegos são o hospedeiro original “mais provável” do vírus, depois de analisar amostras retiradas dos pulmões de nove pacientes em Wuhan.

E cientistas da Academia Chinesa de Ciências, do Exército Popular de Libertação e do Institut Pasteur de Xangai, também apontaram para morcegos como a provável origem.

No entanto, o ponto onde o vírus foi passado para humanos ainda não foi descoberto.

Relatórios iniciais sugerem que isso aconteceu em uma “feira de alimentos frescos” em Wuhan, China, onde os humanos são expostos a carne animal, sangue e excrementos.

No entanto, as autoridades chinesas têm procurado “colocar panos quentes” sobre isso e rotular o mercado como uma vítima em vez de um “super-difusor” de doenças.

Eles disseram que exames realizados nos animais do mercado mostraram que “nenhum” tinha Covid-19.

Isso desafiou pesquisas de cientistas de Harvard, MIT e da University of British Columbia (Canadá), que examinaram quatro amostras do mercado e encontraram traços do vírus ‘99,9% ‘ idênticos aos retirados de um paciente em Wuhan, China.

O primeiro caso de coronavírus foi relatado em Wuhan em dezembro de 2019.



Fonte: Anda



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