Entrevista

‘Dieta das cavernas’ bomba na web com estratégias saudáveis de emagrecimento

Compartilhe:     |  12 de setembro de 2020

Uma nova dieta vem conquistando adeptos pelo Brasil. Na verdade, de nova essa estratégia não tem nada. É a chamada dieta dos ancestrais, ou Paleolítica, que sugere o retorno aos hábitos alimentares do “homem das cavernas”.

Nutricionista Pâmela Terra estimula o consumo de alimentos naturais – Foto: Reprodução/Instagram/ND

A nutricionista Pâmela Terra, que atua no estado de São Paulo, adotou essa proposta de emagrecimento e alimentação saudável que estimula, basicamente, o consumo de “comida de verdade”, assim como faziam os nossos ancestrais.

A ideia é ingerir alimentos naturais e evitar os industrializados. A ideia é simples: comida boa é aquela comprada na feira ou no açougue. Nos supermercados, apenas complementar os ingredientes do dia a dia – mas com atenção aos produtos com mais de cinco ingredientes nos rótulos.

Além dessa nova estratégia, o nd+ conversou com a nutricionista sobre as vantagens do jejum intermitente, que também é baseado nos hábitos alimentares do homem primitivo. Ela ainda comenta os supostos benefícios da alimentação de três em três horas e a polêmica em torno da ingestão de gordura natural.

Confira a entrevista:

A doutora estimula o consumo de “comida de verdade”. Como funciona essa proposta e como adotá-la?

Costumo orientar meus pacientes a investir na alimentação natural. Somos adaptados a isso porque evoluímos como espécie humana, comendo esse tipo de alimento. Se você parar para pensar nos nossos antepassados, não havia produtos industrializados, produtos processados, o excesso de produtos refinados que hoje nós encontramos no supermercado.

A base era a caça e a coleta: o homem tinha que caçar o próprio alimento. Era também uma alimentação composta com o que estava disponível na natureza, como os vegetais, legumes, folhas e frutas. Então, evoluímos com essa alimentação. Com isso, somos muito mais adaptados a consumir esse tipo de alimento – que não nos faz mal. É uma alimentação natural, é comida de verdade!

Por que a comida de verdade e o jejum intermitente são boas estratégias para quem busca o emagrecimento?

É excelente porque a comida natural é hipocalórica, ou seja, é pobre em calorias. Claro que se você tiver um alto consumo de gordura proveniente do excesso de pele dos alimentos ou da gordura natural deles, você ultrapassa um pouco a quantidade de calorias e o emagrecimento não é tão eficaz.

Tudo o que é em excesso, obviamente, pode atrapalhar o processo de emagrecimento, quando se trata de calorias. Excesso de batata ou mandioca, por exemplo.

No entanto, se você comer com equilíbrio, com certeza isso vai acarretar em perda de peso, porque é uma alimentação com baixa caloria.

Quanto ao jejum intermitente, nós também somos muito adaptados a fazê-lo, porque os nossos antepassados também faziam. Ficava-se muito tempo sem comer diante da escassez de alimento. E a partir do momento em que se fazia a caça e a coleta, o homem comia conforme a sua fome.

Então, hoje, resgatou-se esse conceito e se usa o jejum intermitente como estratégia: você passa um período de horas sem comer e um período no qual você se alimenta. O ideal é adotar a alimentação natural baseada na comida de verdade, para que fiquemos o mais próximo dos nossos antepassados.

Qualquer um pode adotar essas estratégias? Existem exceções ou contraindicações?

Consumir comida de verdade é para todos. Não há contraindicações porque é da nossa natureza comer alimentos naturais. Já o jejum intermitente, mesmo sendo uma prática milenar, é interessante ter um acompanhamento um pouco mais de perto, pois existem algumas doenças que podem entrar em desequilíbrio hormonal pelo simples fato de parar de comer.

Pessoas com hipotireoidismo ou algum desequilíbrio da tireóide, hipersensibilidade à insulina e diabéticos, por exemplo, eu indico com acompanhamento, não de forma genérica. É preciso equilibrar as refeições na janela alimentar para que não cause nenhum desequilíbrio ou a falta de nutrientes.

A dica de comer de 3 em 3 horas é bastante difundida. Isso está mudando?

Para mim, não faz nenhum sentido comer de 3 em 3 horas. Nós devemos respeitar a nossa fome, que pode aparecer a qualquer hora do dia, sem horário específico. Nosso organismo é tão sábio que ele emite sinais de fome, de que precisamos de nutrientes, e é isso que nós devemos respeitar.

Comer de 3 em 3 horas pode funcionar para pacientes compulsivos ou ansiosos. Se eu falar para um paciente compulsivo “respeita a sua fome”, ele vai comer tudo o que encontrar pela frente. Sendo assim, em algumas estratégias pontuais – como ganho de massa muscular ou peso – comer de 3 em 3 horas pode funcionar.

Pâmela Terra recomenda que pacientes consumam alimentos provenientes da natureza – Foto: Reprodução/Facebook/ND

Contudo, para o emagrecimento, eu sugiro respeitar a fome. Para a longevidade, saúde, qualidade de vida, sem dúvida, respeitar a fome e a saciedade é muito mais vantajoso do que comer de 3 em 3 horas.

Há pacientes que adotaram essa estratégia e reclamavam, porque comiam sem fome. Não é nem um pouco fisiológico. Se você não está com fome, não deve comer. Deve comer quando seu corpo der sinais de que você está precisando ingerir algum alimento. É muito mais saudável.

O consumo de gordura é geralmente condenado por quem está de dieta. É importante manter esse consumo ou devo realmente excluí-lo?

Eu falo que não devemos ter medo da gordura presente naturalmente nos alimentos, porque é uma excelente fonte de energia. Nós precisamos de gordura para a produção hormonal e do colesterol. Nosso organismo produz colesterol e é benéfico à nossa saúde, ao contrário do que a maioria das pessoas diz.

Precisamos do colesterol para a boa regulação hormonal e tiramos isso da fonte de gordura. Normalmente, os alimentos mais ricos em gorduras boas têm também ômega 3, ômega 6 e ômega 9, que são antioxidantes importantes.

Então, essa gordura presente naturalmente nos alimentos – no queijo, na proteína animal, no abacate, na castanha, nos azeites – é o que a natureza nos oferece. Não precisamos ter medo disso, mas sim cautela. O fato de não termos medo não quer dizer que vamos “nos jogar” na gordura. Podemos, sim, ter flexibilidade diante do consumo porque fazem bem à nossa saúde.

A quarentena por conta da pandemia da Covid-19 tem transformado os hábitos alimentares? Se sim, de que forma? Como posso manter uma alimentação saudável nesse período?

Eu vi dois cenários diante dessa pandemia. O fato de você estar mais em casa favorece a rotina, a organização da casa e dá a possibilidade de cozinhar o próprio alimento. Investir nessa alimentação mais saudável agora, que estamos dentro de casa, é muito mais fácil. Você compra o alimento, higieniza, cozinha. Há mais tempo para investir numa alimentação saudável.

Pâmela recomenda que as pessoas aproveitem a quarentena para frequentar as feiras de produtos naturais – Foto: Reprodução/Pixabay/ND

Tem também o cenário da ansiedade. As pessoas estão muito ansiosas, com a saúde mental comprometida e com a rotina desorganizada porque estão em casa. E isso faz com que muitas pessoas “chutem o balde” e digam “agora mesmo que não vou para a cozinha”. Pedem delivery. Então, eu vejo que os dois cenários estão acontecendo.

Eu recomendo aos meus pacientes que aproveitem esse tempo e organizem melhor a geladeira e a dispensa dos alimentos. Digo para irem até uma feira e investirem em bons alimentos. Investir em uma alimentação saudável agora, melhora a imunidade e, caso a pessoa fique doente, vai enfrentar muito melhor a doença.

Será mais fácil manter os bons hábitos alimentares adquiridos durante a quarentena, quando a rotina voltar à normalidade. É fazer do limão, uma limonada.

No dia 31 de agosto – Dia do Nutricionista – foi lançada a mentoria Emagreça de Verdade. Do que se trata essa mentoria?

É um curso online dividido em 10 videoaulas, em que eu ensino o paciente a se alimentar direito e usar algumas estratégias para emagrecer. Falo sobre a comida de verdade, porque a ideia é aprender a seguir essa proposta e, consequentemente, aprender a emagrecer. Explico sobre a evolução na nossa espécie e da natureza; falo dos alimentos de forma geral e das estratégias como low carb e jejum intermitente. Também dou sugestões de cardápios.



Fonte: ND+



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