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Dietas atrapalham a percepção dos sinais físicos de fome, segundo nutricionista

Compartilhe:     |  4 de fevereiro de 2020

Embora não seja o único, o barulho do estômago roncando é o mais conhecido sinal de fome. Além dele, outros sinais incluem enjoo, mau hálito, mau humor, baixa concentração, pensamentos sobre comida, aumento da salivação, inquietação, dor de cabeça, fraqueza e até tremores.

A fome deve ser entendida como um sinal físico, independente de emoções ou desejos de comer. Ela apresenta níveis gradativos de intensidade e é inespecífica; isto é, com fome, come-se de tudo. A fome é o melhor tempero para qualquer comida.

Mas muitas pessoas têm medo de sentir fome. Esse medo pode ser explicado, entre outras coisas, pelo hábito de se fazer dietas. Nas dietas, os sinais de fome não são atendidos, e a pessoa deve comer seguindo determinadas regras. Uma ideia muito difundida em dietas é a de que se deve comer a cada três horas, sentindo ou não fome. Evidentemente, isso atrapalha a percepção dos sinais físicos da fome.

O medo da fome também pode estar relacionado ao temor que muitas pessoas têm de perder o controle durante o ato de comer. Pessoas sem fome conseguem comer pouco, na medida em que a sensação de controle as permite determinar o que comer e o quanto comer. O problema é que, com isso, desorganizam-se os sinais da fome, tornando difícil ao corpo apontar a verdadeira hora de comer. O risco para o desenvolvimento de um padrão beliscador aumenta com esse tipo de comportamento alimentar.

Mas se não se deve seguir regras de horários e nem comer sem fome, quando é o melhor momento de se alimentar? Cada um interpreta sinais de fome de maneira única. Para entendermos melhor nosso marco inicial, é preciso estar atento aos sinais que o corpo manda. Para muitos, o barulhinho ou ronco que o estômago faz é o prenúncio de que ele está confortavelmente vazio e de que a refeição pode começar. Depois desse ponto, o desconforto físico aumenta, os sinais se intensificam e cresce o risco de comer exageradamente.

A permissão incondicional para comer dialoga diretamente com o respeito aos sinais da fome. Se o ato de se alimentar é entendido sem tabus, controles ou regras, comer torna-se algo simples e intuitivo, como deve ser.

Texto escrito pela nutricionista Marcela Kotait. 



Fonte: Catraca Livre - Marcela Kotait



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