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Dilema da sustentabilidade: Bioplásticos não cumprem promessa de sustentabilidade

Compartilhe:     |  2 de março de 2021

Plásticos feitos de safras como milho ou cana-de-açúcar – em vez de derivados dos combustíveis fósseis – são geralmente considerados sustentáveis. Um dos motivos é que as plantas retêm CO2, que compensaria o carbono liberado na atmosfera quando os plásticos são descartados.

No entanto, há um problema: Com o aumento da demanda por matérias-primas vegetais para a produção de bioplásticos, as áreas de cultivo podem não ser suficientes. Como resultado, a vegetação natural é frequentemente convertida em terras agrícolas, o que inclui a derrubada de florestas. Isso, por sua vez, libera grandes quantidades de CO2.

A suposição de que mais bioplásticos não leva necessariamente a mais proteção climática foi agora confirmada por pesquisadores da Universidade de Bonn, na Alemanha.

Neus Escobar e Wolfgang Britz descobriram que a sustentabilidade dos bioplásticos à base de plantas depende muito do país de origem da plantação, de suas relações comerciais e da matéria-prima cultivada.

Para chegar a essa conclusão, a dupla desagregou a produção dos plásticos e bioplásticos no Brasil, China, EUA, União Europeia e Tailândia, outro país com florestas ricas em carbono. E eles levaram em conta culturas mais recentemente usadas para a fabricação de plásticos, como milho e mandioca.

Custos ambientais dos bioplásticos

Os pesquisadores simularam um total de 180 cenários (36 cenários por região) que variaram de acordo com o grau de penetração do mercado de bioplásticos e outros parâmetros determinando as respostas em toda a economia.

“Descobrimos que as pegadas de carbono dos bioplásticos disponíveis comercialmente são muito maiores do que os valores previamente estimados na literatura científica e relatórios de políticas,” disse Escobar.

O motivo disso é que as emissões de CO2 resultantes de mudanças no uso da terra superam a economia na emissão de gases de efeito estufa resultante da substituição das matérias-primas fósseis no longo prazo. A única exceção foram os bioplásticos produzidos na Tailândia, que economizam em média dois quilogramas de CO2 por tonelada, mas neste caso devido principalmente ao aumento relativamente pequeno na produção de bioplásticos naquele país.

Transbordamento

Os cálculos gerais mostram que nenhuma das regiões analisadas está claramente melhor posicionada do que outra para se tornar um centro de produção sustentável de bioplásticos.

As maiores pegadas são estimadas para os bioplásticos chineses, enquanto a União Europeia tem a maior pegada de carbono média: Os bioplásticos produzidos na UE levam uma média de 232,5 anos para compensar as emissões globais de CO2. A produção de bioplásticos nos EUA causa os maiores efeitos de transbordamento de terra e carbono, o que significa que a produção gera maior expansão de terras agrícolas, desmatamento e emissões de carbono no resto do mundo do que dentro do próprio país.

A produção de bioplásticos na Tailândia e no Brasil custa em grande medida a perda da cobertura florestal, o que pode levar a impactos adicionais sobre a biodiversidade.

Bibliografia:

Artigo: Metrics on the sustainability of region-specific bioplastics production, considering global land use change effects
Autores: Neus Escobar, Wolfgang Britz
Revista: Resources, Conservation and Recycling
DOI: 10.1016/j.resconrec.2020.105345



Fonte: Inovação Tecnológica



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